Casos de sexismo e ass�dio sexual afastam mulheres do Ex�rcito alem�o

Casos de sexismo e ass�dio sexual afastam mulheres do Ex�rcito alem�o

O Exército alemão está precisando de mulheres, mas elas não querem se alistar. Pelo menos não em número suficiente. "Não", "Nem pensar", "Não consigo me imaginar entrando agora", dizem alemãs. Mas o que afasta essas jovens das Forças Armadas? Um dos motivos é a cultura sexista do Exército. "Há muitos colegas homens que são respeitosos e bons colegas. Mas, claro, há casos de assédio sexual e sexismo. Outras formas de discriminação também acontecem. E, durante muitos anos, o ministério não levou isso suficientemente a sério", afirma Sara Nanni, deputada do Parlamento alemão. Segundo o Ministério da Defesa alemão, isso está mudando. E agora existe tolerância zero para assédio sexual. Foi criado um canal anônimo para denúncias e um estudo nacional está sendo realizado para descobrir quantos casos não são reportados. Só que a imagem de um "clube do bolinha" ainda persiste. Um segundo problema é a falta de representatividade. Faz só 25 anos que as mulheres alemãs podem atuar em funções de combate. E elas ainda estão concentradas principalmente em áreas de apoio e saúde. Nas unidades de combate, as mulheres compõem apenas cerca de 10% do efetivo. "Se você não conhece nenhuma mulher que tenha servido no Exército alemão, de certa forma fica difícil, ou mais difícil, se imaginar fazendo o mesmo trabalho. Um terceiro motivo é a vontade de constituir família", diz a oficial da reserva Kerry Hoppe. Muitas mulheres deixam as Forças Armadas quando decidem ter filhos. O Ministério da Defesa afirma que está melhorando o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Isso com oferta de assistência para cuidados infantis e possibilidade de trabalho em regime parcial. Mas a prontidão operacional ainda continua sendo prioridade. "Para as Forças Armadas, é especialmente difícil conciliar a vida familiar com o serviço militar", afirma a deputada Nanni. Mas por que o Exército alemão está preocupado em atrair mais recrutas, inclusive mulheres? É que a Alemanha prometeu para a Otan ter 260 mil soldados na ativa até meados de 2030. Hoje, o país conta com cerca de 185 mil militares, e apenas 13,7% são mulheres. Esses números estão aumentando, só que não de maneira rápida. E, quando comparamos com outros países da Otan, a média da participação feminina em exércitos é ligeiramente mais alta que a alemã. Alguns países da aliança até chegaram a adotar o serviço militar obrigatório para homens e mulheres – o que não acontece na Alemanha. "Se houvesse tantas mulheres quanto homens querendo ingressar nas Forças Armadas, nem estaríamos falando de problemas de falta de pessoal", diz Nanni.

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