Campanha de Fl�vio Bolsonaro pede � Justi�a Eleitoral investiga��o por propaganda sem som

Campanha de Fl�vio Bolsonaro pede � Justi�a Eleitoral investiga��o por propaganda sem som

A campanha do senador Flávio Bolsonaro quer identificar os responsáveis pela exibição da edição da propaganda eleitoral gratuita de segunda-feira (12) sem som em parte das emissoras de TV. Em ação apresentada à 1ª Zona Eleitoral de Brasília, a equipe jurídica do candidato do PL diz que a inserção silenciosa atingiu o momento mais estratégico da campanha para desmentir notícia falsa de que ele iria retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. A peça afirma que a conduta pode configurar o delito previsto no artigo 331 do Código Eleitoral, que tipifica a inutilização, alteração ou perturbação de meio de propaganda lícito. Afirma, ainda, que nunca um programa de candidato foi transmitido sem áudio. Segundo os advogados, a última segunda era a data ideal para abordar o assunto e o horário eleitoral gratuito é o único espaço em que o candidato fala sem intermediários a todo o país ao mesmo tempo. "A data representava a melhor oportunidade de toda a campanha para falar diretamente ao eleitor sobre o tema. A uma, porque se tratava do próprio dia da Padroeira, em que a atenção de todo o País, e sobretudo dos católicos, estaria voltada à Nossa Senhora Aparecida. A duas, porque era feriado nacional, dia em que milhões de famílias estariam em casa, diante da televisão, no horário do almoço", disse. Sem fazer qualquer acusação formal, a campanha de Flávio cita na representação a EBC, estatal vinculada ao Executivo federal e integrante do Pool de Mídia das Eleições 2026. Afirma que a emissora pública é presidida desde abril de 2026 por Antonia Pellegrino, escolhida para o posto após articulação de Rosângela da Silva, a Janja, de quem, destaca a campanha, é amiga. Os advogados afirmam que as informações disponíveis no momento não permitem tirar conclusões definitivas sobre dolo ou autoria, mas argumentam que cabe ao Estado investigar os motivos de o problema ter afetado exclusivamente a fala de Flávio e ter sido solucionado a tempo apenas para o candidato governista. Eles pedem identificação nominal da equipe técnica de plantão no pool de emissoras no horário do incidente e a oitiva dos operadores envolvidos, além de informações sobre a fiscalização presencial de servidores do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) no momento da exibição. Conforme resolução do TSE, o grupo reúne emissoras de rádio e televisão para organizar a geração da propaganda eleitoral gratuita para presidente da República nas eleições de 2026 e inclui Globo, SBT, Band, Record, CNT, EBC, TV Câmara e TV Senado. SBT e TV Senado fazem a coordenação geral e a Globo cuida da estrutura e dos equipamentos. As emissoras fornecem pessoal e equipamentos, e as equipes trabalham em escalas de revezamento, com treinamento prévio. Por meio de nota enviada à Folha, a EBC, citada pela notícia-crime da campanha bolsonarista, voltou a negar participação na falha da propaganda do senador e afirmou que a falha de áudio atingiu igualmente todas as emissoras que transmitem o horário eleitoral gratuito, mas estaria sendo transformada em motivo para perseguição. "Perseguição precisa de vilã. A vilã escolhida precisa ser uma mulher e ela é menos confiável ainda, porque é justificada apenas pelo homem com quem é casada ou por uma mulher de quem é amiga. Isso tem nome e até Lei: chama violência política de gênero. Desqualificar uma mulher pelo marido, pela suspeita sem prova, até que a presença dela no lugar onde se decide pareça ilegítima." O texto também destaca a trajetória profissional de Antonia Pellegrino: roteirista premiada pela Academia Brasileira de Cinema e pela Academia Brasileira de Letras, mestre em Administração Pública, diretora de Conteúdo e Programação da EBC entre 2023 e 2026, tendo sido responsável pela reconstrução da TV Brasil, a retomada do Sem Censura e a estratégia do futebol feminino. "São realizações como estas que a alçaram à presidência da empresa, cargo que ocupa desde abril deste ano." Na segunda, antes de haver alguma explicação sobre a origem do ocorrido, Flávio Bolsonaro gravou um vídeo supondo que alguém tentou calá-lo e criticando o caso. "O meu programa eleitoral foi transmitido sem som. É isso mesmo, mudo. O meu programa foi transmitido sem som. O do Lula tava com som, tudo OK, mas o meu, transmitido sem som. Você acredita em coincidência? Cara, não. Não acredito. Não existe coincidência", afirmou. A responsabilidade pela retransmissão das peças publicitárias das campanhas é do Pool de Mídia das Eleições 2026, uma estrutura montada pelas próprias emissoras no 5º andar da sede do tribunal, em Brasília, em parceria com o órgão. Em nota, o TSE afirmou que o problema "ocorreu devido a um problema técnico no Pool de Mídias". "No momento da finalização das mídias, antes da exibição, não foram carregados os áudios de nenhuma das duas propagandas de televisão em bloco desta segunda-feira (12), às 13h, para o cargo de presidente da República", disse o texto. Ainda segundo o TSE, "houve tempo hábil para a correção do problema antes da exibição da segunda propaganda, do candidato Luiz Inácio Lula da Silva". O Pool de Mídias enviou nota com o mesmo conteúdo que o apresentado pelo TSE, sem explicações adicionais. Conforme o tribunal, a propaganda que teve falha será reexibida. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. 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