BRB comprou carteiras do Master mesmo sabendo de problemas por um ano, aponta PF

BRB comprou carteiras do Master mesmo sabendo de problemas por um ano, aponta PF

Brasília A diretoria do BRB (Banco de Brasília) identificou problemas expressivos em carteiras de crédito cedidas pelo Banco Master pela primeira vez em agosto de 2024 e, mesmo assim, continuou comprando ativos da instituição até agosto de 2025, às vésperas da liquidação do Master, ocorrida em novembro daquele ano. A conclusão está no relatório da PF (Polícia Federal) concluindo o inquérito sobre as operações entre o Master e o BRB, já entregue ao STF (Supremo Tribunal Federal). Em 5 de agosto de 2024, aponta o documento, o diretor de Finanças e Controladoria do BRB, Dario Garcia, um dos indiciados pela PF, recebeu um "alerta expressivo" sobre problemas substanciais em uma carteira vendida pelo Master. Fachada da sede do BRB (Banco de Brasília) - Gabriela Biló - 4.abr.25/Folhapress O alerta apontava que cerca de 90% da carteira recebida do banco de Daniel Vorcaro "apresentava falhas ou não atendia aos critérios exigidos pelo BRB". "O episódio demonstra que, cerca de um ano antes do agravamento definitivo da crise, o BRB já identificava problemas sistêmicos nas carteiras originadas pelo Master envolvendo inconsistências de dados, falhas de governança, deficiências de compliance e possível irregularidade na originação dos créditos", diz a PF. A situação era até ironizada internamente por Garcia em mensagens obtidas pela PF. Em novembro de 2024, Garcia recebeu um outro alerta. Ele tratava de uma base de R$ 93 milhões que, após análise do BRB, ficou com apenas R$ 10 milhões aproveitáveis. "Diante da baixa qualidade dos ativos, Dario afirmou: "Que base maravilhosa!!!". As defesas de Daniel Vorcaro e Dario Garcia foram procuradas, mas ainda não se pronunciaram sobre o assunto. O relatório aponta que "mesmo diante da reiterada rejeição dos ativos apresentados [pelo Master], a orientação não foi interromper as aquisições, mas exigir que o Master encontrasse novos créditos que permitissem a continuidade das operações". A prática continuou em 2025, narra a PF. Em 28 e 29 de janeiro daquele ano, uma carteira apresentada com valor de cessão de R$ 922 milhões foi reduzida após análise para R$ 164 milhões. A diminuição levou a questionamentos da presidência do BRB, que mudou os critérios de análise, aponta a PF. Com isso, o valor de cessão da carteira subiu para R$ 422 milhões. A PF aponta ainda que Garcia foi incluído em um grupo de mensagens no qual era enviado o relatório diário de caixa do Master. Lá, ele foi informado de que entre os dias 2 e 13 de maio de 2025 o banco de Vorcaro "mantinha caixa diário entre aproximadamente R$ 33 milhões e R$ 35 milhões, apesar de enfrentar entradas e saídas de centenas de milhões de reais". O Master dependia diretamente das cessões ao BRB para quitar compromissos no curto prazo. "Nos dias em que não havia cessão de carteira, a instituição dependia da liberação de compulsório ou de novas emissões de CDB e Letras Financeiras para evitar saldo negativo", aponta a PF. A situação se estendeu até agosto de 2025 pelo menos, aponta a PF. Em 28 daquele mês, Garcia foi informado que uma nova compra de carteira do Master pelo BRB tinha sido combinada entre Vorcaro e o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, também indiciado pela PF. "O BRB continuou adquirindo novas carteiras [do Master] apesar dos alertas internos. As áreas técnicas identificaram inadimplência elevada, ausência de averbações, falhas de conciliação, contratos sem formalização, reclamações de clientes e falta de documentação comprobatória", afirma a PF. A defesa de Paulo Henrique ainda não se pronunciou.

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