São Paulo Assistir a uma peça no Ágora Teatro é como entrar na sala de um amigo, sentar-se no sofá e vê-lo contar uma história — uma boa história. A casa é vencedora da categoria de melhor teatro com até cem lugares. O espaço pequeno deixa o ambiente aconchegante, com todos os presentes próximos, em clima mais informal. Mas quando a luz é apagada e a peça iniciada, a trama faz dos espectadores parte do cenário. O ator Celso Frateschi encena 'O Sonho Voou', no Teatro Ágora - João Maria/Divulgação A sala do Ágora funciona como uma semiarena, com plateia de 50 pessoas que cerca três dos quatro lados. Sem palco, os atores ficam quase que junto ao público. "O espaço é instigante e difícil. Não permite um momento de relaxamento do ator", diz Celso Frateschi. "É estimulante, a gente adora." Frateschi fundou o teatro com o amigo Roberto Lage após os dois não serem selecionados em um edital para ocupação do Teatro de Arena Eugênio Kusnet. A arquiteta e cenógrafa Sylvia Moreira se juntou à dupla e o projeto ocupou um prédio na rua Rui Barbosa, onde há forte presença de grupos de artes cênicas. O ano era 1999 e a ideia do trio era criar um centro de experimentação teatral com pilar não só nas peças, mas também em cursos e no debate sobre o teatro em relação à sociedade. Desde então, o Ágora faz jus ao nome: do grego, um espaço para encontros de diversas naturezas. "Sempre tem um porquê, não é qualquer peça que fazemos", diz Sylvia. Obras narrativas, ligadas à literatura e com texto provocativo têm espaço garantido. O casal Moreira e Frateschi faz dobradinha: o ator costuma protagonizar ou dirigir monólogos, enquanto a arquiteta pensa e executa os cenários. Parte das peças foi encenada no antigo espaço, que foi desativado durante a pandemia e interditado em 2022. O atual teatro, ao lado da antiga sede, é parte da casa onde moram Moreira e Frateschi. Foi projetado pela arquiteta e funcionava como uma sala adicional do Ágora. "A gente tinha 750 m² e ficou com 250 m²", diz. Na nova sede, além da sala de espetáculos há escritório, café e jardim. Entre uma sessão e outra, o Ágora segue com as aulas do curso Texto e Cena, ministrado por Welington Andrade (integrante do júri deste especial), que percorre a história das artes cênicas a partir da evolução da literatura dramática. Ágora Teatro Depois da Chuva Sex. e sáb., às 20h, e dom., às 19h. Ingr.: R$ 100. Até 22/11 Horácio Ter. e qua., às 20h. Gratuito R. Rui Barbosa, 664, Bela Vista, região central. @agora.teatro
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