Campanha de Fl�vio Bolsonaro mant�m lideran�a em doa��es eleitorais e recebe 17% mais que Lula

Campanha de Fl�vio Bolsonaro mant�m lideran�a em doa��es eleitorais e recebe 17% mais que Lula

A campanha à Presidência do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acumula, até esta quinta-feira (17), R$ 48,4 milhões em doações eleitorais. A soma é 17% maior do que a doada para o presidente Lula (PT), que concorre à reeleição com R$ 41,1 milhões arrecadados. Os dois candidatos lideram o ranking de doações até aqui. Os dados foram extraídos do sistema Divulgacand, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Ao todo, os seis postulantes mais competitivos ao Palácio do Planalto receberam R$ 108,6 milhões de pessoas físicas, empresas, financiamentos coletivos e dos próprios partidos, que aportaram via Fundo Especial —a verba pública distribuída exclusivamente em anos eleitorais e destinada ao custeio das campanhas— e Fundo Partidário. Na conta, além de Flávio Bolsonaro e Lula, entram Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão), nesta ordem ranqueados. Segundo o TSE, o dinheiro arrecadado pode ser usado em despesas da campanha, como produção de material gráfico, propaganda eleitoral e aluguel de espaços para eventos. A lista também inclui deslocamento de candidatos, funcionamento de comitês de campanha, contratação de pessoal e utilização de carros de som. O prazo para que partidos e candidatos enviem à Justiça Eleitoral a prestação parcial de contas, com identificação de doadores e valores, encerrou no domingo (13). Agora, os recursos arrecadados até o dia da eleição entrarão na prestação de contas completa, cujo prazo final de envio termina em 14 de novembro. A campanha do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro manteve a liderança em relação ao levantamento feito pela Folha na semana passada: de R$ 44,4 milhões doados até o dia 9 de setembro, a campanha ganhou mais R$ 4 milhões. Destes, R$ 3,2 milhões foram discriminados pela direção nacional do PL como "doação de horas de voo", em fretamento de aeronaves para compromissos de campanha. O PL, entre doações de pessoas físicas ao diretório nacional e aportes dos fundos Especial e Partidário, contribuiu com R$ 46,1 milhões para a candidatura de Flávio –96% do total. Já a candidatura de Lula, que somava R$ 35,9 milhões até quarta-feira passada, recebeu mais R$ 5,2 milhões neste intervalo. Destes, R$ 5 milhões vieram de Fundo Especial. O PT responde por 97% do montante total doado, ou R$ 40,1 milhões, exclusivamente advindos de fundos do partido. O terceiro colocado no ranking, Ronaldo Caiado, acumula R$ 9,5 milhões em doações –R$ 2,9 milhões a mais do que até 4 de setembro, quando marcou R$ 6,6 milhões. Neste intervalo, o ex-governador de Goiás recebeu um aporte de R$ 1,3 milhão de pessoas físicas que doaram à direção nacional do PSD, em vez de diretamente em nome do candidato. Entre elas, está Carlos Manoel Politano Larangeira, um dos empreiteiros da OAS denunciado pelo Ministério Público Federal em 2012 sob acusação de desvio de recursos públicos durante a gestão do ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf (de 1993 a 1996). Larangeira contribuiu com R$ 400 mil à corrida do PSD ao Palácio do Planalto. As doações à candidatura de Caiado são marcadas por essa particularidade: boa parte (78%) da soma da direção nacional do PSD advém de contribuições de pessoas físicas. A prática de doar ao partido, em vez de ao candidato, tem sido adotada como uma forma de criar mais uma camada de distanciamento entre as pessoas físicas e seus elos eleitorais. Nesse modelo, empresários como Ricardo Fleury Cavalcanti de Albuquerque Lacerda, fundador e presidente do banco de investimentos BR Partners, e João Carlos Paes Mendonça, presidente do grupo JCPM, fizeram doações de R$ 1 milhão e R$ 500 mil, respectivamente, ao postulante do PSD. Em quarto lugar, a campanha de Romeu Zema soma R$ 4,5 milhões em doações, ante R$ 3,9 milhões até semana passada. O Novo responde por 93% do total, e os 7% são de doadores pessoas físicas. Augusto Cury, que, até semana passada, estava em último lugar no ranking, passou Renan Santos com a quantia de R$ 2,8 milhões em doações. O escritor contribuiu com R$ 350 mil de recursos próprios para a campanha e responde por 12% do total, e a direção nacional do Avante entrou com R$ 2,3 milhões via fundo especial e partidário. Já Renan Santos, do Missão, tem R$ 2,2 milhões em doações –87% vindos de financiamentos coletivos, 12% de pessoas físicas e 1% do Missão. O partido foi fundado em novembro do ano passado. AS DOAÇÕES APÓS O INÍCIO DA CRISE DO STF A crise sem precedentes que abateu o STF (Supremo Tribunal Federal) respinga nas corridas dos dois candidatos mais competitivos, Flávio Bolsonaro e Lula, a ponto de já afetar pesquisas de intenção de voto. Levantamento do Datafolha desta quinta mostra Lula com 39% das intenções de voto em primeiro turno, ante 36% de Flávio. Há uma semana, o presidente marcava 39% e o senador, 35%. Na simulação de segundo turno agora, Lula continua com 46% e Flávio, com 44%, empate técnico na margem de erro de dois pontos para mais ou menos. Eleições Hoje Receba no seu email destaques das campanhas, pesquisas e disputas nos estados Em doações eleitorais, os aportes de 1º de setembro –data em que supostas mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, foram reveladas– e 17 de setembro perderam ritmo para os dois candidatos. Lula, até 31 de agosto, somou R$ 35,3 milhões em doações; de 1º de setembro em diante, mais R$ 5,7 milhões. Flávio, neste mesmo modelo de comparação, recebeu R$ 43,4 milhões até o fim do mês passado e R$ 5 milhões de setembro em diante. O perfil das doações, porém, difere. Lula recebeu pequenos aportes de pessoas físicas, a maioria deles de R$ 100 a R$ 2.000, sendo o maior deles de R$ 24 mil, de Luiz Marinho, ministro do Trabalho da atual gestão petista. Outro, de R$ 17.787, partiu de Juliana Aporta Gaspar, servidora pública ligada à Secom (Secretaria de Comunicação Social) e integrante da equipe de apoio e viagens da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja. No período, a soma doada por pessoas físicas foi de R$ 712 mil. Já a campanha de Flávio recebeu quantias maiores, chegando a R$ 1 milhão entre pessoas físicas no período. A maioria ronda a casa de dezenas de milhares de reais, de R$ 10 mil a R$ 50 mil, embora quatro aportes se destaquem. Rodrigo de Almeida Pizzinatto, CEO da Ultrapar, doou R$ 100 mil à corrida do senador, e Inácio José Webler, empresário e produtor rural, também contribuiu com R$ 100 mil. Outros R$ 122 mil partiram de Taicia Fofanoff Junqueira, produtora rural de cana-de-açúcar, segundo registro ativo de CNPJ. Há ainda a soma de R$ 106.698,72 atribuídos a GMT Tecnologia, empresa por trás da plataforma de financiamento coletivo eleitoral Contribua.

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