China reage a armas de controle espacial dos EUA; entenda o que s�o

China reage a armas de controle espacial dos EUA; entenda o que s�o

Esta é a edição da newsletter China, terra do meio desta terça-feira (15). Quer recebê-la toda semana no seu email? Inscreva-se abaixo: China, terra do meio Receba no seu email os grandes temas da China explicados e contextualizados O secretário da Força Aérea dos EUA, Troy Meink, confirmou na segunda (14) que a Força Espacial "tem agora armas de controle espacial em órbita". É a primeira vez que uma autoridade americana admite a existência desse tipo de armamento. Ele não detalhou, porém, quantas são e desde quando estão lá. Mas afinal, que armas são essas? Equipamentos capazes de destruir satélites inimigos, impedindo que adversários como a Rússia e a China usem sua estrutura espacial para guiar mísseis, conectar tropas, detectar lançamentos nucleares ou fotografar bases inimigas. O comunicado da Força Espacial que se seguiu mencionou "meios para atingir satélites adversários com ou sem destruição física, para ataque e defesa", e cita justamente Pequim e Moscou como ameaças. Segundo a defesa americana, as forças Armadas chinesas dispõem de mísseis antissatélite, lasers terrestres, bloqueadores de sinal e satélites capazes de manobrar ao redor de outros. Em 2024, cinco satélites experimentais chineses fizeram manobras sincronizadas em órbita baixa que a Força Espacial comparou a um "combate aéreo". A afirmação foi questionada por especialistas, já que manobras do tipo também servem a testes de manutenção ou simplesmente para fotografar. No ano passado, outros dois (Shijian-21 e Shijian-25) se acoplaram a 36 mil km da Terra em uma manobra de reabastecimento lida como ameaça militar. A declaração de Meink vinha sendo preparada há meses, segundo relatos na imprensa dos EUA. A China reagiu ao assunto com o porta-voz da chancelaria, Guo Jiakun, pedindo nesta terça que Washington "pare de ampliar suas capacidades militares e de se preparar para a guerra no espaço". O Kremlin também defendeu uma órbita "sem armas de nenhum tipo". O Tratado do Espaço Sideral, de 1967, proíbe apenas armas nucleares e de destruição em massa em órbita, mas não impede um bloqueador de sinal ou um satélite armado. China e Rússia pedem desde 2008 um texto mais amplo que Washington rejeita por considerá-lo impossível de verificar. Por que importa: Sem regras nem canal próprio de crise, o risco é de que estratégias do tipo resultem em escalada por erro de leitura. Um bloqueio no espaço interpretado em Pequim ou em Washington como primeiro passo de um ataque maior ou sabotagem à infraestrutura civil, por exemplo, poderia rapidamente desencadear um conflito armado um conflito armado. Mas há muitas dúvidas sobre o quão maduras estão essas tecnologias, já que um ataque que estilhaça o alvo deixaria detritos em órbitas usadas pelos próprios EUA, algo que o Pentágono diz querer evitar. pare para ver A deusa da lua chinesa Chang'e, retratada pelo pintor sichuanês Yan Jiyuan. O trabalho foi arrematado em um leilão de Chongqing em 2011 por uma soma de quase US$1,5 milhões à época. o que também importa ★ Começaram a valer as novas regras migratórias chinesas que permitem barrar a saída de cidadãos vistos como ameaça à segurança tecnológica nacional. Anunciadas em julho, as normas miram violações de controles de exportação e de regras sobre comércio de tecnologia. Quem cometer no exterior atos ilegais contra a segurança nacional pode ser proibido de deixar o país por seis meses a três anos. Estrangeiros que mentirem em pedidos de visto podem ter a entrada vetada por até cinco anos. Taiwan pediu cautela a seus cidadãos, sobretudo aos do setor de tecnologia, já que Pequim os considera chineses. A China rejeita as críticas e diz que as regras dão mais proteção legal aos taiwaneses. ★ O ex-chefe da agência reguladora de alimentos e medicamentos da China, Bi Jingquan, foi condenado a 14 anos de prisão por corrupção. Segundo o