Com ondas de calor, Europa tem ver�o que deve entrar para a hist�ria clim�tica

Com ondas de calor, Europa tem ver�o que deve entrar para a hist�ria clim�tica

Dizer que "faz calor no verão" não surpreende ninguém, mas o deste ano no Hemisfério Norte atingiu níveis extremos na Europa, o continente que se aquece mais rápido no mundo. Confira cinco razões pelas quais este verão entrará para a história climática da Europa. 40°C pela primeira vez Embora temperaturas de 40°C no verão tenham se tornado frequentes em algumas partes da Europa, em 2026 outras regiões ultrapassaram esse patamar pela primeira vez. Regiões europeias (excluindo a Turquia) onde vivem 18 milhões de pessoas tiveram temperaturas de 40°C em 2026 pela primeira vez desde, pelo menos, o ano de 2000, segundo uma análise da AFP baseada nas temperaturas máximas diárias registradas até 15 de agosto pelo Observatório Europeu da Seca (EDO, na sigla em inglês) e em dados demográficos do Centro Comum de Pesquisa. Entre as regiões que registraram essas temperaturas pela primeira vez estão áreas da Alemanha com uma população total de 9 milhões de habitantes, especificamente ao sul e a oeste de Berlim e nos arredores de Frankfurt. O fenômeno também atingiu regiões da França onde vivem 4 milhões de pessoas, principalmente nos arredores de Estrasburgo e Metz, mas também na Bretanha e a oeste de Limoges. 35°C persistentes Os picos de calor podem afetar duramente o organismo, mas temperaturas elevadas e persistentes também são extenuantes. Durante um período de dois meses, de meados de junho a meados de agosto, as temperaturas ultrapassaram 35°C em mais de 55 dias em vários municípios da Espanha, como Lérida, no nordeste, e Córdoba e Granada, na região da Andaluzia, no sul, segundo dados do EDO. Embora a Andaluzia já tenha registrado um calor tão persistente em anos recentes, sobretudo em 2025 e 2023, o fenômeno é inédito em Lérida, cidade localizada muito mais ao norte. A estação meteorológica dessa cidade catalã registrou temperaturas superiores a 35°C todos os dias durante mais de um mês, de 15 de junho a 24 de julho, com exceção de 1º de julho, segundo dados da Agência Estatal de Meteorologia (Aemet) da Espanha. Após uma breve trégua entre 25 e 27 de julho, as temperaturas voltaram a atingir ou superar esse patamar até 14 de agosto. Da mesma forma, Nicósia, no Chipre, registrou mais de 55 dias com temperaturas máximas acima de 35°C.Quando os termômetros chegam a 48,4°C Muitos países da Europa Central, Oriental ou Setentrional bateram neste ano seus recordes históricos de temperatura: 37°C na Dinamarca; 42,2°C na Eslováquia; e máximas entre 40°C e 42°C na Alemanha, Áustria, República Tcheca e Polônia. No entanto, a Itália provavelmente registrou a temperatura mais alta do verão, com 48,4°C em Orani, na Sardenha, em 19 de julho, segundo a agência regional de proteção ambiental Arpas. A temperatura ficou apenas alguns décimos abaixo do recorde europeu de 48,8°C, registrado na Sicília em 2021. Noites acima de 25°C Quando o calor é intenso durante o dia, as pessoas esperam pelo frescor da noite. No entanto, esse alívio é cada vez menos frequente. Em 2026, regiões da Europa onde vivem cerca de 18 milhões de pessoas registraram noites com temperaturas acima de 25 ºC pela primeira vez desde, pelo menos, o início deste século. A situação afetou especialmente quase 5 milhões de pessoas na França, incluindo a extensa região da Ilha de França, onde fica Paris. Várias áreas da Itália aos pés dos Alpes, que até então haviam escapado das noites quentes, também registraram noites sufocantes. O fenômeno chegou até a Polônia, especificamente aos arredores da capital, Varsóvia. Quando a exceção vira regra Noites com temperaturas acima de 25°C são bastante frequentes no sul da Itália, porém neste verão elas se tornaram recorrentes em algumas regiões. No extremo sul da "bota" italiana, na Sicília e ao longo da costa sul do Adriático, algumas áreas registraram mais de 20 noites quentes em um período de dois meses. A situação foi semelhante do outro lado do mar Adriático, por exemplo, nos arredores da ilha croata de Brac, segundo dados do EDO.

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