A Colômbia inaugurou nesta quarta-feira (14) sua embaixada em Jerusalém, juntando-se ao restrito grupo de países, entre eles os Estados Unidos, que reconhece a cidade disputada por Israel e Palestina como capital do Estado . A medida cumpre promessa do presidente Abelardo de la Espriella, de ultradireita, que assumiu o cargo em agosto e anunciou a transferência como gesto de apoio a Israel. A abertura ocorre no mesmo dia em que o governo colombiano enfrenta, nas ruas, os primeiros grandes protestos contra suas políticas, convocados pela oposição. Na véspera, Espriella assinou um decreto que endurece a resposta das autoridades às manifestações. A decisão de inaugurar a embaixada em Jerusalém representa uma guinada de 180 graus em relação ao antecessor, o esquerdista Gustavo Petro. Em 2024, em protesto contra a campanha israelense na Faixa de Gaza, Petro rompeu relações diplomáticas com Israel, fechou a embaixada em Tel Aviv, convocou de volta o embaixador colombiano e fez duras críticas ao premiê Binyamin Netanyahu. Israel classificou a medida como antissemita. O governo Espriella restabeleceu também o acordo de livre comércio entre os dois países, que havia sido encerrado por Petro. Em agosto, Bogotá já havia reconhecido a soberania de Israel sobre as Colinas de Golã, planalto tomado da Síria na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Até então, os EUA eram o único país a reconhecer a anexação do território, formalizada por Israel em 1981. Na cerimônia de abertura da representação diplomática, o chanceler israelense, Gideon Saar, assinou o livro de ouro da embaixada ao lado do seu homólogo colombiano, Omar Bula. "É uma data importante para o Estado de Israel. É também uma data importante para a cidade de Jerusalém", afirmou Saar. "É uma data importante para o Estado de Israel. É também uma data importante para a cidade de Jerusalém", declarou o ministro israelense das Relações Exteriores, Gideon Saar, ao assinar o livro de ouro da embaixada, acompanhado de seu homólogo colombiano, Omar Bula. Bula disse que o ato é "um passo concreto rumo à restauração" das relações diplomáticas, que, em sua avaliação, "nunca deveriam ter sido interrompidas". A embaixadora Gilinski enfatizou a cooperação em segurança. "A Colômbia enfrenta ameaças derivadas do terrorismo, do narcotráfico, da criminalidade transnacional organizada que afeta nossas comunidades", disse. O Ministério das Relações Exteriores de Israel informou que Saar e Bula terão conversas bilaterais ainda nesta quarta. A grande maioria da comunidade internacional, inclusive o Brasil, estabelece suas embaixadas em Tel Aviv por entender que, dada a ocupação militar ilegal de Jerusalém Oriental por Israel desde 1967, a cidade não pode ser capital do Estado judeu até que haja um Estado da Palestina com sua capital em Jerusalém Oriental. O consenso foi rompido em 2018, quando Donald Trump, em seu primeiro mandato, transferiu a embaixada americana para Jerusalém. Desde então, seguiram o exemplo Guatemala, Honduras, Paraguai, Fiji, Papua-Nova Guiné e Somalilândia. O argentino Javier Milei, conhecido pelo endosso a Israel, prometeu fazer o mesmo. Israel considera a cidade sua capital, e é lá que ficam o Parlamento, os gabinetes do primeiro-ministro, a Suprema Corte e outras instituições. Os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental, de maioria árabe, como capital de um futuro Estado. Israel ocupa essa parte da cidade desde 1967 e a anexou posteriormente. A anexação não é reconhecida pela ampla maioria da comunidade internacional. DECRETO ÀS VÉSPERAS DOS PROTESTOS Na Colômbia, Espriella assinou na noite de terça um decreto que modifica a resposta das autoridades às manifestações no país. A determinação ocorreu um dia antes de atos previamente convocados em várias cidades por sindicatos, estudantes e indígenas contra as políticas econômicas, sociais e de segurança pública do novo governo, que defende medidas de linha-dura. O texto altera uma ordem executiva de 2021 que priorizava o diálogo e a mediação antes da atuação da força pública em caso de manifestações violentas. Naquele ano, o governo do então presidente Iván Duque enfrentou protestos que se estenderam por cerca de três meses, com fortes confrontos entre manifestantes e a força pública. O novo decreto traz definições para atos violentos, agressões, retenção de pessoas e bloqueios de vias públicas. A ordem também prevê a criação de corredores e zonas seguras para o transporte, os serviços essenciais e as rodovias nacionais. "Não serão tolerados a violência, o vandalismo nem os bloqueios que violam os direitos de milhões de cidadãos", escreveu Espriella em um post no X. Em vídeo, o ultradireitista acrescentou: Não existe o direito de destruir, bloquear, atacar a força pública, agredir e, naturalmente, não existe o direito de semear o caos".
Col�mbia abre embaixada em Jerusal�m e reata acordo comercial com Israel
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