Brasília O BRB incluiu, em acordo coletivo fechado no início de setembro, uma cláusula que concede estabilidade aos funcionários por dois anos, em caso de privatização da instituição. O banco estatal de Brasília enfrenta uma crise de capital e de liquidez após envolvimento com o Master, de Daniel Vorcaro. Segundo a cláusula, se o BRB deixar de ser controlado pelo governo do Distrito Federal, os servidores poderão manter seus empregos e salários normalmente até pelo menos agosto de 2028. Sede do BRB (Banco de Brasília) - Gabriela Biló - 4.abr.25/Folhapress A convenção prevê que a remuneração deve incluir, além do vencimento básico, todos os outros benefícios aos quais o funcionário tem direito, como adicional por exercer cargo de confiança e quinquênio (complemento pago para servidores mais antigos). A garantia deve vigorar até o término do acordo, em agosto de 2028, ou durante os 12 meses seguintes à conclusão da operação, prevalecendo o período mais longo. Os termos estão previstos em uma cláusula que trata da garantia da empregabilidade e da remuneração dos funcionários em caso de "alteração direta ou indireta do controle acionário majoritário do BRB, por qualquer modalidade, inclusive em decorrência de incorporação, fusão, cisão, transformação, transferência de estabelecimento ou de qualquer outra operação que resulte em sucessão de empregadores". O acordo coletivo foi aprovado pelos bancários do BRB, mas a redação do texto ainda precisa ser concluída. Conforme a convenção, haverá um reajuste salarial pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) acumulado entre setembro de 2025 e agosto de 2026, além de um ganho real de 0,6%. A valorização, no entanto, será aplicada apenas a partir de 1º de janeiro de 2027, sem direito a abono salarial ou a ganhos retroativos. Ou seja, só passa a vigorar no próximo mandato do governador local. Bancários de bancos privados e do BB também já tiveram o reajuste salarial definido, enquanto empregados da Caixa Econômica Federal seguem em greve. A crise enfrentada pelo BRB após a compra de carteiras fraudulentas do Master acelerou as tratativas. A possibilidade de privatização do banco é um dos aspectos que mais preocupa os funcionários, segundo relatos ouvidos pela Folha. Com os relatórios operacionais represados desde que veio à tona o escândalo do Banco Master, o BRB está há mais de um ano sem divulgar seus resultados financeiros. A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), tenta destravar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) para salvar o BRB. Acionista controlador da instituição, o governo do Distrito Federal enfrenta dificuldades nesse processo e recorre ao processo de captação por não ter dinheiro em caixa. Um acordo firmado com a União no STF (Supremo Tribunal Federal) definiu que as principais instituições financeiras do país seriam fiadoras da operação, e as contragarantias (para ressarcir os bancos em caso de inadimplência) viriam dos recursos provenientes do FPE (Fundo de Participação dos Estados) e do FPM (Fundo de Participação dos Municípios). Esse desenho, porém, não avançou. O ministro do STF Luiz Fux deu 15 dias sucessivos, ou seja até 45 dias, para que o governo federal, o Banco Central e o FGC se manifestem sobre o pedido feito pelo Governo do Distrito Federal. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes.O ex-presidente da estatal Paulo Henrique Costa foi preso preventivamente por supostamente ter participado da compra de carteiras fraudulentas do banco de Daniel Vorcaro. Como mostrou a Folha, o BRB afastou cinco empregados, incluindo dois ex-diretores, como consequência de investigações relacionadas ao Master. Foi o primeiro afastamento decorrente da apuração interna sobre as operações do banco estatal com Vorcaro. A lista inclui o ex-diretor de finanças e controladoria Dario Oswaldo Garcia Júnior. Dario havia sido desligado da diretoria e deslocado para uma agência bancária do BRB após a operação que liquidou o Master. A corregedoria também determinou o afastamento da ex-diretora de controles e riscos Luana de Andrade Ribeiro. Ela foi destituída do cargo em janeiro e, assim como Dario, estava trabalhando desde então em uma agência do BRB.
BRB prev� cl�usula de privatiza��o em acordo salarial com funcion�rios
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