Londres |Financial Times A remuneração de Richard Houston, CEO da Deloitte, subiu quase pela metade, para 7,1 milhões de libras (R$ 47,2 milhões) no ano passado, após a firma de contabilidade do grupo das Big Four cortar empregos e reduzir a parcela dos lucros destinada aos novos sócios. Houston, que comandava as operações da empresa no Reino Unido antes de ser promovido em junho, recebeu 5,8 milhões de libras (R$ 38,5 milhões) em participação nos lucros nos 12 meses até maio de 2026, segundo documentos corporativos. Houston passou a comandar uma estrutura que reúne operações da Deloitte em 80 países - Ina Fassbender - 20.jan.26/AFP Ele também recebeu uma bonificação de 1,3 milhão de libras (R$ 8,65 milhões) por um plano de incentivos vinculado a metas estratégicas e financeiras, em reconhecimento ao trabalho realizado nas operações mais amplas da empresa na Europa. O pagamento elevado ocorreu depois que a Deloitte cortou 1.000 postos de trabalho no Reino Unido no ano passado e reduziu o número de cotas concedidas aos novos sócios com participação acionária, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. Desde junho deste ano, Houston passou a comandar uma nova estrutura responsável pelas operações da Deloitte em 80 países, após liderar uma ambiciosa reorganização da empresa. O pagamento de 7,1 milhões de libras (R$ 47,2 milhões) fez de Houston, que chefiou a Deloitte no Reino Unido de 2019 em diante, o executivo mais bem remunerado das Big Four no país. Marco Amitrano, que lidera as operações da PwC no Reino Unido e no Oriente Médio e tem poder de decisão em toda a Europa, recebeu 4,8 milhões de libras (R$ 35,2 milhões) nos 12 meses até junho de 2026, por exemplo. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisões A remuneração elevada de Houston no ano passado se deveu, em parte, à sua posição à frente de um grupo de cerca de 30 firmas nacionais da Deloitte na Europa e no Oriente Médio. Essa estrutura era uma versão anterior, menor e com coordenação menos centralizada, do modelo que passou a abranger 80 países, segundo uma pessoa próxima à empresa. O aumento fez com que a remuneração de Houston equivalesse a 93 vezes o salário mediano dos funcionários da Deloitte no Reino Unido no ano fiscal mais recente, ante 65 vezes no período anterior e 35 vezes em 2021. Ele recebeu 2,9 milhões de libras (R$ 19,3 milhões) em 2021 e 4,9 milhões de libras (R$ 32,6 milhões) em 2025. O pagamento coloca Houston entre os consultores mais bem remunerados do mundo. O diretor mais bem pago da Deloitte Global, entidade internacional que fica acima de todas as firmas nacionais integrantes do grupo, recebeu pouco menos de 9 milhões de libras (R$ 59,9 milhões) em 2025. O aumento de 45% na remuneração de Houston no ano fiscal de 2025-2026 ocorreu enquanto a receita da Deloitte no Reino Unido e na Suíça avançou apenas 2%, para 5,81 bilhões de euros (R$ 32,4 bilhões). O lucro, por sua vez, cresceu 14%, para 899 milhões de libras (R$ 5,98 bilhões). O aumento também veio após uma revisão da estrutura societária da Deloitte no Reino Unido, batizada internamente de Projeto Maple, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. A reformulação buscava reequilibrar a relação entre os sócios tradicionais com participação acionária, que compartilham a propriedade e os lucros da empresa, e o número crescente de sócios assalariados, que recebem o título de sócio sem deter uma participação no negócio. Tradicionalmente, os novos sócios da Deloitte recebiam 100 unidades, ou cotas, número que poderia aumentar com o tempo. Essa quantidade foi reduzida para 80 unidades, disseram duas pessoas familiarizadas com o assunto. O valor de cada unidade, que varia conforme o lucro da empresa, é usado em conjunto com o desempenho individual para calcular a remuneração de cada sócio. Segundo um executivo, a firma de contabilidade pretendia transformar mais sócios assalariados —que têm o título de sócio, mas continuam sendo funcionários e não possuem participação acionária na empresa— em sócios com participação nos lucros. Outra pessoa próxima à empresa afirmou que as mudanças garantiriam que a maioria dos sócios passasse a ter participação acionária no negócio. A medida ocorre após um período em que as Big Four recorreram cada vez mais à criação de cargos de sócios assalariados como forma de promover funcionários seniores sem ampliar o grupo com direito a uma parcela dos lucros. As mudanças na Deloitte, onde os sócios com participação acionária agora representam quase 60% do total de sócios, ante cerca de 54% em 2025, buscavam tranquilizar os sócios assalariados de que não haviam chegado a um impasse na carreira e ainda poderiam ingressar no grupo com participação acionária, disse um segundo executivo da empresa. A distinção entre as duas categorias tem sido motivo de tensão entre as firmas. A KPMG e a EY chegaram a retirar a participação acionária de alguns sócios, deixando uma parcela maior dos lucros para ser dividida entre os sócios restantes ou os recém-promovidos. A estrutura societária foi um dos "grandes temas" nas eleições realizadas neste ano para escolher o substituto de Houston no comando da Deloitte no Reino Unido, afirmou um sócio. "O grupo de sócios assalariados se tornou uma camada enorme e inchada, na qual muita gente ficava estacionada. Esses sócios assalariados estavam sempre muito insatisfeitos. Eles se viam como sócios com participação acionária que nunca conseguiram chegar lá", disse um ex-executivo. A Deloitte se recusou a comentar.
CEO da Deloitte recebe aumento de 45% enquanto firma corta vagas
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