O Brasil registrou 134 casos de violência política durante os 50 dias da campanha eleitoral do primeiro turno das eleições deste ano, iniciada em 16 de agosto e encerrada no domingo (4). O número representa uma ocorrência a cada nove horas. Os dados fazem parte da 4ª edição do estudo Violência Política e Eleitoral no Brasil, realizado desde 2016 pelas organizações da sociedade civil Justiça Global e Terra de Direitos. No primeiro turno das eleições presidenciais de 2022, a pesquisa registrou 121 casos em 63 dias de monitoramento, média de 1,92 episódios por dia. Agora foram 2,68 por dia, um aumento de 40%. "A violência não pode ser tratada como parte natural da disputa eleitoral. Quando ameaças e ataques são usados para intimidar candidaturas, impedir atividades de campanha e silenciar propostas, o direito à participação política é diretamente afetado", diz a diretora-executiva da Justiça Global, Glaucia Marinho. Foram levados em conta no mapeamento casos de ameaça (foram os mais frequentes, 64), ofensa (33), agressão física (19), atentado (11), criminalização (5) e assassinato (2). Segundo o levantamento, do total dos 134 episódios, a maioria (102 ou 76%) foi dirigida a pessoas com candidaturas registradas. Em outros 32 casos, as vítimas não disputavam eleições: 19 vereadores, 3 prefeitos, 1 vice-prefeito e 2 secretários. Também foram registrados quatro episódios contra dirigentes partidários e dois contra sedes do PT (Macapá e Campina Grande) e a equipe de uma candidata. As mulheres foram os alvos mais frequentes. Apesar de representarem cerca de um terço das candidaturas (35%, segundo o TSE), elas concentraram quase seis em cada dez casos de violência contra quem disputava a eleição —em 60 dos 102 episódios, mulheres cisgênero, trans e travestis foram as vítimas. No total de episódios, elas também foram maioria: em 70 (52%) dos 134 casos. Em 53 desses episódios foram identificados marcadores discriminatórios, sendo machismo ou misoginia em 45 casos, racismo em 9 e transfobia em 5. Além disso, as sete ameaças de violência sexual mapeadas tiveram exclusivamente mulheres como vítimas. Já homens foram o alvo das 12 ocorrências que envolveram armas e nos dois assassinatos. "Enquanto os homens são atacados por sua atuação política, mulheres, pessoas negras e pessoas trans enfrentam também o racismo, o machismo e a transfobia que estruturam a sociedade brasileira. Quando essas formas de discriminação se cruzam, elas se reforçam e ampliam as barreiras à participação política, tornando ainda mais difícil o acesso e a permanência desses grupos nos espaços de poder", diz Glaucia Marinho. As deputadas federais Erika Hilton (PSOL-SP), Thabatta Pimenta (PV-RN) e Natália Bonavides (PT-RN) e a governadora reeleita Raquel Lyra (PSD-PE) foram alvo de três episódios cada uma durante a campanha. As organizações realizam o estudo a partir do monitoramento e checagem diária de reportagens jornalísticas e do cruzamento dessas informações com registros oficiais e denúncias públicas. com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Brasil teve um caso de viol�ncia pol�tica a cada nove horas na campanha do 1� turno
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