Cade condiciona compra da Medley pela EMS � venda de marcas de medicamentos

Cade condiciona compra da Medley pela EMS � venda de marcas de medicamentos

Brasília A área técnica do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) condicionou a aprovação da compra da farmacêutica Medley pela EMS à adoção de medidas para preservar a concorrência em dois grupos de medicamentos. A operação, avaliada em cerca de R$ 3,2 bilhões, será agora analisada pelo tribunal da autarquia, responsável pela decisão final. Os desinvestimentos acordados envolvem o Clomid, usado em tratamentos de fertilidade, e a Naratriptana, indicada para crises de enxaqueca. O acordo, que é sigiloso, prevê que um dos medicamentos será transferido a uma terceira empresa. No outro, a manutenção da fabricação para terceiros precisará ser mantida. As restrições propostas, que já tiveram o aval das farmacêuticas, buscam evitar que a combinação dos portfólios das duas farmacêuticas resulte em poder excessivo de mercado, com potencial para dificultar a atuação de concorrentes ou permitir aumentos de preços. Loja da rede de farmácias Drogasil no Morumbi Shopping, zona sul de São Paulo - Jardiel Carvalho - 07.abr.26/Folhapress A operação, anunciada em março deste ano, envolve a compra de 100% da Medley, que pertence à farmacêutica francesa Sanofi, pela Novamed, do grupo EMS, do empresário Carlos Sanchez. O negócio inclui o portfólio de medicamentos da farmacêutica, suas marcas e direitos de propriedade intelectual, além de duas unidades industriais em Campinas (SP). Em setembro, a área técnica do Cade já havia declarado a operação como "complexa", exigindo uma análise mais aprofundada em relação a esses dois mercados. A decisão na ocasião frustrou a expectativa das empresas, que aguardavam um aval final do Cade até setembro. Em parecer publicado na noite desta quarta-feira (4), a avaliação da Superintendência-Geral foi de que a operação não apresenta riscos concorrenciais relevantes na maior parte dos mercados analisados. O parecer destaca a existência de um número elevado de fabricantes de medicamentos genéricos, capacidade produtiva instalada e baixa fidelidade dos consumidores às marcas, com o preço como principal fator de competição. O ato de concentração envolve a aquisição de 253 medicamentos, em sua maioria genéricos, distribuídos em 120 mercados de produtos diferentes. No mercado de medicamentos no Brasil, a EMS e a Medley concorrem com grandes laboratórios como Eurofarma, Aché, Hypera, Cimed, Neo Química, Biolab e Prati-Donaduzzi, além de outros fabricantes. Com o caso submetido ao tribunal, não há garantias de que será aprovado ainda este ano, já que restam poucas sessões até o recesso do Cade. RAIO-X | EMS Fundação: 1964 Sede: Hortolândia (SP) Funcionários: 12 mil Produtos: antibióticos, anti-inflamatórios, antidiabéticos, gastrointestinais, oncológicos e outros Faturamento em 2025: R$ 10,9 bilhões Principais concorrentes: Eurofarma, Neoquímica, Cimed, Hypera Pharma, Aché RAIO-X | Medley Fundação: 1997 Sede: Campinas (SP) Funcionários: cerca de 900 Produtos: analgésicos, antibióticos, anti-inflamatórios, vitaminas e outros Faturamento em 2025: R$ 1,5 bilhão

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