Imagine conseguir "ouvir" um planeta que está a mais de 60 anos-luz da Terra. Foi mais ou menos isso que uma equipe de astrônomos conseguiu fazer. E as aspas em "ouvir" são importantes. Não estamos falando de som viajando pelo espaço e muito menos de uma mensagem enviada por alienígenas. Ondas de rádio são um tipo de radiação eletromagnética, da mesma grande família da luz visível, das micro-ondas e dos raios X. Nossos olhos não conseguem enxergá-las, mas instrumentos chamados radiotelescópios conseguem detectá-las. Então, quando dizemos que os cientistas estão "ouvindo" o Universo, estamos usando uma comparação. O radiotelescópio não funciona como um ouvido e não está captando sons. Ele recebe ondas de rádio e as transforma em sinais que podem ser analisados pelos pesquisadores. O protagonista dessa história é Beta Pictoris b, um exoplaneta, nome dado aos planetas que orbitam outras estrelas além do Sol. Ele está a cerca de 64 anos-luz de nós, tem aproximadamente 12 vezes a massa de Júpiter e leva cerca de 24 anos para completar uma volta ao redor de sua estrela. Astrônomos procuram emissões de rádio produzidas por exoplanetas há décadas. O grande desafio é descobrir se o sinal realmente vem do planeta. Estrelas também produzem ondas de rádio e, a uma distância tão grande, separar a emissão de uma estrela daquela produzida por um planeta próximo dela é muito difícil. Desta vez, pesquisadores utilizaram o MeerKAT, um conjunto de radiotelescópios localizado na África do Sul. Com medições muito precisas, conseguiram determinar de onde a emissão estava chegando. A posição encontrada coincide com Beta Pictoris b, e não com sua estrela. Se o resultado for confirmado, será a primeira vez que uma emissão de rádio é localizada diretamente em um exoplaneta. Mas como um planeta pode produzir ondas de rádio? A provável resposta está em seu campo magnético. Partículas eletricamente carregadas podem ser aceleradas e guiadas pelo campo magnético do planeta. Durante essas interações, parte da energia pode ser liberada na forma de ondas de rádio. Fenômenos parecidos acontecem no nosso Sistema Solar e estão relacionados às auroras. Júpiter, por exemplo, é uma poderosa fonte natural de ondas de rádio. Essas ondas carregam informações valiosas. Pela frequência da emissão, os pesquisadores calculam que o campo magnético na região onde ela foi produzida chega a pelo menos cerca de 1.250 gauss —a unidade de medida que indica a intensidade de um campo magnético. Algumas rajadas também apareceram separadas por aproximadamente oito horas, um intervalo parecido com o tempo que Beta Pictoris b leva para completar uma rotação. O estudo ainda precisa passar pela revisão de outros cientistas, e por isso não é considerado uma descoberta definitivamente confirmada. Mas ele pode abrir uma nova maneira de investigar mundos distantes. Depois de aprender a encontrá-los, medir suas massas, estudar suas atmosferas e até fotografar alguns deles, talvez estejamos começando também a detectar seus sinais de rádio e descobrir, de uma maneira completamente nova, como são os planetas que existem muito além do nosso Sistema Solar. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Cientistas podem ter 'ouvido' um planeta fora do Sistema Solar pela 1� vez
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