Candidatos do RJ repetem Carandiru e tentam se eleger na esteira de opera��o mais letal do pa�s

Candidatos do RJ repetem Carandiru e tentam se eleger na esteira de opera��o mais letal do pa�s

Policiais que participaram da operação mais letal da história do Brasil, com 122 mortos, em outubro do ano passado, no Rio de Janeiro, tentam vagas no Legislativo nas eleições de 2026. Os postulantes têm apoio do senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os candidatos repetem o movimento de policiais que ganharam notoriedade no massacre do Carandiru, em 1992, que terminou com 111 mortos e era a ação policial mais letal do país até a operação Contenção. Como na eleição de 1994, a primeira pós-Carandiru, os candidatos têm o número de mortos [122] como número de urna —casos, neste ano, do ex-secretário de Polícia Civil Felipe Curi (PP), candidato a deputado federal, e do Delegado Bernardo Leal (PP), candidato a deputado estadual. Leal foi um dos policiais baleados por traficantes do Comando Vermelho durante a operação no complexo da Penha. Ele ficou 45 dias internado e teve uma das pernas amputadas. A operação completa um ano no próximo dia 28 de outubro. Felipe Curi liderou a Polícia Civil na operação. A ação, considerada um sucesso por 57% dos moradores da região metropolitana, segundo pesquisa Datafolha nos dias seguintes, alçou o nome de Curi em pesquisas internas de partidos da direita, como o PL. Durante meses, Curi rechaçou publicamente a possibilidade de tentar carreira política. Em paralelo, enquanto participava de podcasts para comentar bastidores da operação, seu nome era testado em pesquisas de intenção de voto para o Senado, e chegou a ser ventilado para a eleição a governador. O PL escolheu Douglas Ruas (PL) para disputar a eleição. Curi diz na propaganda eleitoral que liderou a operação Contenção, responsável por "neutralizar 117 "narcoterroristas", forma como sua gestão à frente da Polícia Civil tratou traficantes. Além dos 117, cinco policiais morreram. Ex-secretário da Polícia Militar e candidato a deputado estadual, coronel Marcelo Menezes (PL) tem acompanhado o candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) nas agendas no Rio de Janeiro. O senador dera aval ao nome de Menezes para comandar a PM fluminense, durante a gestão Cláudio Castro (PL). A operação Contenção foi politizada ainda nas primeiras horas. Quando o número de mortos ainda era de 20, não de 117, o então governador Castro criticou o presidente Lula (PT). Depois, disse que a operação foi um sucesso, mesmo com o resultado de cinco policiais mortos. Lula chamou de "matança" e de "desastrosa" a operação policial. Eleições Hoje Receba no seu email destaques das campanhas, pesquisas e disputas nos estados Munique Busson (PSDB), candidata a deputada federal, ganhou notoriedade nas redes por criticar quem criticou a operação Contenção, da qual participou como policial militar. Uma conversa em Brasília com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) logo após a operação gerou o desejo de tentar a política. "Foi difícil a decisão de abandonar a farda. É um desafio pensar que, caso não me eleja, não terei espaço dentro da instituição. É um caminho sem volta", afirma a candidata. "Olhei as nominatas e vi que o melhor lugar para concorrer seria o PSDB. Alguns partidos não veem com bons olhos candidatos de mídia, como influenciadores, blogueiros." Busson usa um calibre de fuzil como número de legenda. Na eleição de 1994, dois anos após o episódio do Carandiru, em que o governo paulista autorizou a entrada de policiais para conter uma rebelião e a incursão terminou na morte de mais de uma centena de presos desarmados, o coronel da reserva da PM Ubiratan Guimarães, condutor da ação, tentou se eleger a deputado estadual com a centena 111. Afanasio Jazadji e Conte Lopes se reelegeram à Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) com uso do número 111 e discurso a favor da ação policial. Coronel Ubiratan negou à época que o 111 fosse referência ao número de mortes —argumentava que ganhou por sorteio—, mas usava a invasão ao Carandiru em panfletos. Ubiratan só conseguiu se eleger deputado em 2002. Um ano antes fora condenado por 105 das 111 mortes no massacre, e se elegeu durante recurso da sentença. Foi encontrado morto dentro do apartamento em São Paulo em 2006, em circunstâncias jamais esclarecidas.

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