Betty Boop e Cab Calloway inspiraram coquetel cl�ssico

Betty Boop e Cab Calloway inspiraram coquetel cl�ssico

De 1920 a 1933 as bebidas alcoólicas foram proibidas nos EUA. Um ano depois do fim da Lei Seca, surgiu o Código Hays, conjunto de regras moralizantes imposto por produtores de Hollywood. Os filmes e animações não podiam mais mostrar casais dormindo na mesma cama. Nudez, impensável. Sugestão de homossexualidade, fora de cogitação. A duração dos beijos era contada no cronômetro; se passasse do limite, os lábios teriam de ser separados, como boxeadores ao soar do gongo. Parecia uma barganha com a balança dos prazeres. Voltavam as bebidas, mas com a condição de botarem cabrestos no cinema. A evolução (ou involução) da personagem Betty Boop nesse breve intervalo entre os loucos anos 20 e os recatados anos 30 dá bem a medida de como foi esse pulo dos bares clandestinos ao "lar, doce, lar". A princípio, em 1930, a criação de Max Fleischer, pensada para adultos, era uma cantora de boate de jazz em corpo de poodle antropomorfizado. Tinha sido inspirada, hoje sabemos, pela artista negra Baby Esther Jones, fato ignorado por décadas. (Quinta Brunson quer reparar esse erro, com um filme em que vai interpretar a personagem). Em dois anos, a jovem branca de olhos grandes ficou completamente humana. Enfiada num vestido preto, com cinta-liga e cabelo curto, era uma flapper, como chamavam a mulher sexualmente livre, que sabia se divertir: beber, fumar, dirigir carros, o que fosse. Com o furacão Hays, Boop foi ficando mais recatada, perdendo o emprego de pin-up —e a graça. Ainda melindrosa, ela aparece no curta "Minnie the Moocher" (1932). Os pais dão-lhe bronca porque ela não quer comer e BB foge com o namorado. Os dois escondem-se numa caverna com esqueletos dançantes, onde o fantasma de uma morsa canta a música-título de Cab Calloway —espécie de hino do sex, drugs & swing. Na época o cantor, maestro e dançarino era uma das atrações do Cotton Club, casa noturna do Harlem. Vivia-se o apartheid estadunidense: os artistas eram negros e o público, branco. Calloway chamava o coro "hi-de-hi-de-hi-de-ho" e a resposta vinha acompanhada do chacoalhar de joias. O Cotton Club atravessou boa parte dos anos secos servindo champanhe à vontade, uísque canadense e coquetéis clássicos —molhava a mão dos policiais e a garganta dos clientes. O menu oferecia dry martinis, um misterioso tall, tan & terrific, além do curioso carioca cooler. Tinha ainda o Minnie the moocher, cuja receita aparece num livro do próprio clube, de 1939. Nos after hours, os músicos preferiam beber em bares frequentados pelos moradores negros do bairro. Eram talentos estelares: Duke Ellington, Billie Holiday, Louis Armstrong, etc. Frequentemente, davam canjas. E não havia racismo, Lei Seca ou Código Hays que estragassem essas jam sessions. Minnie the moocher 37,5 ml de gim 30 ml de vermute seco 22,5 ml de licor Bénédictine Um lance de absinto Um lance de Angostura Mexa os ingredientes com gelo e coe para uma taça coupe LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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