Para o mercado financeiro, o novo presidente da República já está definido: será Flávio Bolsonaro. Nesta segunda (5), os juros futuros recuaram cerca de 1 ponto percentual, impulsionando a alta de 7,7% do Ibovespa e a queda de 4,5% do dólar. O PL de Flávio, além disso, obteve marcas históricas no âmbito do Congresso Nacional. No Senado, o PL construiu uma bancada recorde de 28 cadeiras para a legislatura que começa em 2027, quase o dobro das 15 que detém atualmente. A sigla superou, assim, as 27 que o PMDB ostentou em 1999, antigo maior patamar desde a redemocratização. Também foi recorde a bancada do PL na Câmara, com 121 deputados eleitos, pouco mais de 20% acima dos 98 atuais. O partido deixou para trás todos os concorrentes desde 1990, perdendo apenas para as 260 vagas conquistadas pelo PMDB em 1986. As façanhas do PL se estenderam no plano individual. Em uma lista puxada por Nikolas Ferreira (Minas Gerais) e Lucas Pavanato (São Paulo), ambos com mais de 3 milhões de eleitores, a agremiação atingiu votações recordes de candidatos a deputado federal em nada menos que oito estados. Com o êxito nas urnas, o PL de Flávio Bolsonaro precisará de poucos aliados para dominar a Câmara e o Senado. Siglas já próximas do bolsonarismo, como União Brasil, PP, Republicanos, Podemos e Novo, somam entre si 22 senadores e 166 deputados. Ou seja, um bloco liderado pela agremiação de Flávio Bolsonaro poderia partir de um mínimo já majoritário em ambas as Casas: 50 das 81 vagas no Senado e 287 das 513 na Câmara. Do lado oposto do espectro ideológico, uma possível aliança de esquerda teria dificuldades de ultrapassar 30 senadores, puxados pelas 9 cadeiras do PT, e 115 deputados, 70 dos quais petistas. Não parece coincidência que 35 dos 54 eleitos para o Senado sejam defensores do impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal —ao todo, a Casa terá 49 nomes favoráveis à medida, apenas 5 abaixo do mínimo necessário para aprová-la. De antiga pauta bolsonarista de ataque às instituições, o tema ganhou relevo com sucessivos abusos da corte e, mais recentemente, com a proteção corporativista a ministros envolvidos no escândalo do Banco Master. Sob desgaste, integrantes do STF têm buscado iniciativas meritórias nos últimos dias. O presidente Edson Fachin baixou norma para coibir manobras pelas quais advogados selecionam os magistrados que examinam seus pedidos, burlando o sistema de sorteio. Já Gilmar Mendes cobrou dos tribunais medidas, já tardias, contra irregularidades no julgamento de precatórios. A pressão sobre o Supremo será obviamente maior com Flávio no Planalto. Tudo indica que ele indultará o pai —decisão moralmente infame diante da tentativa de golpe, ainda que juridicamente amparada por se tratar de prerrogativa constitucional do presidente da República. editoriais@grupofolha.com.br
Bolsonarismo ter� poder in�dito no Congresso
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