Busca por mercado externo leva ind�stria de petr�leo do Brasil � Guiana

Busca por mercado externo leva ind�stria de petr�leo do Brasil � Guiana

As exportações brasileiras de equipamentos usados na extração de petróleo para a Guiana somam US$ 1,8 bilhão (R$ 9,3 bilhão) desde 2020, segundo a ABESPetro (Associação Brasileira de Bens e Serviços de Petróleo). O setor de petróleo —não somente a commodity, também equipamentos e tecnologia para extração—responde hoje por 65% de tudo que o Brasil exporta para o país vizinho, participação que era de 0,3% em 2020, também de acordo com levantamento da associação. Dados do Rio de Janeiro, um dos polos de fabricação desses equipamentos, seguem trajetória semelhante. As exportações do estado de torneiras, válvulas e dispositivos semelhantes para canalizações, caldeiras e reservatórios com destino à Guiana passaram de R$ 230 milhões em 2021 para R$ 1 bilhão em 2025, de acordo com o Comex Stat. A categoria aduaneira é genérica e engloba as válvulas empregadas na extração offshore de petróleo. Entre elas, as árvores de Natal submarinas, equipamentos instalados na cabeça de cada poço com alto valor agregado. Os equipamentos submarinos pesam até 40 toneladas e custam entre US$ 5 milhões (R$ 25,7 milhões) e US$ 15 milhões (R$ 77,2 milhões) por unidade, conforme tamanho e especificação. O Brasil também exporta tubulações revestidas usadas dentro dos poços, dutos flexíveis e manifolds (equipamento submarino que reúne e distribui o fluxo de óleo, gás e água vindo de vários poços antes de encaminhá-lo para a plataforma de produção). A produção guianense ainda é pequena, próxima de 800 mil barris por dia, ante 5 milhões de barris por dia produzidos pelo Brasil, estima a organização. Para Telmo Ghiorzi, presidente da ABESPetro, a exploração de novos poços no Brasil é insuficiente, mesmo com o movimento recente da Petrobras na Margem Equatorial. Segundo ele, a Noruega perfurou 32 poços em novas fronteiras exploratórias nos últimos oito anos; o Brasil perfurou um. Ele completa que a Petrobras ainda precisa de ao menos mais três poços para delimitar e qualificar essa reserva, cuja licença ambiental levou 12 anos para ser concedida. Guiana, Suriname e Namíbia, diz, seguem perfurando ativamente em busca de novas reservas, assim como a Noruega, que segundo Ghiorzi mantém ritmo intenso de perfuração apesar do discurso ambiental do país nessa área. O presidente afirma que esse ritmo de perfuração pode gerar uma nova crise de abastecimento no Brasil por volta de 2030, à medida que a produção do pré-sal perder fôlego sem que novas reservas sejam licenciadas para substituí-la. Ele compara o cenário atual ao período de 2014 a 2017, quando a falta de leilões e de exploração também gerou instabilidade no setor. Ghiorzi expressa preocupação sobre pausa na exploração de novas fronteiras, segundo ele, tem efeito direto sobre a cadeia de fornecedores de equipamentos: enquanto uma petroleira pode operar sem novos contratos por conta da produção já instalada, as fábricas de equipamentos dependem de continuidade de demanda —o que torna a busca por mercados externos, como a Guiana, ainda mais necessária para essas empresas. Para a associação a ausência de acordos de livre comércio do Brasil com Guiana e Suriname como entrave adicional à expansão das exportações. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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