São Paulo Doce, cítrico e com gosto de mamão papaya, um grão de café produzido em Minas Gerais virou o mais caro já vendido em leilão da ACE (Alliance for Coffee Excellence). O lote de 10 kg (22,05 libras) foi arrematado por US$ 4.410 (R$ 22,4 mil no total), ou R$ 2.200 o quilo, por uma empresa japonesa na última sexta-feira (16). O café é da variedade geisha e foi produzido na Fazenda Santuário Sul, em Carmo de Minas (MG), por Luiz Paulo Dias Pereira Filho, de 45 anos. Empresário e CEO da Carmo Coffees, o cafeicultor diz que o lote foi colhido na fazenda que pertence à sua família. Luiz afirma ser a quarta geração a trabalhar com café. O segredo, diz, está no cuidado com todo o ciclo de produção. Luiz Paulo Dias Pereira Filho, 45, afirma que após a colheita foram dois meses de espera até o café ficar perfeito - Divulgação "Nós escolhemos a área certa [para plantio], escolhemos a adubação certa, ele foi colhido na hora certa. Tudo foi feito com muito carinho para poder colher frutos dessa magnitude", afirma. Luiz também vê o resultado como uma vitrine para o país. Ele afirma que sua produção é voltada a cafés especiais e que o objetivo é mostrar que "o Brasil tem potencial para estar entre os melhores cafés do mundo". Depois da colheita seletiva, os grãos passaram por secagem natural. Do dia em que foram colhidos até ficarem prontos, foram dois meses. "É um processo bem longo, mas que valeu a pena", diz o produtor. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes.Luiz só pôde participar do leilão por ter se tornado uma "lenda" do café. Segundo ele, foram mais de 20 vitórias no Cup of Excellence, principal concurso de qualidade do setor, organizado pela ACE. Com o título, o produtor deixa de poder competir e passa a integrar o programa Legends of Excellence, que reúne produtores com vários prêmios no Cup of Excellence. A edição de 2026 tinha 12 produtores de seis países: seis que voltaram do ano passado e seis novos. Cada um doou uma caixa de 10 kg do seu melhor café, e as 12 foram vendidas em um leilão ao vivo no SCAJ, em Tóquio, com lances também pela internet. O lance inicial era de US$ 30 por libra-peso. O lote de Luiz, o 12, foi arrematado por US$ 200 (R$ 1.000) por libra, em lance presencial, pela Snow Beans, torrefadora de cafés especiais com sede na capital japonesa. Segundo a ACE, todo o valor arrecadado, US$ 40.086,91 (cerca de R$ 203,3 mil), será doado. Metade vai para projetos sociais nas comunidades produtoras, como escolas, água, moradia e saúde. A outra metade será destinada à educação em café no mundo, com treinamento, bolsas e cursos de degustação para a nova geração do setor. Em nota encaminhada à reportagem, a ACE afirmou que o lote de Luiz Paulo Dias bateu o recorde anterior de um café brasileiro, de US$ 143 por libra-peso (cerca de R$ 725), registrado em 2018 na competição Brazil Pulped Natural Cup of Excellence. Segundo a entidade, o recorde absoluto é de US$ 949 por libra (cerca de R$ 4.800). O valor foi pago em 2026 pelo primeiro colocado do Gems of Yunnan COE Pilot Project na China. No leilão de Tóquio, o café de Luiz foi o quarto mais caro. Ficou atrás de dois lotes de Honduras (US$ 333 e US$ 223 por libra) e de um da Nicarágua (US$ 270,50). O Café Orfeu, também brasileiro, participou do leilão. Produzido na Fazenda Sertãozinho, foi vendido por US$ 151 por libra-peso.
Cafeicultor vende lote a R$ 2.200 por quilo e bate recorde brasileiro de pre�o em leil�o
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