Colossal usa IA para tentar trazer dod�, ave extinta no s�culo 17, de volta � vida

Colossal usa IA para tentar trazer dod�, ave extinta no s�culo 17, de volta � vida

A Colossal Biosciences afirmou nesta quarta (14) ter desenvolvido um sistema de inteligência artificial para seu projeto de trazer o dodô de volta à vida. A IA, segundo a empresa de biotecnologia, permite identificar alterações genéticas que podem ser responsáveis por características da ave, extinta no século 17. A ideia da empresa americana é utilizar a edição genética para incorporar características do dodô às células do pombo-de-nicobar, seu parente vivo mais próximo. Nativo de algumas ilhas do Sudeste Asiático, este espécime é conhecido por suas penas iridescentes verdes e acobreadas e, ao contrário do dodô, é capaz de voar. A equipe científica da Colossal diz estar nos estágios finais da análise do genoma do dodô, agora 95% completo. Segundo a empresa, o avanço obtido nos trabalhos deverá reduzir o tempo necessário para testar se uma edição genética produz a característica desejada. Por enquanto, a Colossal não divulgou se trabalha com um prazo para o nascimento de um dodô. No ano passado, a empresa disse ter modificado 20 regiões do DNA de lobos modernos para criar filhotes com características semelhantes às dos chamados lobos-gigantes (Aenocyon dirus), extintos. Além do dodô e do lobo-terrível, a Colossal tem outras quatro espécies em sua lista de "desextinção": o mamute-lanoso; o tilacino, também chamado de tigre-da-tasmânia; o antílope-azul; e a moa, uma grande ave que não voava. "O dodô é o símbolo mais conhecido do mundo da extinção causada pelo ser humano. Ele desapareceu poucas décadas após a chegada dos humanos às Ilhas Maurício, em grande parte devido à introdução de espécies invasoras, como ratos e outros animais trazidos por eles. Trazê-lo de volta mostra que a extinção não precisa ser permanente", disse à Reuters Ben Lamm, CEO e cofundador da Colossal. "Os grandes desafios pela frente são comprovar quais alterações genéticas realmente importam, realizar muitas dessas edições em uma ave e transmiti-las à geração seguinte, além de preparar um habitat seguro para os dodôs nas Ilhas Maurício", afirmou Lamm. O dodô era uma ave que fazia ninhos no chão, tinha em torno de um metro de altura e pesava até 23 kg. Como nunca haviam se deparado com seres humanos, os dodôs não demonstravam medo das pessoas que chegaram às Ilhas Maurício no século 16. Pressionado por espécies invasoras e pela caça humana, o último dodô vivo foi visto em 1662. A ave continuou presente na cultura popular, inclusive no livro "Alice no País das Maravilhas", de Lewis Carroll. PLATAFORMA GENOMORPH O DNA antigo está sempre fragmentado em pequenos pedaços, por isso nenhum genoma antigo está perfeitamente completo, incluindo o do dodô. A plataforma de IA desenvolvida pela Colossal chama-se GenoMorph. "O desafio era que os cientistas dispunham de apenas um genoma completo de dodô, o que dificultava distinguir as diferenças genéticas que tornavam a ave única das variações genéticas comuns. A GenoMorph funciona, na prática, como um ‘mapa do tesouro’ do genoma do dodô, reduzindo centenas de milhares de possíveis alterações genéticas a um conjunto de alvos com maior probabilidade de explicar seu bico emblemático e sua estrutura facial", explicou Lamm. Beth Shapiro, diretora-científica da Colossal, afirmou que o GenoMorph identifica prováveis alvos de edição genética para espécies das quais restou pouquíssimo DNA. Ainda segundo ela, normalmente os cientistas comparam muitos genomas de uma mesma espécie para identificar os genes responsáveis por uma característica, mas isso não é possível com o dodô."Por isso, o GenoMorph estuda como os crânios e os bicos se desenvolvem em mais de 70 espécies de aves vivas e aprende quais interruptores genéticos controlam seu formato. A ferramenta nos forneceu uma lista preliminar de cerca de 2.300 candidatos ligados ao tamanho e ao formato do bico. Esses alvos estão sendo validados em laboratório", disse Shapiro. A Colossal disse que ampliou sua colônia de pombos-de-nicobar no Texas para 36 aves, após a reprodução bem-sucedida entre pares já estabelecidos. Segundo a empresa, isso deve ajudar no estudo do desenvolvimento, da reprodução e da genética da espécie. Lamm acrescentou que a empresa trabalha com cientistas, grupos de conservação e o governo de Maurício para definir como seria reintroduzir o dodô em sua terra natal. "Preparar o local para os dodôs também significa eliminar predadores invasores e restaurar o habitat, o que ajuda as espécies nativas que vivem lá atualmente", disse Lamm. "Nenhum local de soltura será escolhido até que o trabalho ecológico e a consulta às comunidades sejam concluídos, mas o objetivo da Colossal é devolver os dodôs a seus habitats naturais em Maurício."

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