Chicago: o que fazer na cidade que se reconstruiu para o alto

Chicago: o que fazer na cidade que se reconstruiu para o alto

Em outubro de 1871, Chicago ficou 30 horas em chamas. Resultado: 17 mil prédios pegaram fogo na cidade que era quase inteira construída de madeira. Dois dias depois, o jornal Chicago Tribune publicou uma edição convocando os sobreviventes a uma reconstrução, enquanto as casas ainda fumegavam. Essa é uma das histórias que você vai ouvir no tour arquitetônico de Chicago, no qual um barco navega pelo rio que corta a cidade enquanto narra os detalhes dos lugares construídos depois que tudo virou uma página em branco. Dia 1 O tour de barco deve ser o seu primeiro passeio a ser , logo pela manhã, assim que acordar na grande metrópole do estado de Illinois. Você vai descobrir que o prédio dos joalheiros, de 1926, tinha elevador para automóveis —e que os joalheiros nunca apareceram. O guia (sempre um professor voluntário) vai contar que para parar de despejar esgoto no Lago Michigan, de onde vinha a água potável, foi necessário inverter o sistema de engenharia para mudar o sentido do rio. O passeio custa US$ 58 (R$ 299). Saindo dali, almoce no Mr. Beef on Orleans. É o restaurante onde foi filmada a primeira temporada de "O Urso" —e uma das pouquíssimas referências físicas da série na cidade. Só aceita dinheiro, é apertado e tem filas enormes. No dia da visita da reportagem, a fritadeira e a chapa também não funcionavam. Só servia o clássico italian beef, por US$ 10 (R$ 51). Você retira o sanduíche no balcão e vai para os fundos comer numa espécie de cantina com todos os outros clientes. Cenário familiar para quem acompanhou as quatro temporadas da produção premiada. Para os fãs, é a melhor comida do mundo. Chicago aparenta ligar pouco para os seus cenários de filme. De "Curtindo a Vida Adoidado", o clássico de 1986, há pouca referência. No máximo o guia do tour de barco vai apontar para o prédio em que pai do personagem Ferris Bueller trabalhava. Mas quem viu o filme vai lembrar do Instituto de Arte (US$ 32, ou R$164, a entrada). Com dois leões de bronze na fachada, e dezenas de salas, tem um dos maiores acervos de impressionismo e pós-impressionismo fora da Europa. Nas paredes, há o autorretrato de Vincent Van Gogh, pintado em Paris, e a segunda das três versões de "O Quarto", feita em 1889, enquanto ele estava internado. Há ainda as pilhas de trigo de Monet, que lançaram sua carreira, em 1891, e "O Velho Guitarrista", de Picasso. Além do quadro que os amigos de Ferris encaram no filme, vale conferir "Uma Tarde de Domingo na Ilha de Grande Jatte", de Seurat. Trata-se daquela obra que Cameron fica encarando até a imagem se desmanchar em pontinhos. Dá para ficar tranquilamente umas três ou quatro horas lá dentro, em salas menos movimentadas, enquanto se pode observar cerâmicas e telas japonesas, encomendadas nos anos 1990. À noite, blues. Chicago é onde o ritmo surgido na parte rural do Mississippi virou elétrico, nos anos 1940 e 1950, levado pelos negros que migraram do sul. O endereço histórico é a Chess Records, que passa por uma reestruturação e tem visitas guiadas ocasionalmente. Para ouvir hoje, existem duas opções: o Buddy Guy's Legends, com música toda noite e sessões acústicas de graça no almoço e no jantar; e o Kingston Mines, aberto desde 1968 e o mais antigo em funcionamento contínuo na cidade. Dia 2 Comece caminhando pelo Grant Park. É onde acontece o Lollapalooza, mas no resto do ano é um parque como qualquer outro, usado pelos moradores para fugir do clima corporativo, comum em uma das regiões mais agitadas dos Estados Unidos. Ao norte fica o Millennium Park, e nele o Cloud Gate —o Bean, a escultura espelhada de Anish Kapoor, inaugurada em 2004, e que virou um de seus maiores cartões postais. Trata-se de uma imensa obra espalheda, em forma de feijão, que lhe garantiu o apelido pelo qual é