BNDES come�a a receber pedidos para empresas afetadas por tarifas dos EUA nesta quinta-feira (17)

BNDES come�a a receber pedidos para empresas afetadas por tarifas dos EUA nesta quinta-feira (17)

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) começou a receber nesta quinta-feira (17) pedidos de financiamento da terceira etapa do Plano Brasil Soberano, segundo José Luis Gordon, diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do banco. A nova fase terá R$ 22,6 bilhões em recursos, entre dinheiro do Tesouro Nacional e do próprio BNDES, e foi criada para apoiar empresas afetadas pelo tarifaço dos Estados Unidos e por efeitos de conflitos internacionais. A terceira etapa também ampliou o público atendido pelo programa. Além das empresas atingidas pelas tarifas previstas na chamada Seção 232 (ameaça à segurança nacional) da legislação comercial americana, passam a ser contempladas empresas afetadas pela Seção 301 (práticas consideradas prejudiciais), segundo Gordon. O programa havia sido anunciado em julho com R$ 18,5 bilhões, sendo R$ 13,5 bilhões do Tesouro e R$ 5 bilhões do BNDES. O banco posteriormente ampliou sua participação para R$ 9,1 bilhões. O dinheiro será distribuído entre diferentes finalidades. São R$ 8,8 bilhões para exportadores e fornecedores afetados por tarifas dos Estados Unidos; R$ 6,8 bilhões para empresas que exportam para países do Golfo Pérsico e seus fornecedores; R$ 1 bilhão para setores industriais relevantes ao comércio exterior; R$ 4 bilhões para empresas de fertilizantes e R$ 2 bilhões para a cadeia de minerais críticos e estratégicos. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Quais empresas podem pedir o crédito? A terceira etapa mantém o atendimento a exportadores e fornecedores afetados pelas tarifas americanas e amplia o público para outros setores considerados estratégicos. Também foram criadas destinações específicas para empresas de fertilizantes e para a cadeia de minerais críticos e estratégicos. O BNDES disponibiliza uma consulta de elegibilidade para exportadores e fornecedores neste site. O sistema utiliza dados fornecidos pela Receita Federal e verifica os critérios previstos para esses grupos. A elegibilidade de empresas de setores industriais relevantes ao comércio exterior segue regras próprias e não é consultada por essa ferramenta. Quais são as taxas de juros? Segundo Gordon, as taxas seguem as condições da segunda fase, com exceção da nova linha para minerais críticos. As taxas anunciadas pelo BNDES são: 9,8% ao ano para capital de giro de grandes empresas; 8,3% ao ano para capital de giro de micro, pequenas e médias empresas; 8,3% ao ano para capital de giro voltado à exportação; 8% ao ano para aquisição de bens de capital; 6,5% ao ano para investimentos; 3% ao ano para investimentos em minerais críticos. As taxas são acrescidas dos spreads aplicáveis à operação. Para que o dinheiro pode ser usado? O programa prevê financiamento para capital de giro, capital de giro para exportação, compra de máquinas e equipamentos e investimentos. Também podem ser financiados projetos de ampliação da capacidade produtiva, diversificação de mercados e investimentos em inovação e adaptação de produtos, serviços e processos. Na linha específica de minerais críticos, o objetivo é financiar empresas da cadeia que envolve a extração associada a beneficiamento, refino ou transformação. Como pedir o empréstimo? Empresas menores devem procurar os bancos parceiros do BNDES que operam as linhas de crédito. As empresas que fizerem operações diretamente com o BNDES precisam encaminhar o pedido pelo Portal do Cliente. Nesse caso, o banco informa que o valor mínimo de cada operação direta é de R$ 50 milhões. Nas operações indiretas, a orientação do BNDES é que a empresa procure o banco do qual já é cliente ou outra instituição financeira credenciada. O envio do pedido não significa que o financiamento será automaticamente aprovado. A proposta ainda passa pela análise da instituição financeira. O que mudou em relação às fases anteriores? O Brasil Soberano foi criado em 2025 para apoiar empresas afetadas pelas tarifas americanas. A primeira fase movimentou cerca de R$ 16 bilhões, segundo o BNDES. Nela, mais de 70% dos R$ 16 bilhões em apoio foram destinados a pequenas empresas, de acordo com o diretor do BNDES. Na segunda etapa, em 2026, foram disponibilizados R$ 21 bilhões. Segundo Gordon, cerca de R$ 7 bilhões desse montante foram destinados a investimentos. A terceira etapa mantém as linhas de crédito anteriores e acrescenta recursos específicos para fertilizantes e minerais críticos, além de ampliar o público afetado pelas tarifas americanas.

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