Brasília O tribunal do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou, com restrições, a fusão global entre as multinacionais Subsea7 e Saipem, que criará uma das maiores prestadoras de serviços de infraestrutura para exploração em alto-mar do mundo. Contestada pela Petrobras, o caso, avaliado em US$ 4,6 bilhões, envolve o controle de uma frota estratégica de embarcações para a exploração do pré-sal, com navios especializados em instalar dutos rígidos, cabos e outros equipamentos no fundo do mar. As operações realizadas ocorrem a mais de 2.000 metros de profundidade, nas chamadas águas profundas. Como há uma alta concentração global nesse mercado, já que poucas emprsas globais prestam esses serviços, os conselheiros do Cade determinaram como remédio a venda de uma embarcação por parte da empresa resultante da operação. Assim, o negócio só poderá ser implementado após a alienação desse ativo. As futuras negociações serão acompanhadas pela área técnica do Cade. Plataforma de extração de petróleo tipo FPSO, P-57 da Petrobras, no Espírito Santo - Bruno Santos - 05.mar.24/Folhapress A italiana Saipem e a norueguesa Subsea7 prestam serviços de engenharia e construção submarina para a indústria de petróleo e gás natural. O processo também é analisado em outros países, como nos Estados Unidos e na União Europeia, já que seus efeitos são mundiais. A Petrobras defendeu ao Cade que a frota disponível para executar os serviços de infraestrutura é limitada. A empresa fez um levantamento de embarcações e concluiu que há poucos concorrentes em relação à Saipem e à Subsea7. Segundo a estatal, a concentração desses ativos poderia reduzir a competição justamente em um momento de expansão dos investimentos no pré-sal, elevando custos. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisões No tribunal, a relatora foi a conselheira Camila Alves. Em seu voto, ela disse que constatou que a concentração de mercado resultante da operação precisava ser mitigada. Dados levantados por ela mostraram que as empresas participam em até 60% das licitações conduzidas pela Petrobras. Segundo ela, como as empresas são concorrentes próximas, a combinação sem restrições poderia reduzir a pressão competitiva nas contratações de projetos de petróleo em águas profundas e ultraprofundas. Seu voto foi seguido pelos demais três conselheiros que hoje compõem o tribunal do Cade. Mesmo a Petrobras, que domina o mercado brasileiro, poderia enfrentar aumento de custos ao negociar com a empresa resultante da operação, segundo a análise do Cade. A existência de outros fornecedores no mercado global não seria suficiente, por si só, para afastar as preocupações, já que a disputa depende de ativos específicos e da capacidade de mobilizá-los nas janelas de execução dos projetos conduzidos pelas petroleiras. A Superintendência-Geral do Cade havia aprovado o caso sem restrições, sob o argumento de que não há evidências de que a disponibilidade dessas embarcações de infraestrutura seja insuficiente para atender à demanda global. A Associação Brasileira de Empresas de Exploração e Produção de Petróleo (ABEP) pediu ao Cade a reprovação da operação. ExxonMobil e TechnipFMC também questionaram o negócio.
Cade aprova fus�o bilion�ria questionada pela Petrobras no setor de �leo e g�s, mas imp�e restri��o
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