Chorar, chorar e não parar de chorar. Um mar de lágrimas antes, durante e depois da despedida de Lionel Messi da seleção argentina, naquela terça-feira, 6 de outubro de 2026, que ninguém queria que chegasse: nem Messi, nem Lionel Scaloni, nem seus companheiros, nem sua família, nem os torcedores, nem os jornalistas, nem ninguém no mundo que ama o futebol. Mas chegou. Foram 208 partidas e 126 gols para se tornar bicampeão da América, campeão mundial, duas vezes vice-campeão mundial, campeão da Finalissima e medalha de ouro olímpica. Foram 21 gols em seis Copas do Mundo, oito deles na última... Aos 39 anos! Como não chorar? Numa tarde cinzenta e fria da primavera de Buenos Aires, as pessoas foram chegando várias horas antes da partida ao Estádio Monumental do River Plate, o maior e mais moderno do país, o mesmo —embora diferente— em que a Argentina conquistou, em 1978, o primeiro de seus três títulos mundiais. O que você diria ao Messi? Podiam ser jovens ou não tão jovens, podiam ser homens ou mulheres, podiam ser argentinos, mexicanos, chineses ou brasileiros. Não importava: diante da pergunta, todos reagiam da mesma forma: um suspiro, engolir em seco, começar a falar e, em algum momento, dizer: "Vou começar a chorar". O primeiro tempo da partida também dava vontade de chorar do ponto de vista argentino. Os jogadores do vice-campeão mundial pareciam oprimidos pela emoção, e o único que criava algum perigo era... Messi. Do outro lado, um Benin organizado, com um plano de jogo e a determinação de não ser um mero brinquedo na festa argentina. Será que era possível jogar bem? Não fazia sentido que Messi jogasse bem, já que, antes de chegar à partida, ele chorou no ônibus a caminho do estádio, recebeu um doutorado honoris causa da UBA (Universidade de Buenos Aires) e o cartão de sócio honorário do River Plate. Era um dia profundamente fora do comum. Os jogadores entraram em campo acompanhados por todos os seus filhos, uma imagem incrível que se intensificou quando, nos rostos de todos —jogadores, filhos, Scaloni, espectadores—, começaram a aparecer expressões contorcidas com o único objetivo de não chorar. Não deu certo. Messi se conteve, mas as lágrimas brotaram dos olhos de Scaloni. E de algumas das crianças também. Não era uma noite normal; por isso, a partida foi interrompida aos 10 minutos para que todo o estádio, seus companheiros e seus adversários, prestassem homenagem e abraçassem o "10". Messi, emocionado, não esperava por isso. A noite se encheu de fogos de artifício e fumaça. O segundo tempo mudou a Argentina, que percebeu que Messi deveria partir com sorrisos, além das lágrimas. Escanteio perfeito de Messi para que Nicolás Otamendi se despedisse da seleção com um gol, passe de Messi para um golaço de Nico Paz e pênalti de Messi para seu 126º gol pela seleção. Lionel Messi serviria o quarto gol para Leonel Flores, que nasceu um ano e meio depois de sua estreia em 2005 na seleção, mas o jogador do Boca demorou uma eternidade para chutar. "Como vamos sentir sua falta, meu Deus!", dizia emocionado Pablo Giralt, comentarista da transmissão televisiva, antes de acrescentar: "Queremos que a partida seja infinita". A partida, não, terminou com uma vitória da Argentina por 3 a 0, mas Messi já é infinito. E eterno na memória de todos aqueles que tiveram o privilégio de vê-lo jogar. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Chorar, chorar e n�o parar de chorar
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