Bom chin�s � beira-mar, Chon Kou ainda � um enigma para muitos cariocas

Bom chin�s � beira-mar, Chon Kou ainda � um enigma para muitos cariocas

Crítica | RJ Chon Kou Três estrelas (Bom) Av. Atlântica, 3.880, Copacabana, região sul, Rio de Janeiro. @restaurantechonkou Ele está lá desde 1972. Fica na avenida Atlântica, de frente para a orla de Copacabana. Talvez sua fachada em um tom vibrante de vermelho possa intimidar os cariocas, que parecem considerar o restaurante chinês Chon Kou um verdadeiro enigma. Seria uma pegadinha para turistas?, devem pensar. Parece que sim, tanto que a frase "passo muito na porta, mas nunca entrei" é recorrente. E não deveria ser. É preciso subir alguns lances de escada após uma espécie de portal para chegar ao salão principal, que mantém sua decoração praticamente intocada desde que abriu. Abre parêntese: Acho importante dizer que vou recorrer ao lugar de fala ao falar sobre a casa, porque a frequento desde criança com meus pais. Fecha parêntese. As panquequinha e o recheio do Mushu (grafia do prato pode variar de acordo com o restaurante) - Cleo Guimarães/Folhapress Então, vejo que absolutamente nada mudou —a não ser a inclusão de opções veganas e a retirada, pela força de leis ambientais, da sopa de barbatana de tubarão do cardápio. De resto, tudo igualzinho. Paredes e teto são pintados de vermelho, verde e dourado, com dragões ornamentais e uma misteriosa área mais privada, fechada por um biombo e com mesa redonda de centro giratório. O salão é meio escuro, e a varanda é a melhor opção, até pela vista embasbacante da praia. E a comida? Bem, ali eles provam que a gastronomia chinesa, essa a que estamos mais acostumados, vai muito além do frango xadrez e do rolinho primavera (R$ 9, cada unidade). O rolinho, aliás, é feito com massa preparada na casa, assim como o molho agridoce, que não é industrializado. Dos melhores que há. É difícil imaginar algum prato que não esteja no menu trilíngue —em português, inglês e mandarim. Ele tem mais de 200 opções e inclui sugestões de diferentes regiões da China e de Taiwan. Das pedidas mais manjadas, vale citar também o guioza (R$ 59, oito unidades), perfeito em seu recheio molhadinho e casquinha fina, com a crocância ideal. É muito bom. A reconfortante hot and sour soup, traduzida como sopa de vinagre e pimenta (R$ 35) pode não soar das mais atraentes, mas é um pedido certeiro. O caldo bem encorpado de frango apimentado com pedaços da ave, tofu em tiras, broto de bambu e ovos batidos é o que costumo pedir quando me sinto enfraquecida. Uma espécie de canja de galinha para adultos que gostam de comidas bem temperadas. Para Curtir SP Receba no seu email um guia com a programação cultural da capital paulistaNessa visita mais recente também comi o Mushu, finíssimas panquequinhas acompanhadas de lombo desfiado, ovos mexidos, vegetais salteados, molho de missô e cebolinhas (R$ 85). São recheadas à mesa, seguindo um ritual explicado com muita gentileza pelo garçom. Também pedi o frango frito ao molho de gengibre (R$ 75), bem gostoso, mas que ficaria melhor com o molho separado; já servido sobre a carne faz com que ela perca um pouco a crocância. Me arrependi de não ter repetido meu queridão da infância, o ninho de passarinho. É um dos pratos mais emblemáticos do Chon Kou: literalmente um ninho de batata palha caseira com lulas, camarão, frango, carne e legumes em molho de soja. Sobre isso tudo, alguns ovos de codorna cozidos. Fica muito bonitinho. E é gostoso. A sobremesa de lei é a fruta caramelada. Já comi algumas vezes com o ponto da caramelização um pouco acima do que deveria, resultando numa bolinha mais dura que o ideal, mas, desta vez, estavam ótimas. O sorvete de creme (R$ 17, duas bolas) cai muito bem nessa hora e não deve ser dispensado.

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