A campanha de Marina Silva (Rede) ao Senado por São Paulo reclama de ter recebido repasses menores do fundo eleitoral, aponta que há outra candidatura a um cargo majoritário recebendo mais e cobra que o partido faça a transferência de R$ 1,2 milhão para a ex-ministra na reta final das eleições. Internamente, aliados de Marina enxergam a distribuição do fundo eleitoral como mais um capítulo na disputa interna pelo comando da sigla, que opõe a ex-ministra à ex-senadora Heloísa Helena, candidata a deputada federal pelo Rio de Janeiro. Heloísa recebeu R$ 2,8 milhões do fundo eleitoral até o momento, sendo a segunda candidata com mais recursos da Rede. O líder de repasses é André Janones (MG), que se filiou à Rede neste ano e recebeu R$ 3 milhões para a sua candidatura a deputado federal. O valor equivale a 8% do fundo eleitoral do partido, que é de R$ 35,8 milhões. Marina recebeu R$ 1 milhão, menos do que a campanha de outra candidata ao Senado, a deputada federal Luizianne Lins (CE), e do que o ativista Thiago Ávila (SP), que já disputou mandatos coletivos a deputado distrital em 2018, e federal em 2022, sem nunca ter sido eleito. O valor recebido pela ex-ministra é igual ao de outras candidaturas a deputado federal e estadual, o que foi visto pelo entorno dela como um desprestígio pelo fato de ela disputar uma candidatura majoritária. Um de seus auxiliares disse à Folha, sob reserva, que ela tem recebido mais apoio do PSOL, partido com o qual a Rede é federada, do que da própria sigla que ajudou a fundar. A prestação de contas de Marina no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostra que ela recebeu R$ 1,1 milhão do PSOL, valor 10% superior ao recebido pela Rede. Pessoas próximas à ex-ministra afirmaram que o grupo pediu que os repasses fossem revistos, mas foi ignorado pela direção partidária. Além dela, outros candidatos também teriam feito questionamentos e sido ignorados, acirrando ainda mais o racha interno. Filiados à Rede têm acusado a direção partidária de privilegiar apenas as candidaturas de interesse da ala alinhada a Heloísa Helena, que hoje detém o comando do partido. Um deles lembrou que em 2024, Heloísa teve a candidatura mais cara da sigla a vereadora do Rio de Janeiro e não foi eleita. A disputa interna no partido levou à debandada de diversos quadros em 2026. A própria Marina cogitou deixar a Rede, mas decidiu permanecer na sigla no último dia da janela partidária. A Folha procurou Paulo Lamac, presidente da Rede, e não recebeu resposta. Coordenador da campanha de Marina, Bazileu Margarido enviou nesta terça-feira (23) um ofício à direção nacional da Rede pedindo novos repasses do fundo. Ele argumentou que Marina figura entre os primeiros lugares de pesquisas eleitorais "alternando entre liderança isolada e empate técnico com outras candidaturas". "Diante do exposto, solicito, em nome da coordenação de campanha, um repasse adicional de R$ 1,2 milhão, a ser destinado às atividades estratégicas para essa reta final. Considerando o repasse já feito pelo partido, a soma com o novo repasse representaria apenas 30% do teto de gastos definidos pelo Tribunal Superior Eleitoral para São Paulo", diz no documento. No último Datafolha ao Senado, Marina aparece tecnicamente empatada com sua companheira de chapa, Simone Tebet (PSB), e com os adversários de direita André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), apoiados pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e pelo presidenciável Flávio Bolsonaro (PL).
Campanha de Marina Silva reclama de repasse menor da Rede em meio a briga no partido
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