Banco Central reduz Selic a 14% ao ano com corte de 0,25 ponto pela quarta vez

Banco Central reduz Selic a 14% ao ano com corte de 0,25 ponto pela quarta vez

O Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu nesta quarta-feira (5) a taxa básica de juros para 14% ao ano, com um corte de 0,25 ponto percentual na Selic pela quarta vez seguida. O novo recuo consolidou um dos ciclos mais suaves de queda promovidos pelo Banco Central desde a criação do sistema de metas para a inflação, em 1999. A decisão do colegiado do BC foi unânime e já era dada como certa pelo mercado financeiro às vésperas do encontro. As instituições consultadas pela agência Bloomberg eram unânimes na aposta de que os juros cairiam em mais 0,25 ponto percentual. No comunicado, o Copom não antecipou seus próximos passos e voltou a dizer que o tamanho total do ciclo será estabelecido "à luz de novas informações", diante dos riscos associados à evolução dos preços. "O comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", disse. O comitê ajustou seu comunicado e foi mais sintético depois dos ruídos provocados no encontro anterior. Em junho, o Copom trouxe uma análise alternativa ao olhar de forma antecipada para o primeiro trimestre de 2028, intervalo de tempo que entrou agora efetivamente na mira do BC. A estratégia gerou desconfiança entre os analistas, que consideraram a comunicação da autoridade monetária confusa A Selic acumula queda de 1 ponto percentual desde o início do processo de flexibilização, em março. Depois de a taxa básica ter ficado estacionada em 15% ao ano por nove meses, foram quatro cortes de mesma intensidade (0,25 ponto). Com isso, os juros chegaram ao menor patamar desde março do ano passado, quando estavam em 13,25% ao ano. A diferença entre os juros dos Estados Unidos e do Brasil caiu para 10,25 pontos percentuais. Na semana passada, o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) decidiu manter as taxas na faixa entre 3,5% e 3,75%, com divergência de três diretores, que defendiam alta de 0,25 ponto percentual. No cenário doméstico, o BC reconhece que os indicadores evoluíram de maneira favorável a sua atuação, com desaceleração da inflação e moderação gradual da atividade econômica. Pondera, contudo, a resiliência da economia, com sinais mistos entre setores, e mercado de trabalho aquecido. No cenário de referência do Copom, a estimativa de inflação para este ano caiu de 5,2% para 5,1%. Para 2027, a projeção subiu de 3,7% para 3,8%. O comitê também incluiu sua expectativa para o primeiro trimestre de 2028, em 3,2% –pouco acima do centro da meta O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) desacelerou a 4,64% no acumulado de 12 meses até junho, puxado pela queda dos preços de alimentos. O mesmo comportamento foi observado na semana passada no índice que sinaliza tendência para a inflação oficial do país. Nos 12 meses até julho, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) recuou a 4,52%. Apesar da trégua recente, os dados seguem acima do teto da meta perseguida pelo BC. O alvo central é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. No atual modelo, de avaliação contínua, o objetivo é considerado descumprido quando a inflação acumulada permanece durante seis meses seguidos fora do intervalo de 1,5% (piso) a 4,5% (teto). Devido aos efeitos defasados da política de juros sobre a economia, o comitê tem na mira a inflação esperada para o primeiro trimestre de 2028. Apesar do recuo da estimativa para o IPCA deste ano, a 5,03%, as projeções para prazos mais longos estacionaram depois de nova deterioração. Conforme os dados do último boletim Focus, as previsões dos analistas para 2027 e 2028 subiram para 4,22% e 3,8%, respectivamente. Com relação ao dinamismo da economia brasileira, a atividade tem dado sinais de desaceleração no segundo trimestre após o crescimento de 1,1% do PIB (Produto Interno Bruto) dos três meses iniciais do ano. Segundo os especialistas, os altos juros no país são a principal explicação para essa perda de ritmo. Esse movimento, contudo, pode ser atenuado pelas medidas fiscais e de crédito anunciadas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com potencial para impulsionar o consumo das famílias em ano eleitoral. No ambiente externo, o preço do petróleo caiu na véspera do Copom para o menor valor em quase um mês depois de os Estados Unidos falarem em acordo com o Irã. Na terça (4), o barril Brent ficou abaixo de US$ 80 pela primeira vez desde 13 de julho. Cinco das oito reuniões do Copom do ano foram realizadas com quórum reduzido, com desfalque de dois diretores. O próximo encontro está previsto para 15 e 16 de setembro.

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