Colonos israelenses incendiaram e picharam duas mesquitas no norte da Cisjordânia, informaram autoridades palestinas de alto escalão no território ocupado neste domingo (26), em meio à escalada da violência que deixou seis mortos na sexta-feira (24). O conflito na Cisjordânia se intensificou desde o ataque do Hamas contra Israel, que desencadeou a guerra em Gaza em outubro de 2023. Desde então, ataques de colonos e operações militares israelenses em cidades palestinas tornaram-se quase diários. O prefeito de Qusra, ao sul da cidade de Nablus, disse à agência de notícias AFP que colonos israelenses incendiaram uma mesquita em construção na cidade. "O fogo destruiu a entrada da mesquita e danificou até mesmo a alvenaria", disse Abdel Azim Wadi. Os agressores também picharam Estrelas de Davi nas paredes e mensagens incluindo a palavra "vingança" em hebraico. O Exército israelense informou que tropas foram enviadas aos arredores de Qusra após receberem a denúncia de um incêndio em uma mesquita. "Os soldados procuraram suspeitos que haviam fugido antes de sua chegada e identificaram sinais de incêndio criminoso e pichações no local", afirmou a corporação. As Forças Armadas de Israel, que exercem controle sobre a Cisjordânia em uma ocupação considerada ilegal pela comunidade internacional, possuem um histórico de negligência quanto à apuração de crimes cometidos por colonos. Em um incidente separado, israelenses incendiaram outra mesquita na vila de Kour, perto de Tulkarem, e picharam slogans racistas em suas paredes, de acordo com o Ministério de Doações e Assuntos Religiosos da Palestina. Na sexta, em Tel, perto de Nablus, quatro palestinos e dois israelenses foram mortos em confrontos após uma incursão de um grupo de colonos. Após esse incidente, Israel anunciou uma ampla operação "antiterrorista" no norte da Cisjordânia, e o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu declarou que acelerariam a "legalização dos assentamentos" na região. O aumento da violência nos últimos anos tem caminhado lado a lado com a proliferação de assentamentos, enquanto uma parcela da classe política israelense não esconde seu desejo de anexar esse território, ocupado desde 1967. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Cerca de 750 mil israelenses vivem na Cisjordânia, incluindo 250 mil em Jerusalém Oriental e 500 mil em assentamentos considerados ilegais sob o direito internacional, ao lado de aproximadamente 3 milhões de palestinos, que esperam que o território faça parte de um futuro Estado soberano. Os assentamentos são conectados por estradas que, em geral, não podem ser acessadas por palestinos, que também estão sujeitos a controles militares e a outras restrições de movimento no território ocupado. Além disso, os civis israelenses que moram na Cisjordânia estão sujeitos à lei civil de Israel, enquanto as Forças Armadas aplicam a lei militar contra palestinos que cometem crimes relacionados à "segurança nacional". Essa aplicação dupla da lei é o cerne para a acusação de que Israel comete o crime de apartheid na Cisjordânia. Em janeiro, o escritório de direitos humanos da ONU publicou um relatório afirmando que Israel pratica "discriminação sistemática" contra palestinos no território. "Trata-se de uma forma grave de discriminação racial e segregação que se assemelha ao tipo de sistema de apartheid que já vimos no passado", disse na ocasião o chefe do órgão, Volker Türk. O governo de Israel nega cometer apartheid e chamou as acusações de "absurdas" e de "uma distorção". Desde outubro de 2023, o Ministério da Saúde palestino registrou a morte de 1.094 combatentes ou civis palestinos pelas mãos de soldados ou colonos israelenses. Segundo dados oficiais israelenses, pelo menos 48 israelenses, entre civis e militares, morreram na região em ataques palestinos ou durante operações militares de Israel.
Colonos de Israel incendiaram e picharam mesquitas na Cisjord�nia, dizem palestinos
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