Cinco maneiras que o aumento do n�vel do mar pode afetar o Reino Unido e outros lugares

Cinco maneiras que o aumento do n�vel do mar pode afetar o Reino Unido e outros lugares

O aumento do nível do mar pode parecer um problema dos outros se você mora no interior. Mas, mesmo a quilômetros do litoral, as mudanças no nível do mar podem afetar a oferta dos alimentos que comemos, os produtos que compramos, a energia que usamos e os impostos que pagamos. O nível do mar deve subir no mínimo entre 28 cm e 55 cm até 2100 caso as emissões de gases de efeito estufa sejam significativamente reduzidas. A elevação, no entanto, pode chegar a entre 63 cm e 1 metro se as emissões permanecerem em níveis muito elevados. E não se pode descartar completamente um aumento superior a 2 metros até 2100. Veja a seguir como a elevação do nível do mar já está afetando nosso dia a dia e expondo pontos fracos em tudo, desde o abastecimento de energia até a infraestrutura: 1. Ameaça às culturas alimentares A região britânica dos Fens, que se estende por Lincolnshire, Cambridgeshire e Norfolk, abriga 48% das melhores terras agrícolas da Inglaterra e contribui com mais de 7% da produção agrícola do Reino Unido, incluindo cerca de um terço dos vegetais consumidos na Inglaterra. Grande parte dessa região fica no nível do mar ou abaixo dele, o que a torna especialmente vulnerável a inundações e à contaminação por água salina. A produtividade desta terra depende de uma extensa rede de canais de drenagem, estações de bombeamento e defesas contra inundações. Uma ruptura pode destruir as plantações e deixar o solo hoje produtivo inutilizável por anos. Como os produtos cultivados localmente fornecem apenas cerca de 60% dos alimentos consumidos no Reino Unido, a perda das terras dos Fens, por si só, não esvaziaria as prateleiras dos supermercados britânicos, embora vá aumentar a dependência de importações que, por sua vez, estão expostas à elevação do nível do mar e a outros efeitos das mudanças climáticas. 2. Interrupção no transporte portuário Cerca de 85% do frete internacional do Reino Unido, em peso, e mais de 80% do comércio mundial de mercadorias são transportados por via marítima. Um terminal alagado em Southampton, em Xangai ou em uma ilha do Caribe atrasa o envio de mercadorias com destino a lojas e fábricas no interior do país. Mesmo que um porto não seja diretamente afetado por inundações, pode haver interrupções se a infraestrutura que o conecta ao resto da economia for inundada. Ferrovias, estradas, armazéns, subestações elétricas e redes de distribuição de combustível podem ser afetadas por inundações costeiras. A escassez e os aumentos de preços resultantes teriam sérios efeitos em cadeia para as famílias. 3. Danos ao abastecimento de energia O Reino Unido tem três vezes mais instalações de energia costeiras do que qualquer outro país europeu. Essas instalações incluem refinarias de petróleo, terminais de combustíveis fósseis e de gás natural liquefeito, além de usinas nucleares. A água das enchentes pode inundar equipamentos elétricos, danificar sistemas de controle, interromper o fornecimento de combustível e bloquear as estradas e ferrovias das quais dependem trabalhadores e fornecedores, enquanto a água salgada pode corroer a infraestrutura e complicar os reparos. Danos simultâneos a várias instalações, ou uma interrupção prolongada em um grande terminal de combustível ou na conexão elétrica, poderiam tornar mais difícil manter o abastecimento confiável. Mesmo quando a geração de eletricidade continua, danos a subestações e outras infraestruturas da rede podem impedir que a energia chegue aos consumidores. Isso tem implicações para as contas de energia das famílias, a produção industrial e a confiabilidade do fornecimento de eletricidade. 4. Risco à segurança nacional A infraestrutura de defesa do Reino Unido também está ameaçada pela elevação do nível do mar. Bases navais, estaleiros e outras instalações costeiras estão expostas à elevação do nível do mar e a tempestades, o que pode afetar o acesso, as operações e a infraestrutura necessária para manter a capacidade militar. Manter esses locais em funcionamento nas próximas décadas exigirá medidas que podem incluir a realocação de algumas delas. A elevação do nível do mar também pode tornar o resto do mundo um lugar mais perigoso. O deslocamento populacional impulsionado por pressões climáticas, incluindo a elevação do nível do mar, impõe demandas adicionais à assistência humanitária e à cooperação internacional. Isso também agrava quaisquer pressões políticas e de segurança já existentes em nível nacional. 5. Aumento dos custos Os custos da elevação do nível do mar recaem sobre as pessoas em todo o país. Proteger comunidades vulneráveis, subsidiar seguros contra inundações e realocar comunidades e infraestruturas de áreas que não podem mais ser protegidas exigirá investimentos substanciais. Enquanto isso, a perda de terras agrícolas produtivas poderia elevar os preços dos alimentos, e a interrupção das atividades portuárias e das conexões de transporte poderia tornar os produtos importados mais caros ou mais difíceis de obter. Danos à infraestrutura energética poderiam acarretar custos adicionais para famílias e empresas. O efeito cumulativo seria sentido em todo o país por meio de preços e impostos mais altos e redução dos gastos com outros serviços públicos. E agora? Reduções rápidas nas emissões para manter o aquecimento global em até 1,5°C o mais breve e as mais baixas possíveis são a maneira mais segura de reduzir a taxa e a extensão da elevação do nível do mar, bem como os custos associados à adaptação. Mas as políticas globais atuais devem nos levar a um aquecimento de cerca de 2,8°C. A próxima cúpula climática da ONU, a COP31, que acontece este mês na Turquia, será uma oportunidade para diminuir a lacuna entre o que foi prometido e o que é necessário. O mundo já se aqueceu 1,4°C. Portanto, a elevação contínua do nível do mar é agora inevitável, mesmo com reduções rápidas nas emissões. A adaptação é tão essencial quanto a mitigação. Projetos de defesas marítimas e de infraestrutura precisam ser adaptados de acordo com a elevação do nível do mar. Reduzir as emissões de gases de efeito estufa e melhorar a adaptação costeira ajudarão a determinar a gravidade com que a elevação do nível do mar afetará as pessoas, tanto as que moram no interior quanto próximo à costa. Este texto foi publicado no The Conversation. Clique aqui para ler a versão original.

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