Os megadoadores dos Estados Unidos estão apoiando de forma esmagadora os republicanos de Donald Trump na disputa deste ano pelo Congresso, enquanto bilionários do Vale do Silício a Wall Street financiam a ofensiva do partido nas eleições de meio de mandato. Dezesseis dos 20 maiores doadores do país injetaram dinheiro na campanha republicana para as midterms, segundo uma análise do jornal Financial Times. George Soros é o principal financiador do Partido Democrata. Outros megadoadores canalizaram recursos para candidatos que defendem a desregulamentação das criptomoedas e dos jogos de azar ou a promoção da inteligência artificial. As conclusões indicam mais uma eleição atraindo somas colossais para influenciar o resultado —e também mostram como os doadores mais ricos estão pendendo para o lado republicano, embora o partido esteja atrás dos democratas nas pesquisas. Isso também representa uma inversão em relação à disputa presidencial de 2024, quando Kamala Harris arrecadou e gastou significativamente mais dinheiro que Trump, mas perdeu. "O que estamos vendo é um desvio moderado em relação às expectativas", afirmou Adam Bonica, cientista político de Stanford que estuda desde 1980 as doações feitas pelos bilionários americanos. Não é incomum que os maiores doadores se inclinem para o Partido Republicano, mas o balanço nesta eleição está "especialmente desequilibrado". O dinheiro flui por vários canais. Alguns dos maiores doadores financiam candidatos diretamente. Outros criam grandes caixas de campanha em torno de setores como o da criptomoeda, por exemplo. Um grupo menor de bilionários usa redes de Super PACs (organizações de financiamento político independentes) para canalizar recursos a disputas pela Câmara e pelo Senado, intervindo nas primárias —onde o dinheiro teve um peso ainda maior. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Em um momento de revolta populista contra as elites, o financiamento político tornou-se mais concentrado entre os ultrarricos. Mais de um terço dos US$ 2,8 bilhões (R$ 14,4 bilhões) arrecadados para o atual ciclo eleitoral de 2025-26 vem dos 20 maiores megadoadores, segundo a análise do FT. Em mais de 30 disputas pela Câmara e pelo Senado, mais de um terço dos gastos externos veio de grupos que receberam pelo menos 80% de seus recursos de megadoadores, definidos como pessoas que doaram individualmente ao menos US$ 5 milhões (R$ 25,7 milhões). "Agora temos um sistema voltado para esses megadoadores ultrarricos e dependente deles", afirmou Brendan Glavin, diretor de pesquisa da OpenSecrets, organização sem fins lucrativos que monitora os gastos de campanha. Essas elites endinheiradas "despejam centenas de milhões de dólares no sistema e realmente exercem uma influência desproporcional", disse ele. Os principais doadores republicanos também doaram milhões de dólares à Maga Inc, o Super PAC que apoiou a campanha presidencial de Trump em 2024. Agora, o grupo dispõe de um fundo eleitoral de US$ 400 milhões (R$ 2 bilhões). Grupos de interesses específicos também contribuíram. Os empresários do setor de criptomoedas Cameron e Tyler Winklevoss doaram cerca de US$ 11 milhões (R$ 56 milhões). Os magnatas do Vale do Silício Marc Andreessen e Ben Horowitz, juntamente com suas esposas, doaram US$ 18 milhões (R$ 92 milhões), enquanto o cofundador da OpenAI Greg Brockman e sua esposa contribuíram com US$ 25 milhões (R$ 128 milhões). Até agora, a Maga Inc gastou US$ 10,8 milhões (R$ 55,6 milhões), apoiando republicanos aliados de Trump no Texas, Tennessee e Carolina do Sul. Um novo grupo, o No Going Back PAC Inc, comprou mais de US$ 89 milhões (R$ 458 milhões) em espaço publicitário para 24 disputas pela Câmara e pelo Senado desde sua criação, em 1º de