As instituições financeiras digitais foram responsáveis pelo aumento de R$ 1,6 trilhão do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil entre 2016 e o primeiro trimestre de 2026, segundo estudo feito pelo Reglab (Centro de Estratégia e Regulação) para medir o impacto de mudanças regulatórias que o Banco Central fez para estimular a concorrência. Entre as mudanças estão Pix, portabilidades e Open Finance. Este último permite compartilhar dados pessoais, bancários e financeiros entre instituições. A pesquisa aponta que, sem as instituições digitais, o PIB do primeiro trimestre de 2026 seria 2,2% menor em termos reais, com impacto no orçamento das famílias e na atividade produtiva. Instituições financeiras digitais oferecem serviços bancários e financeiros 100% online, sem agências físicas, como bancos digitais, fintechs e instituições de pagamento. Encomendado pela Zetta, que representa 35 empresas de serviços financeiros digitais, o estudo é apresentado em um momento em que a agenda de inovação e competitividade do setor bancário ficou em xeque após casos de fraudes cibernéticas e envolvimento de algumas dessas instituições com o crime organizado. O estudo será apresentado na Zetta Summit, que começa nesta terça-feira (1) em Brasília. Segundo o estudo, o ganho elevou o consumo das famílias em R$ 982 bilhões, e o investimento agregado em R$ 371 bilhões. Clientes economizaram R$ 102 bilhões em juros no crédito livre e R$ 47 bilhões em tarifas bancárias no período."É um impacto em cadeia [decorrente] de quando as pessoas conseguem se bancarizar mais, usar mais crédito, ter acesso a melhores taxas e consumir mais, gerando esse efeito agregado na economia toda", diz Pedro Henrique Ramos, diretor-executivo do Reglab. A pesquisa do Reglab identificou que o principal motor dos ganhos macroeconômicos foi o aumento da concorrência no setor, historicamente muito concentrado em poucos grandes bancos. A entrada das instituições digitais levou as tradicionais a reduzir margens e custos, derrubando juros e elevando o consumo das famílias. Para mensurar o impacto da digitalização financeira à economia, o Reglab utilizou o DSGE (Modelo Dinâmico Estocástico de Equilíbrio Geral), ferramenta usada por bancos centrais. A análise foi alimentada com dados históricos brasileiros para simular um cenário no qual os bancos digitais não existiam. "Com esse estudo, a gente consegue identificar um novo fator que muito provavelmente não estava no radar de ninguém, que é justamente esse efeito da maior competição no mercado de crédito", diz Ricardo Barboza, economista-chefe da Zetta. O estudo atribui o efeito sobre o PIB também à reação dos bancos tradicionais, que revisaram tarifas, margens e juros, beneficiando famílias e empresas. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Para João Ricardo Costa Filho, do Reglab e autor do estudo, o resultado leva o debate sobre digitalização financeira à política econômica. "A regulação que visa prevenir lavagem de dinheiro, qualquer tipo de crime, ela sempre vai ser bem-vinda; A questão é como é que você desenha isso e não impede os ganhos da pressão competitiva, da ampliação de acesso, da eficiência operacional que vem com esse tipo de mudança no mercado financeiro, afirma Costa Filho. As instituições financeiras digitais respondem por 6,1% dos ativos do sistema financeiro. Os dados do estudo indicam que a concentração de mercado passou a cair de forma consistente a partir de 2017, período em que começou a expansão das instituições financeiras digitais. A desconcentração não ficou restrita aos ativos, atingindo crédito, captações, passivos e patrimônio líquido. Lançado em setembro de 2024, o Reglab pesquisa os setores de tecnologia e mídia e adota tabela de transparência de dados para validar estudos. IMPACTO NO PIB ENTRE 2016 E PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2026 Consumo das famílias: R$ 982 bilhões Economia com juros no crédito livre: R$ 102 bilhões acumulados no período Investimento agregado: R$ 371 bilhões Economia com tarifas bancárias: R$ 47 bilhões acumulados, beneficiando também clientes que nunca migraram para uma instituição financeira digital
Bancos e institui��es digitais aumentaram PIB em R$ 1,6 tri entre 2016 e 2026, diz pesquisa
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