Com alta de Cury, Datafolha traz m�s not�cias para Lula

Com alta de Cury, Datafolha traz m�s not�cias para Lula

A pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (3) confirma duas novidades importantes da campanha: a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) se dissipou, e o psiquiatra Augusto Cury (Avante) assumiu a terceira posição na preferência dos eleitores. Lula, com 38% das intenções de voto no primeiro turno, está cinco pontos à frente de Flávio, pouco acima da margem de erro do levantamento. Sinal de que, ao menos por ora, o escândalo Dark Horse, com as conversas sórdidas entre o senador e Daniel Vorcaro, perdeu o impacto de meses atrás. Num eventual segundo turno entre os dois, a situação soa ainda melhor para Flávio. Embora apareça numericamente atrás do petista, ele agora está a meros dois pontos de distância, 46% a 44%, dentro da margem de erro. Do ponto de vista de Lula, as más notícias não terminam por aí. O Datafolha também mostra que o governo federal é considerado ótimo ou bom por 31% dos entrevistados, regular por 25% e ruim ou péssimo por 42%, o que significa, nesse último caso, a avaliação negativa mais elevada deste terceiro mandato do petista. Pior para o presidente, o hiato entre ruim/péssimo e ótimo/bom cresceu a despeito de já ter começado a campanha, um momento em que o incumbente costuma ser favorecido pela possibilidade de exibir suas realizações. Ao que parece, relembrar os programas de benefícios sociais do governo tem sido insuficiente para superar a desaceleração do PIB e o efeito das suspeitas envolvendo Fábio Luís, o Lulinha. E há mais. A inesperada ascensão de Augusto Cury na corrida parece ter minado os esforços do presidente para tentar vencer a disputa ainda no primeiro turno, em parte porque o escritor de autoajuda se tornou opção para eleitores que antes figuravam como indecisos ou propensos a votar branco ou nulo. Com o salto de Cury, que subiu de 2% para 8% das preferências, ganhou corpo o bloco formado pelos candidatos de menor expressão eleitoral: Ronaldo Caiado (PSD), com 4%, Renan Santos (Missão), com 3%, e Romeu Zema (Novo), com 2%, além de Samara (UP), Edmilson Costa (PCB) e Rui Costa Pimenta (PCO) com 1%. Neste primeiro momento, Cury pode ter conquistado a simpatia de muitos eleitores cansados da polarização entre o PT e a família Bolsonaro, assim como pode ter canalizado o sentimento de antipolítica que sempre grassa na esteira dos grandes escândalos. As atuações desastradas do psiquiatra nos debates e entrevistas, com total falta de traquejo e de conhecimento, talvez até tenham contribuído para a imagem alternativa que ele pretende criar. Mas, se quer mesmo governar o Brasil, ele deveria ser capaz de demonstrar mais do que isso. Não só ele, aliás. A pobreza da política brasileira se revela por completo quando se nota que as acusações de fraudes e corrupção são o fator de maior impacto na disputa presidencial. editoriais@grupofolha.com.br

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