Um casal foi gravado tomando drinques e fumando perto do Arco do Triunfo, em Paris, no sábado (17), enquanto ocorriam alguns dos principais protestos no centro de Paris. Ao fundo do vídeo que viralizou nas redes sociais, é possível ver uma lixeira em chamas enquanto os dois estão tranquilamente sentados na área externa de um café. As manifestações ocorreram depois que estudantes, sindicalistas e remanescentes do movimento dos Coletes Amarelos uniram forças para protestar contra o alto custo de vida e o enfraquecimento do modelo social da França. A onda de revoltas inicial começou no mês passado, em escolas de ensino médio dos subúrbios pobres do norte de Paris, onde a indignação com as faltas de professores e as instalações precárias rapidamente se transformou em um movimento nacional contra a desigualdade e os baixos investimentos públicos feitos pelo governo. Os protestos ocorrem em um momento difícil para os franceses, quando o presidente Emmanuel Macron entra na reta final de seu mandato, deixando para trás um cenário político interno fragmentado e polarizado. A debandada de investidores dos títulos da dívida francesa, que levou os custos de empréstimos aos níveis mais altos em mais de duas décadas, também evidenciou a longa luta para colocar as contas públicas do país em ordem. As autoridades francesas anunciaram toques de recolher para esta segunda (19) e terça-feira (20) em várias cidades do norte do país, os primeiros desde que o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, defendeu a medida após saques que ocorreram durante o fim de semana. Euro Radar Uma newsletter sobre geopolítica e economia global, editada pelo jornalista João Caminoto, de Paris Na capital francesa, os moradores das áreas afetadas não poderão circular entre as 23h e as 6h, nem participar de manifestações entre as 20h e as 6h. Entre os locais abrangidos está a Praça da República, um dos principais locais de encontro dos atos, onde dezenas de pessoas são vigiadas pela polícia. Os moradores de Lille, Douai, Wattignies e Denain não poderão circular pelas ruas entre as 20h (15h no horário de Brasília) e as 6h (1h no Brasil) durante as próximas duas noites, segundo o gabinete do premiê. Até o momento, um manifestante morreu, quase 1.000 agentes de segurança foram feridos e cerca de 2.400 pessoas foram detidas. O movimento dos Coletes Amarelos anunciou planos para continuar as manifestações no próximo sábado (24), batizados de "Ato 2". Nesta segunda-feira, o Museu do Louvre ficou fechado após um bloqueio de estudantes. Em um pronunciamento na noite de domingo (18), Macron condenou a violência dos protestos e afirmou que autoridades locais poderiam proibir manifestações, se necessário. Nesta segunda, o presidente reconheceu falhas policiais durante as manifestações e cobrou que o ministro do Interior, Laurent Nuñez, explique as falhas. De acordo com Nuñez, o contingente de 60 mil agentes mobilizados não foi suficiente para conter os manifestantes. O país está a poucos meses da eleição presidencial, onde a líder do partido de ultradireita Reunião Nacional, Marine Le Pen, aparece à frente nas pesquisas de intenção de voto. Lecornu acusa a "ultraesquerda" de provocar as agitações no país, enquanto Le Pen afirma que o partido de seu principal rival, Jean-Luc Mélenchon, "legitima a violência".
Casal toma drinque enquanto protestos acontecem na rua em Paris; veja v�deo
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