O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se enfrentaram nesta sexta-feira (23) no debate da TV Globo, o último antes do segundo turno. Mediado por César Tralli, o programa teve três blocos com temas definidos e um bloco de tema livre. As propostas, citadas genericamente, dividiram espaço com ataques pessoais. No terceiro bloco, Lula levou ao debate o caso de Ana Clara, menina de 5 anos morta por um tiro de fuzil em 2021, cuja mãe estava no estúdio. Flávio integrou a defesa do policial militar acusado do crime e, ao responder, chamou a mãe pelo nome da filha. "Ana Clara, eu quero falar para a senhora, prestar de verdade a minha solidariedade. Foi uma tragédia o que aconteceu. Não consigo imaginar o que é perder uma filhinha de 5 anos de idade. Eu tenho uma filha de 14 e uma filha de 12", disse o senador. No segundo bloco, Flávio já havia pedido desculpas por ter dito que Lula dá com uma mão e tira "com os nove dedos". O presidente afirmou que perdeu o dedo trabalhando, aos 17 anos, e chamou o senador de grã-fino e de miliciano, acusação esta que repetiu nas considerações finais. Ao longo do programa, Lula tentou apresentar o adversário como despreparado e associá-lo à gestão de Jair Bolsonaro (PL) na pandemia. Flávio concentrou as críticas ao adversário abordando o custo de vida e o endividamento das famílias. No bloco livre, os dois trocaram acusações sobre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master. Segundo o Datafolha divulgado na quinta-feira (22), os dois estão empatados, com 50% dos votos válidos cada um, em que são excluídos brancos, nulos e indecisos. Relembre abaixo alguns dos principais momentos do encontro: Ana Clara Ao responder a uma pergunta de Flávio sobre retomada de territórios, Lula voltou a citar o caso de Ana Clara, menina de cinco anos morta por um tiro de fuzil em Niterói, em 2021. A mãe da menina assistia da plateia. Flávio integrou, quando já era senador, a defesa do policial militar acusado do crime, que ainda não foi julgado. O senador se dirigiu à mãe de Ana Clara chamando-a pelo nome da filha e dizendo prestar solidariedade pela perda. "Eu tenho a confiança que não foi esse policial", disse. Lula respondeu citando discursos de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio já usados na propaganda de TV do presidente nos quais o filho de Jair Bolsoanro relativiza os problemas causados pelas milícias no Rio de Janeiro. Nove dedos O presidente reagiu a uma fala do primeiro bloco em que Flávio disse que Lula dá com uma mão e tira com "os nove dedos". "Se tem alguém que perdeu o dedo com 17 anos, fui eu", afirmou, acrescentando que milhões de trabalhadores se acidentam por irresponsabilidade patronal. Na mesma fala, chamou o adversário de miliciano. Flávio pediu desculpas pela expressão e, em seguida, perguntou se Lula pediria desculpas aos moradores de rua, às vítimas de violência e aos endividados. O presidente respondeu que quem deve pedir desculpas ao país é a elite. Antes de cobrar as desculpas, Lula abriu o segundo bloco perguntando por que Flávio foi o único deputado estadual do Rio a votar contra a ampliação da licença-maternidade. O senador disse que, na época, acreditava que a medida poderia dificultar a contratação de mulheres. "E eu tava errado", afirmou. Eleições Hoje Receba no seu email destaques das campanhas, pesquisas e disputas nos estados Relações com Vorcaro No bloco de tema livre, Lula voltou a cobrar explicações sobre os R$ 134 milhões que Flávio pediu a Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master, para filme sobre Jair Bolsonaro (PL). "Quem é filhote do Vorcaro é você", disse. Flávio não explicou, mas afirmou que um relatório da Polícia Federal diz não ter havido dinheiro público no filme e que os recursos foram investidos na produção. O senador buscou inverter a acusação de elo com Vorcaro, afirmando que áudio do banqueiro trata de R$ 30 milhões pagos para instituto ligado ao petista. A revista Veja publicou, no início do mês, um áudio atribuído ao ex-banqueiro em que ele diz ter destinado R$ 30 milhões a documentário sobre o petista. A Polícia Federal negou que Vorcaro tenha prestado depoimento ou entregue documentos na sua tentativa de delação premiada a respeito. Disse ainda que Lula ganhou do banqueiro uma garrafa de uísque de R$ 500 mil e perguntou várias vezes qual era o sabor da bebida. Lula respondeu que a garrafa deve ter ido para a casa do adversário e o acusou de ter negociado a compra da vacina Covaxin em um barco em Brasília, em 