São Paulo "Zero glamour e muita sola de sapato". Assim o CEO do Grupo Pão de Açúcar, Alexandre Santoro, descreve o trabalho de reestruturação da empresa. Segundo ele, a homologação da recuperação extrajudicial do GPA, aprovada nesta quarta-feira (7), é uma conquista, mas deve ser acompanhada de adequações estruturais. Uma das estratégias de reorganização da empresa é regionalizar a operação. "A gente precisa pensar a companhia como um todo, mas conseguir atuar mais localmente, adequando o sortimento à realidade daquele mercado", afirma Santoro. Para conduzir essa adequação de sortimentos —conjunto de produtos oferecidos em cada local—, o GPA criou representações no Rio de Janeiro, em Brasília e em Salvador. Fachada do Pão de Açúcar na avenida Brigadeiro Luís Antônio, em São Paulo - Rafaela Araújo - 10.mar.26/Folhapress Em princípio, o executivo diz que não haverá redução estrutural de produtos ofertados em lojas do grupo. No entanto, as especificidades regionais podem indicar a retirada de determinados itens das prateleiras. Sobre itens de marcas próprias do GPA, como Qualitá e Taeq, o executivo afirma haver questionamentos, mas descarta cortes relevantes. "Eu não vejo um movimento substancial. Tem muito mais ajuste de portfólio por região e por formato do que um ajuste mais estrutural." C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisõesSantoro afirma que estabelecimentos menores, como o Minuto Pão de Açúcar e o Mini Extra, são os mais impactados pela redução de itens. O objetivo principal das adequações é, segundo o CEO do GPA, aumentar a receita da companhia. Apesar de ter ampliado margens no segundo trimestre deste ano, a varejista teve redução de 7% na receita bruta em relação ao mesmo período de 2025. "Quando eu olho para frente, esse é o grande desafio; num cenário macro que não tem, nesse momento, nenhum vento a favor", afirma o executivo. Pedro Albuquerque, CFO (diretor financeiro) da companhia, corrobora a avaliação de Santoro sobre o cenário macroeconômico. Para ele, a situação não deve ser diferente em 2027, uma vez que o endividamento da população e a taxa de juros devem se manter altos. Mesmo com a avaliação negativa do ambiente econômico, os executivos se dizem otimistas. Segundo eles, a aprovação da recuperação extrajudicial afasta pressões externas, estabiliza a relação com fornecedores e permite à gestão focar nas soluções internas. Uma das soluções descartadas por eles é expandir a operação. "A gente tem que olhar para dentro de casa e ver como é que a gente pode ser mais eficiente", diz Alexandre Santoro. Ele cita as mais de 720 lojas do grupo e exemplifica pontos da estratégia adotada: "Operar com menos custo, atender melhor o nosso cliente e ter o melhor time possível nas lojas". Isso é, segundo o executivo, o que está sob seu controle no momento. Se o cenário macro mudar, diz Santoro, a empresa irá se adaptar. O executivo também falou sobre a falta de produtos em unidades da rede durante os primeiros meses da recuperação extrajudicial. Como mostrou a Folha em março, as dificuldades financeiras do GPA levaram fornecedores a diminuir o volume vendido à rede. Houve, à época, reclamações de atrasos de pagamento e alguns desistiram de vender ao Pão de Açúcar, por causa dos altos descontos exigidos na negociação. Segundo Santoro, uma parte dos fornecedores compreendeu a crise da companhia com maior rapidez e manteve as entregas. Outra parte foi mais conservadora e reduziu os serviços até compreender melhor a situação da varejista. "Fizemos um trabalho muito próximo de explicar o perímetro da RE (recuperação extrajudicial) e explicar que a gente não ia ficar devendo um real a nenhum fornecedor", afirma o CEO. Santoro diz que pode haver faltas pontuais de itens, mas que os contratos com fornecedores estão em dia. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes.Raio-X | Grupo Pão de Açúcar Fundação: 1948 Sede: São Paulo Funcionários: cerca de 37 mil empregados diretos Receita bruta: R$ 4,7 bilhões (segundo trimestre de 2026) Prejuízo líquido: R$ 204 milhões (segundo trimestre de 2026) Principais concorrentes: Carrefour, St. Marche, Oba Hortifruti
Com reestrutura��o aprovada, P�o de A��car aposta em regionaliza��o e descarta expans�o
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