tribunal de Jinan, Bi recebeu 57,42 milhões de yuans (cerca de R$44 milhões) em propinas entre 1995 e 2025. Em troca, teria ajudado empresas a obter aprovações, negócios e pagamentos de projetos. A pena foi reduzida porque Bi confessou, revelando crimes desconhecidos dos investigadores e devolvendo todo o dinheiro acumulado. Ele pagará multa de 5 milhões de yuans (R$3,83 milhões). ★ O jornal estatal chinês Global Times acusou o CEO da Anthropic de usar uma "cartilha da Guerra Fria" contra a China. Em ensaio publicado no sábado, Dario Amodei propôs desacelerar o desenvolvimento de modelos de IA de fronteira para lidar com riscos de segurança. Endossado por Sam Altman e Elon Musk, o texto defende controles mais rígidos de exportação de chips para a China e acusa laboratórios chineses de destilação (técnica que permite "roubar" o treinamento de uma IA já estabelecida). Para o jornal, o objetivo real é conter a IA chinesa e excluir Pequim da governança global do setor. fique de olho A China rejeitou nesta terça (15) a reivindicação das Filipinas sobre os recifes Mischief e Subi e a ilha Thitu, no arquipélago das Spratly, no Mar do Sul da China. A troca de farpas começou em 7 de setembro, quando forças chinesas nos dois recifes dispararam sinalizadores contra um avião desarmado da Guarda Costeira filipina que seguia para Thitu. Pequim afirma que a aeronave entrou sem autorização em seu espaço aéreo e que a resposta foi profissional e contida. Na sexta (11), o governo filipino exigiu o fim da ocupação chinesa dos recifes. Manila se apoia em uma sentença arbitral de 2016, ignorada por Pequim, segundo a qual as duas formações ficam submersas na maré alta e não podem ser alvo de soberania. A Guarda Costeira filipina também relatou um número considerável de barcos da milícia marítima chinesa abrigados nas lagoas dos dois recifes. A China transformou os dois recifes em ilhas artificiais na última década. Em Mischief, a base militar tem porto e pista de pouso de 2,6 km. O porta-voz da chancelaria chinesa Guo Jiakun disse que o país seguirá adotando "medidas firmes para defender sua soberania". Por que importa: A novidade não está nos sinalizadores, que a China já usou contra aviões filipinos em outras ocasiões, e sim na resposta jurídica dos dois lados. Manila passou a reivindicar soberania sobre Subi com base na Lei de Zonas Marítimas, de 2024, que situa o recife no mar territorial de Thitu. Pequim respondeu incluindo a própria Thitu, habitada por civis filipinos, entre as ilhas que considera suas. A principal questão aqui é que o endurecimento nas reações e respostas de ambos os lados vem reduzindo a margem para o código de conduta que a Asean, presidida por Manila neste ano, tenta fechar com Pequim. Também aumenta a chance de o tratado de defesa mútua com os EUA ser acionado a partir de um confronto que começou como mais um episódio de rotina, já que Washington se comprometeu formalmente a defender as Filipinas em caso de ataque estrangeiro. para ir a fundo O Teatro Arena da Unicamp realiza nesta sexta (18) o Festival da Lua, tradicional festa chinesa que celebra o período da colheita no outono do hemisfério norte. O evento vai contar com oficinas culturais e oportunidade de aprender a confeccionar lanternas típicas. Mais informações aqui. O Instituto CPFL recebe até o dia 20 de outubro a exposição imersiva "A Grande Muralha da China". A experiência combina cenografia, projeções, instalações artísticas e recursos interativos para contar a trajetória do monumento desde suas origens até os dias atuais. Interessados podem visitar a sede do instituto em Campinas de segunda a sexta, das 8h às 17h; sábados, das 10:00 às 16:00. Estão abertas as inscrições para o X Seminário "Pesquisar a China Contemporânea". O evento vai reunir pós-graduandos e jovens pesquisadores dedicados aos Estudos sobre a China na edição que neste ano acontece na Unicamp no fim de setembro. Saiba mais aqui.

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