The New York Times Roger Lynch, CEO da Condé Nast, que esteve à frente da empresa durante um período conturbado para a casa de marcas icônicas como Vogue e Vanity Fair, surpreendeu o mundo editorial nesta quarta-feira (30) ao anunciar sua saída da companhia. Em um memorando interno, Lynch disse que deixaria a empresa após mais de sete anos para assumir os cargos de presidente do conselho e CEO da fabricante de brinquedos Mattel, que busca ampliar sua presença no mundo do entretenimento. Steven Newhouse, copresidente da Advance Publications, controladora da Condé, disse ter sido informado da saída de Lynch apenas dois dias antes e afirmou que ele deixa a empresa "em ótima situação". Roger Lynch durante conferência sobre economia em Washington - Saul Loeb - 16.abr.26/AFP O conselho da Condé iniciará a busca pelo próximo CEO. Mike Perlis, principal conselheiro independente e ex-CEO da Forbes Media, assumirá interinamente o cargo. Lynch, de 63 anos, assumiu o comando da Condé em 2019, quando a empresa enfrentava dificuldades financeiras, com prejuízos anuais superiores a US$ 100 milhões. Ele supervisionou um período de profundas mudanças —incluindo várias rodadas de demissões— enquanto tentava reduzir a dependência da mídia impressa e direcionar mais o negócio para eventos e vídeos. "Juntos, atravessamos uma pandemia, enormes transformações em todo o nosso setor e um cenário de mídia que parecia mudar sob nossos pés a cada ano", escreveu. O próximo líder da Condé terá de lidar com as mudanças provocadas pela inteligência artificial, que já reduziu drasticamente o tráfego enviado pelos mecanismos de busca às publicações on-line e alterou a maneira como o público consome conteúdo. O novo chefe talvez também tenha de enfrentar a saída de Anna Wintour, diretora global de conteúdo da Condé, que, aos 76 anos, continua exercendo uma influência imensurável no mundo da moda."Não posso dizer que não haja desafios, mas, se eu tivesse de escolher um momento nos últimos sete anos, desde que Roger chegou, para que uma transição desse tipo acontecesse, escolheria agora", disse Newhouse em entrevista. No início de sua gestão, Lynch ficou encarregado da fusão entre a Condé Nast e sua empresa-irmã, a Condé Nast International, duas companhias que antes operavam separadamente. Ele trabalhou ao lado de Wintour, que se concentrou em transformar as principais publicações da empresa em marcas globais. A Condé passou por sucessivas rodadas de cortes de custos enquanto tentava se adaptar às mudanças no comportamento do público e à queda da publicidade. Em 2023, a empresa reduziu o quadro de funcionários em 5% e recuou em seu plano de ampliar um estúdio interno de produção de vídeos, que esperava transformar em um lucrativo canal de conteúdo para Hollywood. No ano passado, a empresa realizou mais demissões e incorporou a Teen Vogue à Vogue. Em abril, a revista Self foi encerrada e três edições internacionais da Glamour foram fechadas, enquanto a operação nos Estados Unidos foi reduzida para se concentrar nas redes sociais. Neste ano, a empresa teve de pagar mais de US$ 400 mil a três jornalistas demitidos depois de confrontarem a chefe de recursos humanos sobre a continuidade das demissões. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisõesLynch destacou outros indicadores em seu memorando de despedida. Ressaltou que, desde 2020, a receita da empresa com eventos havia crescido nove vezes e a receita com assinaturas digitais aumentara 155%. Também mencionou as novas operações no Oriente Médio, com um escritório em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e um novo produto digital chamado Vette, marketplace de compras voltado a criadores de conteúdo. A receita proveniente de iniciativas como a Vette, junto com as comissões que a Condé recebe quando as pessoas clicam em links presentes em avaliações e guias de compras, também cresceu. Lynch disse estar orgulhoso da expansão dos negócios da empresa voltados a consumidores e eventos e afirmou que a companhia estava a caminho de registrar, neste ano, "mais um ano de crescimento da receita e do lucro". No início deste ano, ele disse que a empresa havia acumulado quatro anos de lucratividade desde 2020. Lynch permanecerá no conselho da Condé e ajudará na transição da liderança. Em comunicado divulgado nesta quarta, a Mattel informou que Lynch assumiria a presidência do conselho a partir de sexta-feira (2) e o cargo de CEO "a partir de 2 de novembro ou antes", sucedendo Ynon Kreiz. Mais tarde, nesta quarta, Kreiz foi nomeado co-CEO da Warner Bros. Discovery e da Paramount, enquanto as duas empresas se unem. Mais conhecida por fabricar brinquedos como Hot Wheels e Barbie, a Mattel tem trabalhado nos últimos anos para levar suas marcas ao cinema, à televisão e aos jogos. A empresa obteve sucesso com o filme "Barbie", um êxito mundial de bilheteria. Sua tentativa seguinte, "Mestres do Universo", foi um fracasso nos cinemas, mas ganhou nova vida no streaming. A Mattel tem mais de uma dezena de projetos em desenvolvimento, incluindo um filme baseado nos carrinhos Matchbox que será lançado diretamente no streaming.
CEO da Cond� Nast deixa empresa para comandar a Mattel
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