conhecida. Em qualquer caminhada por Chicago, não se esqueça de olhar para cima. Se você fez o passeio de barco, vai reconhecer os prédios de perto e entender o que está vendo. Repare nos detalhes que o guia apontou, como a verticalidade do estilo art déco, ou os arranha-céus que refletem a curva do rio. Imponentes, as construções contribuíram para que Chicago ganhasse o apelido de cidade do vento, funcionando como uma parede e centralizando a passagem do ar pelos corredores. A sensação térmica quase sempre será menor do que a temperatura registrada. Pela tarde, o museu de história natural Field Museum abriga cerca de 40 milhões de itens no acervo (a entrada custa US$ 30, ou cer a$154). A estrela é Sue, o tiranossauro mais completo já encontrado. No espaço em que seu fóssil se encontra há uma apresentação com luzes, que vai especificando partes de sua ossada para os curiosos entenderem melhor cada pedaço do bicho pré-histórico. A maior diferença para outros museus de história natural é a quantidade de espécies de ursos expostas, um animal mascote da cidade. Do Field Museum dá para ir a pé até o Soldier Field. Os moradores são obcecados por esporte, e isso é parte obrigatória de uma visita. O Chicago Fire, time de futebol, joga lá, e desde junho a equipe conta com Robert Lewandowski, um dos maiores atletas deste século. No futebol que se joga com as mãos, o Chicago Bears se apresenta no estádio desde 1971. É fácil ver nas ruas pessoas com o boné da equipe. Se preferir a quadra, o Chicago Bulls joga no United Center, mas os ingressos são bem mais disputados. É mais fácil ir em um jogo de beisebol, jpa que são 162 jogos no estado todo ano. O Cubs joga no Wrigley Field, e o White Sox no Rate Field. Dia 3 No café da manhã, há duas opções. A Starbucks Reserve Roastery da Michigan Avenue é a maior do mundo —são cinco andares de café, bar e drinques que não existem em outras unidades. Ou o brunch no Girl & The Goat, da chef Stephanie Izard, um dos restaurantes que servem de referência para a fase mais ambiciosa do restaurante fictício de "O Urso". Na primeira opção, a entrada é mais democrática. O segundo dos quatro andares do Starbucks gigante é cheio a qualquer hora do dia, por servir comida e café. O melhor é retirar o pedido e subir até o quarto andar, onde se preparam os drinques e que fica mais deserto pela manhã. Na opção mais sofisticada, recomenda-se reservar com antecedência. Os pratos saem em torno de US$ 25 (R$ 125). Peça um carro de aplicativo até o Skydeck Chicago. No 103º andar da Willis Tower, a412 metros de altura, fica o observatório mais alto dos Estados Unidos, com vista para todos os quatro cantos do mapa. Em um dia ensolarado, dá pra vislumbrar até o estado vizinho, Michigan. No térreo existe um rápido museu interativo sobre a cidade, o incêndio, a arquitetura, os bairros e a sua comida típica. Eis um bom momento para conferir se realmente conseguiu conhecer as principais atrações nesses três dias de viagem. A estrada custa US$ 32 (R$164). O Sifr, restaurante de comida mediterrânea que ganhou sua primeira estrela Michelin, é uma das opções para seu último jantar na metrópole. Se der sorte, você pode ser atendido por Bojana, garçonete que arranha um português devido a um ex-namorado piauiense. Termine onde começou. De volta ao rio, uma caminhada curta leva ao Merchandise Mart. Todas as noites, a fachada do local vira uma tela: o Art on the Mart projeta um vídeo sobre o prédio inteiro, com 34 projetores. É a maior projeção permanente de arte digital do mundo. É de graça, e no verão começa às 21h. Tente assistir ao espetáculo do Riverwalk, e depois caminhe pela beira do rio sem pressa. Os prédios que você aprendeu a reconhecer na luz natural, pela noite ganham outro contraste, e a água devolve tudo em reflexo.

Original Source

Read the full article at Www1 →

KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.