A chuva que caiu sobre o leste da Bélgica nesta segunda-feira (17) deu algum alívio aos bombeiros que tentam conter o maior incêndio florestal já registrado no país. O fogo ameaçava chegar à fronteira com a Alemanha. Neste verão (no hemisfério norte), incêndios florestais têm devastado pontos da Europa. Sucessivas ondas de calor, intensificadas pelas mudanças climáticas, agravam a seca, deixando a vegetação extremamente ressecada. Em todo o continente, estima-se que o fogo destruiu em torno de 576 mil hectares neste ano, segundo dados do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais —uma área equivalente ao dobro do território de Luxemburgo. Mais de 20 mortes relacionadas aos incêndios foram registradas na França, na Espanha e na Grécia. Neste fim de semana, um casal de idosos morreu na Grécia, na ilha de Salamina. Ali, 500 pessoas foram retiradas de balsa depois que o vento empurrou as chamas para áreas residenciais. Na Espanha, bombeiros estabilizaram um enorme incêndio florestal na Andaluzia, no sul do país, que queimou quase 40 mil hectares desde o dia 6 deste mês. Mas no nordeste espanhol, onde um bombeiro morreu neste domingo (16), os focos continuavam fora de controle nesta segunda-feira Na Bélgica, bombeiros, auxiliados pela chuva e por temperaturas mais baixas na manhã desta segunda-feira, conseguiram conter partes do incêndio que atinge High Fens, no leste do país. A reserva natural é atingida por chamas desde sexta-feira (14), em meio a uma onda de calor que fez os termômetros em algumas regiões da Bélgica chegarem a 37 graus Celsius. "Este é o maior desastre ecológico causado por incêndios florestais na Bélgica", afirmou Nicolas Yernaux, porta-voz da administração da região da Valônia. "Não podemos dizer que o incêndio esteja sob controle. As chamas voltam a se intensificar o tempo todo", disse ele à Reuters. Atuam no combate ao fogo cerca de 500 bombeiros de várias partes da Bélgica, da vizinha Alemanha e de Luxemburgo, além de agricultores, soldados e aeronaves de reforço da reserva de emergência da União Europeia. Depois de consumir 3.000 hectares —área equivalente a mais de 4.000 campos de futebol—, o incêndio florestal já é o maior já registrado na Bélgica, superando em muito o de 2011, que queimou em torno de 1.400 hectares. Os moradores retirados da área ainda não foram autorizados a voltar para casa. O fogo atingiu as turfeiras de vários metros de profundidade da reserva natural, o que significa que pode levar meses para ser completamente extinto. Incêndios em turfeiras podem permanecer em combustão lenta no subsolo, sem chamas, por longos períodos. Promotores abriram uma investigação para apurar a causa do incêndio. Na Alemanha, bombeiros trabalhavam nesta segunda para conter uma frente de incêndio a 1,5 km de edifícios no vilarejo de Ruitzhof, que foi esvaziado e fica próximo à fronteira com a Bélgica. Um porta-voz dos bombeiros afirmou que a situação era estável. TEMPORADA DE INCÊNDIOS ESTÁ LONGE DO FIM Nos últimos anos, o risco extremo de incêndios tornou-se parte dos verões europeus. O clima mais quente e seco impulsionado pelas mudanças climáticas se somou a outros fatores —entre os quais o abandono das áreas rurais, que deixou terras sem manejo e permitiu o acúmulo de vegetação seca e inflamável nas florestas—, alimentando incêndios que se espalham rapidamente. Aproximadamente 90% dos incêndios florestais são provocados por atividades humanas, como fogueiras ou cigarros descartados. No ano passado, a Europa teve a pior temporada de incêndios já registrada, com mais de 1 milhão de hectares de terras queimados. Em 2026, alguns países, entre os quais a França, já superaram com folga seus recordes anuais. A tradicional temporada de incêndios, de junho a setembro, ainda está longe de terminar.
Chuva ajuda no combate ao maior inc�ndio florestal j� registrado na B�lgica
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