Cerca de cem pessoas morreram durante a travessia em massa da fronteira entre Marrocos e Ceuta, exclave espanhol no norte da África, segundo Juan Jesus Vivas, presidente da cidade autônoma. Vivas fez um novo balanço sobre a crise migratória nesta quinta-feira (6), durante reunião parlamentar da União Europeia. Cerca de 72 mil migrantes entraram em Ceuta a nado ou a pé na semana passada, em um dos maiores movimentos desse tipo rumo ao território da UE nos últimos anos. As autoridades estimam que entre 3.000 e 5.000 migrantes permanecem no exclave, conforme Vivas. "As forças de segurança não foram mobilizadas com a intensidade exigida pela situação que ainda enfrentamos", disse o presidente da cidade a parlamentares em Bruxelas. Os serviços de imigração, segundo ele, também não foram reforçados o bastante para lidar com as recusas de entrada na fronteira. Vivas afirmou ainda que o Marrocos não é um país confiável. Para ele, a responsabilidade pela única fronteira terrestre da Europa com o continente africano precisa ser supervisionada pela própria Europa, e não pelo país vizinho. Já o comissário europeu para Migração, Magnus Brunner, disse que o bloco deve usar todos os meios de pressão à disposição, incluindo política de vistos e comércio, para garantir a cooperação marroquina em matéria migratória. "Uma lição muito importante de Ceuta é que, para termos controle, precisamos cooperar com nossos vizinhos, é claro", afirmou Brunner na mesma reunião. "Mas, enquanto esse controle depender da boa vontade de um único país vizinho, continuaremos vulneráveis." Segundo o comissário, a UE precisa reforçar a cooperação com países terceiros em matéria de devolução e readmissão de migrantes, além de usar todas as ferramentas disponíveis para garantir parcerias eficazes. A União Europeia tem recorrido cada vez mais a acordos com países do norte da África para conter a migração irregular. O bloco oferece apoio financeiro e outros incentivos em troca de controles fronteiriços mais rígidos e de cooperação nas devoluções de migrantes. Críticos afirmam que a estratégia deixa a UE exposta à pressão de países de trânsito. Esses países, segundo eles, podem flexibilizar, ou ameaçar flexibilizar, os controles migratórios em busca de concessões políticas ou econômicas. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo
Cerca de cem migrantes morreram em travessia a Ceuta, diz l�der do exclave
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