Claudia Ohana diz que neto sofre bullying por ela ter posado nua e que n�o quer remake de 'Vamp'

Claudia Ohana diz que neto sofre bullying por ela ter posado nua e que n�o quer remake de 'Vamp'

No ano em que "Vamp" faz 35 anos, Claudia Ohana desaprovaria um remake da novela, ou seja, refazer uma nova versão de uma obra já existente, como aconteceu em "Pantanal" e "Vale Tudo". "Não ia gostar, acho que eu ia ficar com ciúmes da Natasha." A atriz se refere à vampira roqueira que interpretou, protagonista de um folhetim da Globo que chegou a bater 72 pontos no Ibope da época. "É que nem quando eu fui fazer o musical 'Vamp'. Jorginho [Fernando, que dirigiu a novela em 1991 e 1992] chegou e disse que queria que eu interpretasse Mary Matoso [uma personagem secundária]. Falei: 'impossível entrar no palco e não ser a Natasha'." Dois anos se passaram até que, em 2017, ela venceu a determinação do diretor e reviveu Natasha no musical ao lado de Ney Latorraca, com temporadas no Rio e em São Paulo. "É uma personagem que, além de ser minha, as pessoas não deixam ela morrer nunca, né? Natasha é muito presente ainda, ela é vampira", brinca. "Não sou a favor do remake, sou a favor de continuação." O fenômeno que "Vamp" foi consegue explicar parte da ciumeira. Ohana definiu como a primeira vez em que o sucesso na carreira se tornou palpável. "[Antes da novela] eu era totalmente bicho grilo de cinema, uma vibe meio MPB. Então aí veio Natasha, que era uma popstar rock and roll. Eu morava no térreo e as pessoas batiam no meu vidro. Não podia ir para lugar algum. Sabe quando você não está preparado?" Apesar disso, Ohana não se considera uma pessoa nostálgica. "Não assisto a novelas que fiz. Eu quase não assisto o que faço agora", afirma em entrevista à coluna na Redação da Folha. Ela reconhece que os folhetins já não têm o mesmo alcance de antes e responsabiliza os streamings por quebrar a rotina de reunir a família para assistir TV, mas avalia que a qualidade das produções melhorou. "A linguagem da novela está muito melhor. Câmera, luz, interpretação, é outra coisa. Os atores dão show. É outro nível." Outra trabalho que faria novamente é posar nua na capa da Playboy. Seria a terceira vez. "Faria, com certeza, e com 63 anos. Ah, é tirar onda." A primeira vez que apareceu nas páginas da revista foi em 1984, quando tinha 21 anos e despontava na TV. "Estava lançando o filme 'Erêndira' e me ofereceram para aparecer em uma revista que seria apenas distribuída nos Estados Unidos. E era uma edição com a Sônia Braga, minha ídola. Mas não li o contrato, e eles acabaram divulgando as fotos aqui também. Não teria feito se soubesse", conta Ohana. "Ainda não ganhei quase nada [pelas fotos], nem a passagem do avião [o cachê] pagava." Posou novamente em 2008, desta vez na capa, com o título "Ela voltou!". "Fiz para ver se as pessoas esqueciam um pouco da outra. E foram fotos lindas, porque as da primeira nem bonitas são." Claudia Ohana não considera que tenha sofrido prejuízo profissional pelas fotos. "Posar na Playboy naquela época era uma coisa muito comum. Sempre fui muito tranquila com a nudez", diz. A atriz afirma, porém, que a exposição impactou a família. Segundo ela, seu neto mais novo já sofreu bullying na escola devido às fotos. "Ninguém mexeu com a minha filha porque posei nua. Nem com meu neto de 20 anos. Agora provocam meu neto de 14 anos. Não sei se é a personalidade dele ou a época que em que estamos vivendo. E, como não passei por isso antes, não sei bem mesmo. É muito triste", conta. Ohana vê diferenças positivas entre as novelas de hoje e as que fazia no início da carreira. Em "A Próxima Vítima" (1995), por exemplo, sua personagem, Isabel, era agredida e esfaqueada pelo noivo depois de traí-lo, com cenas bem explícitas. "As pessoas aplaudiram. Chamavam ela de cachorra", lembra. Foi a primeira vez que brigou com o diretor Jorge Fernando (1955-2019) por não querer fazer uma cena. "A gravação me deu muita dor de cabeça, me cansou muito. E sou uma atriz super tranquila, que obedece a tudo o que o diretor manda". Para ela, gravar algo parecido hoje seria impensável, mas "era o que o povo brasileiro queria". "A gente está num processo de cura e, ao mesmo tempo, de regressão. As mulheres estão ganhando espaço, os gays estão ganhando espaço, os negros estão ganhando espaço, ao mesmo tempo em que tem uma avalanche querendo voltar", afirma. "Não compreendo, no Brasil de hoje, estarmos nesse momento de tanta violência contra a mulher." Ohana também fala sobre outro tipo de dificuldade na profissão: o etarismo. Ela diz que mulheres mais velhas ainda são pouco contempladas pelas histórias do audiovisual e acabam restritas aos papéis de avós. "Uma mulher de 63 anos também anseia por projetos, por um amor, anseia por milhares de coisas, milhares de conflitos." O teatro é uma das artes que melhor contorna o problema, segundo a atriz, pois é mais "generoso" do que as câmeras. Ela está em cartaz na peça "Festa no Arraial", que adapta "Sonho de uma Noite de Verão", de Shakespeare, à realidade nordestina. Ohana interpreta uma vilã que persegue o uirapuru, pássaro associado ao amor, até ser transformada pelo sentimento que tentava aprisionar. O espetáculo chega à última sessão no Rio neste domingo (27), após ter passado por São Paulo. Com o sucesso, porém, ganhou datas em Fortaleza, Brasília, Teresina e João Pessoa, de 10 de outubro até 1º de novembro. Já é a terceira peça que Ohana faz neste ano. Após começar no cinema aos 15 anos e ter surfado no auge da televisão brasileira, "gravando 40 cenas por dia", é no tablado que ela se sente "artista de verdade". "Foi com o teatro que melhorei muito como atriz. Ele te expõe de uma maneira absurda. Tudo acontece ao vivo, naquele momento. Se há um barulho, há um barulho. Se um refletor cai, você não pode fingir que não aconteceu. Ao mesmo tempo, é preciso imaginar. Você vê um castelo, uma floresta, uma caipora. Tudo é muito vivo." LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. 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