2020. Flávio disse que a acusação era mentira. Sigilos Lula afirmou ter entregado ao TSE os documentos previstos no acordo de quebra mútua de sigilos, assinado na quinta, e disse que a equipe de Flávio não fez o mesmo. O senador respondeu que a documentação está entregue. Flávio perguntou se o empresário Jonas Suassuna é laranja do filho do presidente, citando um imóvel que, segundo ele, Lulinha declarou como endereço. "A sua vida é um laranjal", afirmou. O senador também cobrou que Lula retire o sigilo dos gastos com cartão corporativo. Lula perguntou como Flávio comprou uma casa de R$ 10 milhões com salário de senador, e ele respondeu que é empresário. Nas considerações finais, o presidente afirmou que o governo Bolsonaro gastou quase 30% a mais com cartão corporativo do que a sua gestão. Ilha Lula abriu o bloco livre citando denúncia do jogador Richarlison, segundo a qual Flávio e um advogado amigo dele teriam tomado do atleta uma ilha em Angra dos Reis. O presidente perguntou se o senador indicou o diretor do órgão federal que liberou a área. Flávio negou ter feito a indicação e afirmou que a Justiça já decidiu o caso, em decisão definitiva. Disse ainda que a ilha nunca pertenceu ao jogador. Segurança pública Flávio voltou a prometer classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas, fixar pena mínima de oito anos para roubo de celular e reduzir a maioridade penal para 14 anos em casos de estupro. Defendeu também a castração química para condenados por estupro. Lula afirmou que, se a PEC da Segurança for aprovada, criará o Ministério da Segurança Pública e fortalecerá a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal. Nas considerações finais, voltou a associar o adversário às milícias. "Ou a gente manter a democracia funcionando ou a gente vai ter um miliciano governando esse país", disse. Em direito de resposta, Flávio afirmou que nunca foi investigado por envolvimento com milícias e disse que vai combatê-las. Bets Flávio disse que Lula é o pai do Tigrinho, em referência a um jogo de cassino online, e afirmou que o presidente liberou as apostas e as proibiu às vésperas da eleição. Lula respondeu que o jogo foi criado no governo Bolsonaro, em 2022. "Não só o seu pai é o pai do Tigrinho, como você é o irmão", afirmou. O presidente defendeu o fim das bets e disse que as apostas estavam se tornando um inferno na vida das famílias. Economia Lula afirmou que o salário mínimo seria de R$ 900 sem a política de reajustes acima da inflação dos governos do PT e perguntou se Flávio manteria a regra. O senador disse que vai reajustar o salário mínimo e as aposentadorias acima da inflação e negou que pretenda privatizar Banco do Brasil, Caixa e Petrobras. Flávio associou, como fez ao longo de toda a campanha, o governo do rival ao endividamento das famílias. "Meu concorrente prometeu picanha e entregou abóbora", disse. O senador propôs comprar dívidas dos bancos por meio da Caixa e suspender pagamentos por seis meses para pessoas físicas e por um ano para empresas. Lula citou as edições do programa Desenrola e uma medida provisória para leiloar dívidas com desconto e disse que o adversário copia propostas do governo. O presidente também perguntou se Flávio seguirá o modelo do argentino Javier Milei, e o senador defendeu os resultados do governo argentino. Saúde Lula perguntou como Flávio pretende melhorar o SUS e criticou a gestão de Jair Bolsonaro na pandemia. "Ele preferiu debochar, debochar e imitar as pessoas sufocando", disse, sobre o ex-presidente. Flávio afirmou que vai investir no SUS, afirmou que o pai foi atendido pela rede pública depois da facada de 2018 e prometeu atualizar a tabela de pagamentos a médicos e hospitais. Disse também que, no vídeo de Bolsonaro citado por Lula, o pai não estava debochando das pessoas com falta de ar. Regiões No primeiro bloco, dedicado às regiões do país, Lula disse que Flávio decora respostas sem conhecer o Brasil e sugeriu várias vezes que os eleitores conferissem no Google as informações do senador. Afirmou ainda ter a impressão de que o adversário não gosta do Nordeste. Flávio respondeu listando sua formação e seus mandatos e prometeu ser "o carioca mais nordestino" que os eleitores já viram. "Lula, quem é que governa o Brasil? É você ou é o Google?", perguntou. O senador também acusou o governo de tratar o agro com raiva.
Caso Ana Clara e fala sobre 'nove dedos' marcam �ltimo debate entre Lula e Fl�vio; veja como foi em 10 pontos
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