O PT sempre acusou seus adversários de serem um risco à democracia e, não raro, fascistas. Serra, Alckmin, Marina; todos foram alvo. As acusações da militância petista carecem de credibilidade. Assim, o fato de acusarem Flávio não nos diz nada. Ao mesmo tempo, como o pai dele tentou um golpe de Estado, é relevante ao menos fazer a pergunta: Flávio traz um risco? Mas será que Jair Bolsonaro tentou mesmo um golpe de Estado? Essa pergunta é, hoje, objeto de disputa. Vamos aos fatos: depois da derrota, Bolsonaro elaborou um decreto que impediria a posse do presidente eleito; sentou-se junto aos generais do Alto Comando para persuadi-los a se juntar ao plano. Seus assessores assediaram e intimidaram os que se recusaram a aderir. Seus apoiadores, inspirados pelo discurso contra as urnas, acamparam por meses em frente a quartéis pedindo um golpe. Seus assessores imprimiram um plano para matar autoridades, e chegaram a armar uma tocaia para Alexandre de Moraes, que acabou sendo cancelada. Cópias do plano foram impressas no Palácio. Bolsonaro discutia a melhor data para iniciar a ação. Bolsonaro acabou não publicando o decreto e saiu do país, deixando "ao povo" a decisão sobre "para onde vai as Forças Armadas". Dias depois, veio o 8 de janeiro. Desde então, a discussão tem sido sobre se o julgamento que condenou Bolsonaro foi justo ou não. Independentemente, contudo, dessa discussão jurídica, os fatos listados são bem estabelecidos. E são muito graves. Flávio, diga-se, foi uma das vozes que, na época, recomendou que seu pai mandasse os acampados para casa. Nunca, contudo, repudiou o que o pai fez. Mas e Lula, não traz ele também um risco democrático? A ala mais autoritária do Supremo, aquela que rejeita qualquer ideia de autocontenção e que agora usa seus poderes para blindar-se de investigações, é aliada de Lula. A perspectiva de indicar mais quatro Flávios Dinos era um motivo real de preocupação. Era. Com a eleição desse Congresso, o cenário mudou. Em 2027, com o Congresso maciçamente de direita, será fácil fazer impeachment de ministro do STF e barrar indicações. Em outras palavras: Lula, se quiser aprovar um nome ao Supremo, terá que decidir junto dos senadores da oposição. Idem para qualquer reforma. O risco de Lula indicar somente gente de sua confiança é virtualmente zero. FolhaJus A newsletter sobre o mundo jurídico exclusiva para assinantes da Folha O Senado em 2027 será um freio a Lula ou um acelerador para Flávio. O próprio Supremo, que em tese poderia conter um presidente que quisesse erodir nossa democracia, não será páreo para um mandatário com uma supermaioria. E a alta probabilidade do impeachment também deve manter a corte contra a parede mesmo se o presidente for Lula. Quem tem receios quanto às credenciais democráticas de Lula pode ficar aliviado: mesmo que ganhe, ele não terá vida fácil. Quem tem a certeza de que a agenda do filho 01 será boa para o país e fortalecerá a democracia, tem motivos de sobra para votar nele. Quem não tem essa certeza tem motivos para exigir maiores garantias. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Com esse Congresso, quem traz mais risco: Fl�vio ou Lula?
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