BNDES negocia empr�stimo e sociedade em projeto bilion�rio de terras raras em MG

BNDES negocia empr�stimo e sociedade em projeto bilion�rio de terras raras em MG

Brasília O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) negocia o financiamento de um projeto bilionário de terras raras previsto para ser erguido no sul de Minas Gerais. O chamado Projeto Caldeira prevê a instalação de etapas industriais no Brasil para o processamento desses minerais, em vez da simples exportação do minério. Conforme informações obtidas pela Folha, a transação poderá incluir, ainda, a entrada do BNDESPar —o braço de participações do banco estatal— no negócio como sócio minoritário do projeto. Rampa de voo livre no Pico do Gavião, em Andradas (MG), região próxima do Projeto Caldeira, em MG - Hanuska Bertoia - 09.ago.26/Folhapress A parceria financeira envolve a companhia australiana já instalada na região, Meteoric Resources. A mineradora foi adquirida nesta semana pelo grupo australiano Lynas, numa transação de aproximadamente R$ 3,5 bilhões. O banco estatal já mantinha negociações com a Meteoric antes da chegada da Lynas. As tratativas fazem parte de uma iniciativa do BNDES com a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), lançada em janeiro de 2025, numa chamada pública para industrialização de minerais estratégicos no país. O projeto da Meteoric está entre os dez mais avançados dentro da carteira do programa que, em junho de 2025, selecionou 56 planos de negócios que somam R$ 45,8 bilhões em planos de investimentos apresentados pelas empresas. O negócio entre BNDES e Meteoric ainda não está fechado, mas pessoas próximas da operação afirmam que a concessão de crédito é a etapa mais avançada, em vez de uma possível sociedade. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisõesAinda não há definição sobre o valor de financiamento que deve ser repassado ao projeto. O estudo de viabilidade do Projeto Caldeira estima um valor total de US$ 498 milhões, cerca de R$ 2,6 bilhões, para desenvolver a planta. Segundo informações obtidas pela reportagem, a entrada da Lynas na operação foi tratada com o BNDES antes mesmo de o anúncio de aquisição ter sido formalizado pela empresa, nesta semana. No dia 17 de setembro, houve uma reunião no Rio de Janeiro com representantes das duas companhias australianas e diretores do BNDES. A aquisição da Meteoric pela Lynas foi oficializada no dia 30 de setembro, na bolsa da Austrália. Questionado sobre o assunto, o BNDES declarou que "não comenta operações não aprovadas", ou seja, projetos que ainda estão em análise. Internamente, o banco estatal vê no projeto Caldeira o principal empreendimento no país com capacidade de dar o pontapé no plano de formar uma cadeia nacional de beneficiamento de terras raras e minerais críticos, tornando-se uma alternativa global à produção concentrada na China. Por meio de nota, a Meteoric declarou, referindo-se ao BNDES, que "mantém, desde o início do Projeto Caldeira, diálogo institucional com as diferentes partes interessadas, pautado pela transparência e pelo compromisso com o desenvolvimento do projeto". A empresa afirmou que, "após o anúncio, em 30 de setembro, da intenção de aquisição da Meteoric pela Lynas, a Lynas informou que pretende avaliar diferentes alternativas de financiamento para apoiar o futuro desenvolvimento do Projeto Caldeira, incluindo financiamento estratégico, financiamento de projetos e recursos próprios". A entrada da Lynas nesta operação é vista como um fator que pode facilitar a concessão de crédito, porque o grupo tem maior capacidade financeira e de oferecer garantias. Ao mesmo tempo, a mudança de controle vai exigir que sejam revisadas a habilitação e a estrutura societária apresentada ao banco. Não há prazo definido para concluir a análise. A operação entre Meteoric e Lynas prevê que a fusão seja feita integralmente em ações. Os acionistas da Meteoric passarão a deter 5,9% da companhia combinada. A Meteoric é uma empresa australiana sediada em Perth, com ações negociadas na Bolsa da Austrália. No Brasil, mantém a Meteoric Caldeira Mineração, com endereço em Poços de Caldas, região onde o projeto está instalado, abrangendo ainda áreas de Andradas e Caldas. A empresa adquiriu os direitos de exploração das terras raras de Caldeira a partir de um acordo com a brasileira Togni Materiais Refratários, em dezembro de 2022. A empresa ainda precisa cumprir etapas de licenciamento e antes da implantação e operação comercial. A Lynas já atua na mineração e no processamento de terras raras, com operações na Austrália e na Malásia. No anúncio da aquisição, a empresa apresentou o processamento adicional no Brasil como uma possibilidade a ser avaliada. Uma eventual participação do BNDES numa sociedade brasileira controlada pela Lynas não tornaria o banco automaticamente acionista da matriz australiana. A possibilidade desse investimento e seu alcance continuam em discussão. As terras raras são um grupo de elementos usados em produtos como motores de carros elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. Parte deles é essencial para fabricar ímãs permanentes de alto desempenho, capazes de gerar força magnética em peças pequenas e leves. A extração do minério e a sua separação são etapas diferentes. Na mina, o material pode ser tratado para produzir um concentrado que reúne vários elementos. Uma unidade de separação recebe essa mistura e produz materiais específicos, com características e pureza para cada aplicação industrial. A fabricação de ímãs é uma etapa posterior. O interesse do governo brasileiro é atrair essas etapas e tecnologias que multiplicam em dezenas de vezes o valor do material extraído, em vez de apenas enviar o concentrado de minério para ser separado no exterior e revendido a terceiros.

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