Blue Origin adia tentativa de lan�amento do foguete New Glenn para 2027

Blue Origin adia tentativa de lan�amento do foguete New Glenn para 2027

A Blue Origin não tentará mais lançar o foguete New Glenn neste ano. Na última quarta-feira (4), funcionários foram informados de que a previsão do próximo voo é janeiro de 2027. A empresa de Jeff Bezos sofre com atrasos na reconstrução da plataforma de lançamento dela na Flórida, nos Estados Unidos. Em maio, o New Glenn sofreu uma anomalia, poucos dias antes do lançamento de satélites de internet para a Amazon. Uma válvula do motor falhou durante testes, culminando em um incêndio de grandes proporções que causou danos ao local. A empresa vinha se empenhando para retomar os lançamentos ainda neste ano. O presidente-executivo Dave Limp disse aos funcionários que a reconstrução da plataforma está longe de ser simples, devido às fortes intempéries durante o verão. Nos últimos dias, a região sofreu inundações repentinas, o que dificultará ainda mais os trabalhos. "Esse pequeno ajuste não diminui o que conquistamos nem a importância do trabalho que ainda temos pela frente", afirmou Limp aos funcionários em um memorando ao qual o jornal Financial Times teve acesso. "Fazer o New Glenn voltar a voar continua sendo nossa principal prioridade. Vale a pena." O atraso na retomada dos lançamentos representa mais um revés para uma companhia com dificuldades para acompanhar a rival SpaceX. A empresa de Elon Musk promoveu com sucesso sua abertura de capital em junho e acumulou avanços no desenvolvimento do foguete Starship nos últimos meses. A Blue Origin, que tenta aumentar sua cadência de lançamentos, havia planejado chegar a 12 voos com o New Glenn neste ano. A empresa solicitou autorização à Administração Federal de Aviação americana (FAA, na sigla em inglês) para lançar até 50 foguetes por ano da plataforma dela em Cabo Canaveral, na Flórida. Josh Parker, analista da Capstone, com sede em Washington, D.C., afirmou que os atrasos eram inevitáveis, dada a magnitude da explosão de maio. "Ainda assim, a Blue Origin parece ter feito um enorme progresso para voltar a voar." Limp disse aos funcionários que a empresa "conquistou o que muitos acreditavam que levaria anos" e avançou na recuperação de suas instalações na Flórida desde que recolheu os destroços do New Glenn. No início deste ano, a empresa captou US$ 10 bilhões em sua primeira rodada de financiamento, alcançando uma avaliação pós-investimento de US$ 140 bilhões. A Coatue liderou a rodada, e Bezos investiu mais US$ 2 bilhões na empresa —ele já aportou cerca de US$ 28 bilhões na companhia desde sua fundação, em 2000. Bezos disse à Fox News no mês passado que faria sentido a empresa abrir o capital "daqui a alguns anos". "Agora consigo enxergar com certa clareza o futuro financeiro da Blue", afirmou ele em uma entrevista. Sob a liderança de Limp, a Blue Origin busca aprimorar seu foco. Decidiu interromper as atividades de turismo espacial e ampliar as ambições para incluir um projeto de implantação de satélites de internet —o plano reproduz um ciclo que ajudou a SpaceX a gerar receitas significativas e a impulsionar seus objetivos. A Amazon mantém contratos com a Blue Origin para 24 lançamentos destinados à formação da constelação de satélites do serviço de internet Leo. A empresa foi obrigada a recorrer a outros fornecedores, entre os quais a United Launch Alliance e a SpaceX, para os lançamentos dela. A Blue Origin também tem um contrato de US$ 3,4 bilhões com a Nasa para fornecer um módulo de pouso lunar ao programa Artemis, que pretende levar humanos de volta à superfície da Lua. Procurada pela reportagem, a Blue Origin não quis comentar.

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