A Comissão de Segurança Pública e Crime Organizado da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (27), um convite para a lobista Roberta Luchsinger falar ao colegiado sobre as investigações que miram ela e o empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula (PT). A Folha procurou Luchsinger e seu advogado, Roberto Podval, por mensagem para questionar se ela pretende depor à comissão. Não houve confirmação até a publicação deste texto. Por se tratar de um convite, a presença dela não é obrigatória. Luchsinger e Lulinha são alvos de três inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal) sob suspeita de corrupção e tráfico de influência. Um dos pontos apurados pela Polícia Federal é a hipótese de que os dois mantiveram uma sociedade oculta em negócios. As defesas negam que eles tenham cometido irregularidades. Em 17 de outuro, a lobista afirmou, em entrevista à CNN Brasil, que pretende firmar um acordo de delação premiada para não responder sozinha por todos os atos investigados. "Eu não vou poupar ninguém, porque o que está em questão é a verdade, doa a quem doer", disse. "Não vou poupar o filho do presidente, não vou poupar o presidente." O requerimento de convite à lobista foi apresentado na comissão da Câmara pelo deputado Sanderson (PL-RS), que faz parte da oposição. O parlamentar cita ser necessário ouvir a lobista diante das supostas "ameaças de morte, coação, intimidação e tentativas de silenciamento" que ela estaria sofrendo. "A gravidade dessas afirmações recomenda que sejam esclarecidas, perante esta comissão, as circunstâncias em que os fatos teriam ocorrido, a natureza das ameaças, a eventual identificação de seus autores, as medidas de proteção adotadas e a existência de registros, comunicações ou outros elementos que possam contribuir para a atuação das autoridades competentes", diz trecho do documento. Sanderson também afirma que, ao falar à comissão, Luchsinger pode dar mais detalhes sobre as investigações relacionadas ao empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", além do próprio Lulinha. Os inquéritos contra eles foram abertos a partir de elementos encontrados nas buscas e quebras de sigilo da Operação Sem Desconto, sobre as fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). O convite foi aprovado pelo colegiado de forma simbólica, ou seja, quando não há contagem nominal de votos. A sessão durou menos de 15 minutos. Uma colaboração premiada precisa ser de interesse das autoridades para ser confirmada. Para ter benefícios em eventual condenação, Luchsinger precisará confessar crimes e entregar informações com provas à Polícia Federal e/ou ao Ministério Público Federal. Além dos elementos de corroboração para que a delação não se torne apenas um meio de reduzir penas e acusar outras pessoas, as equipes responsáveis pelos casos exigem dados inéditos e ainda não alcançados de forma independente.
Comiss�o da C�mara aprova convite para ouvir Roberta Luchsinger sobre caso Lulinha
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