No último domingo (17), a coalizão No Kings promoveu quase 3.000 manifestações e atividades de mobilização eleitoral nos Estados Unidos, em protesto contra Donald Trump e para incentivar a participação nas eleições legislativas de 3 de novembro. Durante os atos, a principal conta do movimento no Instagram desapareceu. Por cerca de uma hora e meia, ninguém conseguia acessar o perfil. A organização ficou horas sem poder publicar. A Meta atribuiu o bloqueio a um erro de seus sistemas automatizados de segurança. O No Kings enviou carta aberta a Mark Zuckerberg, presidente da empresa, exigindo transparência e medidas para evitar novos bloqueios. Parlamentares americanos pediram investigações. Afinal, uma empresa privada interrompeu a comunicação de um movimento político em plena mobilização eleitoral. A conta voltou, mas as horas perdidas não. No Brasil, em 23 de setembro, 11 dias antes do primeiro turno, a Meta suspendeu por pouco mais de uma hora a conta de anúncios da campanha de Lula. Segundo a empresa, um sistema automatizado confundiu uma publicidade com uma tentativa de se passar por um programa governamental. Documentos internos da Meta obtidos pelos jornalistas Paulo Motoryn e Tatiana Dias, esta última da CTRL+Z, revelaram problemas na busca pelo perfil de Lula, na exibição de comentários e vídeos reduzidos a seis segundos ao serem compartilhados nos stories. Funcionários da Meta identificaram falhas ainda sem solução na reta final da eleição. A CTRL+Z também reuniu 1.121 relatos de restrições durante a campanha, 98% deles relacionados ao Instagram. A empresa nega favorecimento político e atribui os episódios a falhas técnicas. Em vídeo publicado pelo Indivisible, organização integrante da coalizão No Kings, Ezra Levin, um de seus fundadores, e Daniela Silva, da CTRL+Z, relacionam os episódios nos dois países e questionam as explicações da big tech. Na terça-feira (20), o Conselho de Supervisão da Meta, órgão independente financiado pela empresa, também se pronunciou sobre os dois casos. Manifestou preocupação com falhas recorrentes na proteção da integridade eleitoral e questionou por que os mecanismos de prevenção de erros e revisão especializada não funcionaram. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo No Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou revisão humana em até duas horas para bloqueios automatizados de contas de anúncios de campanhas presidenciais. É uma resposta importante, mas insuficiente. O poder das plataformas também está em decidir quais conteúdos serão recomendados, aparecerão primeiro nas buscas e alcançarão mais pessoas. Quando poucas empresas controlam a circulação de informações, suas decisões podem interferir no debate público e na participação política de milhões de pessoas. Quem define o que aparece, o que desaparece e o que alcança mais gente? Com que critérios? E quem fiscaliza esse poder, sobretudo quando seus dirigentes anunciam alianças com a extrema direita e se comprometem a defender os interesses de um governo contra decisões de diferentes países? Lembremos do que disse Zuckerberg em janeiro de 2025, ao anunciar mudanças na moderação de conteúdos: "Vamos trabalhar com o presidente Trump para fazer frente a governos ao redor do mundo". Não sou eu quem estou dizendo, foi o dono da Meta quem disse. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Bloqueios de redes nos EUA e no Brasil foram falhas ou cumprimentos da Meta?
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