setembro, incluindo ao menos US$ 10 milhões (R$ 51 milhões) empregados desde segunda-feira (14). Embora a Maga Inc não tenha confirmado vínculos com o grupo, ambos têm o mesmo tesoureiro, endereço e banco depositário. O chefe da Tesla e da SpaceX, Elon Musk, que gastou mais de US$ 250 milhões (R$ 1,2 bilhão) na campanha eleitoral de Trump em 2024, também está intensificando seu apoio aos republicanos nas eleições de meio de mandato. O homem mais rico do mundo doou cerca de US$ 50 milhões (R$ 257 milhões) à America PAC, principalmente no ano passado, e o grupo gastou quase todo o valor até o fim de junho. O grupo também lançou uma campanha publicitária de mais de US$ 8 milhões (R$ 41 milhões) no início de setembro. O setor de criptomoedas acumulou um dos maiores fundos políticos da eleição, usando sua crescente influência sobre a Casa Branca para apoiar candidatos favoráveis ao setor. A Fairshake, outra Super PAC do setor de criptomoedas, arrecadou mais de US$ 99 milhões (R$ 510 milhões) em contribuições individuais —quase todas provenientes de um pequeno grupo de investidores, entre eles Coinbase, Ripple, Andreessen e Horowitz. Os gastos políticos ocorrem enquanto Washington toma decisões cruciais sobre inteligência artificial, as gigantes de tecnologia e moedas digitais, afirmou Richard Briffault, professor de Direito da Universidade Columbia. "Há simplesmente uma quantia colossal de dinheiro em jogo." A Fairshake transferiu US$ 65 milhões (R$ 334 milhões) para Super PACs que apoiam candidatos de ambos os partidos —todos destinados a promover e defender as criptomoedas— em disputas do Alabama ao Texas. Alguns bilionários também financiaram Super PACs, acrescentando outra camada entre eles próprios e o candidato que tentam eleger. A família Uihlein, formada por magnatas do setor de transporte marítimo do norte da região Centro-Oeste, financiou quase integralmente dois grupos de campanha voltados às primárias republicanas em Wisconsin e Kentucky. J.B. Pritzker, governador democrata bilionário de Illinois e possível candidato à Presidência em 2028, forneceu quase 80% do dinheiro arrecadado por um Super PAC, que gastou cerca de US$ 9 milhões (R$ 46 milhões) para apoiar a candidatura da democrata Juliana Stratton ao Senado. Ken Griffin, executivo-chefe da Citadel e outro bilionário financiador dos republicanos, usou diversos meios financeiros para intervir em disputas em todo o país. Ele é o único financiador da Fighting for Wyoming e da American Patriots, que apoiaram candidatos em Wyoming e Tennessee, e também respondeu por cerca de um terço dos recursos arrecadados por um grupo que gastou aproximadamente US$ 2,8 milhões (R$ 14,4 milhões) para se opor ao adversário democrata do senador republicano Dan Sullivan, no Alasca. A concentração do dinheiro dos doadores ricos é evidente nas primárias de distritos solidamente democratas ou republicanos, onde a disputa interna do partido pode, na prática, decidir quem vai para o Congresso. Os doadores podem ter percebido que investir desde o início nessas primárias pode ser mais eficiente do que fazê-lo durante uma eleição geral, afirmou Bonica, de Stanford. "Nas primárias, é possível exercer um impacto bastante significativo", disse o cientista político. O dinheiro de Pritzker ajudou a impulsionar Stratton à vitória em Illinois. No Texas, o Lone Star Rising PAC, financiado principalmente pelo bilionário da tecnologia Reid Hoffman, havia empregado US$ 15 milhões (R$ 77 milhões) para apoiar o candidato democrata ao Senado James Talarico, incluindo US$ 1,5 milhão (R$ 7,7 milhões) de Hoffman em apoio à sua campanha nas primárias.
Bilion�rios refor�am campanhas de republicanos nas midterms nos EUA
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