Ciclovia da Faria Lima ganha radar de velocidade em meio a disputa entre bikes, autopropelidos e motos

Ciclovia da Faria Lima ganha radar de velocidade em meio a disputa entre bikes, autopropelidos e motos

Na ciclovia da avenida Brigadeiro Faria Lima, na zona oeste de São Paulo, bicicletas elétricas e convencionais, autopropelidos e até motos vão se acumulando à medida que a manhã avança. É esse fluxo que os painéis instalados ao longo do trajeto tentam medir há um mês. Eles mostram a velocidade de quem passa, mas não registram as duas faixas ao mesmo tempo: o equipamento capta só a faixa que está diante dele, de acordo com a posição em que foi instalado. Em outros pontos da ciclovia, os painéis mudam de lado para acompanhar a circulação. Quem trabalha no entorno vê a rotina de perto. Na barraca de lanche da praça Buritama, ao lado da ciclovia, Benzaliel Araújo, 44, diz que parte dos usuários não respeita os limites de velocidade. Ele conta à Folha que segunda e quarta-feira são os dias mais complicados. Sem o trabalho remoto de parte dos frequentadores, afirma, o fluxo é ainda maior. Por enquanto, esses limites não são fiscalizados. Neste primeiro momento, os painéis têm caráter educativo, diz a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). A companhia afirma que a ciclovia da Faria Lima foi escolhida por concentrar grande fluxo de bicicletas e autopropelidos e por ter largura adequada à instalação dos equipamentos. A medida busca reforçar a velocidade máxima regulamentada para o trecho, em favor da segurança dos usuários, e considera o uso crescente de bicicletas elétricas. A CET afirma ainda ter identificado a circulação de veículos acima da velocidade regulamentada, o que pode aumentar os riscos, principalmente nos cruzamentos. Sobre o futuro dos painéis, a companhia diz que a implantação ocorre gradativamente em outras vias da capital paulista, mas sem especificar quais. Os equipamentos são móveis e serão usados em diferentes locais, conforme a necessidade. Já a eventual aplicação de penalidades e os respectivos procedimentos estão em avaliação, considerando a legislação federal, estadual e municipal vigente. Enquanto isso não está defindo, há quem já tenha adotado por conta própria o cuidado que os painéis buscam estimular. A cozinheira Ivonete Leite, 49, pedala com cautela por medo de sofrer um acidente e mantém a velocidade baixa mesmo quando está atrasada para o trabalho. Anos atrás, sofreu uma queda de bicicleta e desde então ficou mais precavida, sobretudo porque ajuda financeiramente o filho e a neta. Depois das 9h, relata, o movimento aumenta a ponto de dificultar a circulação. "Fica impossível pedalar". Da banca de revistas, Deusmar Coriolano, 71, afirma ter perdido a conta de quantos acidentes presenciou no local. Para ele, a instalação do radar foi necessária, mas a fiscalização perde força quando não há agentes da prefeitura por perto. O risco, na avaliação de Coriolano, não se limita a quem pilota. Segundo ele, pedestres enfrentam dificuldade porque alguns usuários da ciclovia não respeitam a circulação de quem cruza a via. "Tem hora que a gente sente muita dificuldade para atravessar. É muita bicicleta passando ao mesmo tempo. Para quem é mais velho, como eu, fica ainda mais complicado, porque não dá para saber de onde ela vem. É tudo muito rápido." A preocupação com a velocidade ganhou novas regras em agosto deste ano. No dia 14, a gestão de Ricardo Nunes (MDB) estabeleceu limite de 20 km/h para bicicletas elétricas, patinetes e outros equipamentos autopropelidos em ciclovias e ciclofaixas. Em áreas compartilhadas com pedestres, o limite para bicicletas elétricas é de 6 km/h. Na prática, o limite ainda é ultrapassado. Na manhã desta quinta-feira (24), a Folha registrou usuários acima dos 20 km/h. Em um dos casos, a velocidade chegou a 33 km/h. Para parte dos usuários, o equipamento passa quase despercebido. O estudante João Vitor Lima, 26, só notou o radar na última semana, embora circule sempre pelo local. Ele diz que não controla a velocidade ao passar pelo painel, porque o movimento na ciclovia é grande e só tende a aumentar, o que o faz pedalar devagar. "Eu acho que não vai mudar muita coisa".

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