Cidade de S�o Paulo tem queda de carros novos, enquanto n�mero de motos e SUVs crescem

Cidade de S�o Paulo tem queda de carros novos, enquanto n�mero de motos e SUVs crescem

O número de emplacamentos de automóveis novos caiu na cidade de São Paulo. Por outro lado, o de motocicletas cresceu e o de SUVs disparou. Dados tabulados pelo Detran-SP (Departamento de Trânsito de São Paulo), a pedido da Folha, mostram que no primeiro semestre deste ano foram emplacados 71.654 automóveis zero-quilômetro no município, contra 76.870 no mesmo período de 2025 —queda de 7%. A quantidade de motos cresceu 5,7% (passou de 51.590 em 2025 para 54.529 no ano passado). Percentualmente, os utilitários tiveram a maior alta, com um salto de 23,7%—de 15.478 para 19.146 unidades. Nessa modalidade há também veículos de carga e fora de estrada, além dos SUVs, segundo o Detran. "Sua estrutura permite diferentes formas de uso, podendo transportar passageiros e carga de acordo com a configuração homologada", afirma o órgão de trânsito sobre a definição de utilitário. Há ainda outros tipos de especificação de veículos de carga, como caminhonetes e camionetas, esses com queda de 12% na cidade de São Paulo entre os semestres comparados. O município vai na contramão do total do estado. Conforme o levantamento do Detran, o emplacamento de veículos novos aumentou 7% em São Paulo. Foram 536.766 veículos zero emplacados entre janeiro e junho, ante 502.082 no mesmo período do ano passado. No geral, entre todos os tipos de veículos, praticamente houve estabilidade no município (redução de apenas 1%) entre os seis primeiros meses de 2025 e 2026. No estado, houve leve alta, de de 0,7%. A estagnação na quantidade de veículos novos nas ruas não significa que o trânsito ficou igual. Em 24 de junho, dia de jogo do Brasil na Copa do Mundo, a cidade registrou 1.690 km de lentidão. A marca foi a maior desde 2019, antes da pandemia. Para Paulo Guimarães, CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária, é preciso lembrar que o mercado nacional de veículos encerrou o primeiro semestre de 2026 com crescimento superior a 16%. Além disso, estatísticas da Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito) mostram que a frota registrada na cidade de São Paulo —veículos de todas as idades— é 4% maior que a de junho de 2025. "Isso reforça a necessidade de analisar o resultado da capital paulista [emplacamentos em 2026] a partir das suas características locais", afirma. Os especialistas ouvidos pela Folha são unânimes em afirmar que o crescimento no número de motocicletas representa deficiência no transporte público. "Há uma má qualidade e isso gera uma insegurança viária brutal", diz Ciro Biderman, diretor do FGV Cidades. Guimarães afirma que parte das pessoas pode estar trocando uma forma de transporte individual por outra. "A motocicleta possui menor custo de aquisição e manutenção, maior facilidade de circulação e ainda pode ser utilizada como instrumento de trabalho." A última edição da Pesquisa Origem e Destino do Metrô, publicada no início do ano passado, mostrou que o número de famílias com motocicletas em casa havia crescido 50% na região metropolitana de São Paulo. O estudo também apontou que pela primeira vez uso de transporte individual tinha ultrapassado o coletivo, principalmente devido a motos e carros de aplicativos. Diogo Lemos, coordenador-executivo da Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global, afirma que os dados refletem uma cidade que troca a mobilidade coletiva pela lógica da entrega rápida e do deslocamento individual vulnerável. "Isso torna o trânsito mais caótico, imprevisível e perigoso para todos." MENOS AUTOMÓVEIS, MAIS SUVS O levantamento mostra que foi a segunda queda seguida no emplacamento de automóveis na cidade de São Paulo nos primeiros semestres. Na comparação entre 2024 e 2025, a diminuição havia sido ainda maior, de aproximadamente 25%. Na outra ponta, a proliferação de SUVs (que na tradução do inglês são utilitários esportivos) importados da China ou de origem chinesa produzidos no Brasil ajudaram a turbinar as estatísticas. Na lista de SUVs registrados como utilitários estão modelos híbridos e elétricos, das marcas BYD, Caoa Chery e GWM, além do Toyota Cross, da montadora japonesa fabricado no Brasil. Exemplos de SUVs de origem chinesa registrados como utilitários Caoa Chery Tiggo 5X Sport Tiggo 5X Pro Tiggo 7 Sport Tiggo 8 Pro BYD Song Plus GS Song Pro GS GWM Haval H6 Fonte: Detran-SP Existem também SUVs registrados como automóveis, dependendo como o chassi é cadastrado pelo fabricante na Senatran. RISCOS NO TRÂNSITO Conforme o Infosiga, sistema estadual que mede a violência no trânsito, com 238 mortes, o primeiro semestre de 2026 foi o segundo mais letal do período desde o início da série histórica, em 2015. "O aumento das motocicletas representa um problema estrutural. A moto não apenas pode atingir um pedestre, como também coloca continuamente o próprio condutor e o passageiro em condição de extrema vulnerabilidade", diz Lemos, da Iniciativa Bloomberg. Sobre os SUVs, o CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária afirma que não há estatísticas suficientes no Brasil para comprovar que o maior número de utilitários nas ruas pode deixar o trânsito mais perigoso. Mas, diz , que o crescimento das vendas desses utilitários esportivos de grande porte, assim como picapes, pode gerar maior risco potencial a pedestres, ciclistas e até mesmo motociclistas. "Esse tipo de veículo tem mais massa e mais áreas de pontos cegos do que os automóveis convencionais."

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