Coaliz�o liderada pela esquerda emperra em Berlim

Coaliz�o liderada pela esquerda emperra em Berlim

A delicada negociação para a formação de um governo liderado pelo partido A Esquerda, em Berlim, emperrou em sua segunda semana. Nesta terça-feira (13), Verdes e sociais-democratas anunciaram a suspensão do diálogo após o partido vencedor das eleições ter admitido uma deputada radical em seu grupo parlamentar. Vanessa Emde, deputada eleita pelo distrito de Neukölln, é acusada de antissemitismo. Durante sua campanha, a política deu grande destaque à situação da Palestina e da Faixa de Gaza em um bairro com forte população imigrante. Teria contestado, inclusive, a existência de Israel. Apesar de ter sido eleita diretamente para a Câmara berlinense, Emde não é dona do cargo, segundo a legislação eleitoral alemã. Se a Esquerda quisesse, poderia sacá-la de sua bancada. Essa, aparentemente, era a expectativa das legendas que negociavam a coalizão. Pelo contrário, o partido confirmou a deputada durante uma conferência realizada também nesta terça-feira. Emde, assim como todos os colegas de bancada, assinou uma declaração em que buscavam dissociar A Esquerda das acusações de antissemitismo. O direito de Israel à existência é um dos itens do documento, algo que Elif Eralp, principal nome do partido e candidata a assumir a prefeitura, havia se comprometido a incluir na negociação. Relatos da imprensa alemã, no entanto, colocavam o afastamento de Emde do grupo parlamentar como condição inicial de Verdes e SPD para a negociação. Escritora e diretora de teatro, Emde ficou conhecida por performances feministas e faz parte de uma rede trotskista. A militância por Gaza ficou marcada por uma frase em que dizia que "não são os Estados que tinham direito de existir, mas sim as pessoas". Para críticos e parte da imprensa alemã, a futura deputada contestava assim a existência de Israel. "Tomamos conhecimento de que A Esquerda chegou a outros acordos dentro de seu grupo parlamentar", declararam em nota conjunta Werner Graf e Steffen Krach, líderes dos Verdes e do SPD. "Esperamos que eles nos deixem claro até que ponto pretendem levar a sério e colocar em prática os acordos que firmamos." Com 25% dos votos conquistados, a legenda de Eralp precisa do apoio dos dois partidos para formar um governo de maioria. Se a negociação não der certo, a CDU, de Friedrich Merz, também teria condições de montar uma coalizão majoritária, também com apoio de Verdes e SPD. É com esse trunfo que os dois partidos negociam com A Esquerda. Na véspera, o primeiro-ministro, que vive seu pior momento no segundo ano de governo, declarou que uma coalizão liderada pela Esquerda em Berlim era "inadmissível". Além das acusações de antissemitismo, a legenda defende a estatização de mais de 200 mil apartamentos para tentar resolver a escassez de moradia na capital alemã. Logo após a eleição, Merz chegou a prometer uma legislação federal para coibir qualquer tipo de "expropriação". Porém, a medida que Eralp defende, chamada de "socialização", é prevista pela Constituição alemã e não configura um confisco. Filha de socialistas que emigraram à força da Turquia, Eralp, também nesta terça-feira, afirmou que a população tinha dado a seu partido "um mandato claro para tornar Berlim acessível". Ela afirmou que levava as críticas a sério, mas disse que entendia a fala do premiê como uma "interferência". Euro Radar Uma newsletter sobre geopolítica e economia global, editada pelo jornalista João Caminoto, de Paris Descrita como radical por boa parte da imprensa do país, A Esquerda não é considerada um partido extremista pelos serviços de segurança da Alemanha, diferentemente do que ocorre com a AfD no campo oposto. Merz e a CDU, no entanto, classificam as duas legendas como um risco de segurança ao país, principalmente por ambas defenderem uma aproximação com a Rússia em detrimento do apoio à Ucrânia na guerra.

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