'Avia��o n�o � brinquedo de luxo, � infraestrutura para turismo', diz CEO do Beach Park

'Avia��o n�o � brinquedo de luxo, � infraestrutura para turismo', diz CEO do Beach Park

Em 2026, o Beach Park, complexo de parques e hotéis em Aquiraz, nos arredores de Fortaleza-CE, completa 40 anos. Para comemorar as quatro décadas, a empresa espera abrir no final de setembro o Ohana Beach Park. O novo resort do grupo será direcionado para o público de alta renda. A inauguração encerra um ciclo de investimento da companhia, que nos últimos três anos lançou o parque Arvorar, focado em ecoturismo, entre outras novas atrações. Em entrevista à coluna, o principal executivo do grupo comenta o momento do setor de turismo e o que, em sua opinião, falta para que o segmento acelere os resultados. A oferta de parques temáticos no Brasil ainda é limitada, se comparada, por exemplo, à dos Estados Unidos. Para onde o sr. acha que esse mercado tende a crescer no país? O Brasil está passando atualmente por uma fase que outros mercados já passaram. Nos últimos dois ou três anos, principalmente depois da pandemia, temos visto um crescimento do mercado de parques de forma geral no Brasil. O preço da passagem aérea doméstica ainda é um obstáculo para que mais visitantes cheguem ao Beach Park e à Fortaleza? Sim, é um problema. A aviação não é um brinquedo de luxo. As companhias aéreas são infraestrutura para distribuir o turismo, um setor que gera muito emprego. Sem elas, dependeríamos só do transporte rodoviário, que não funciona bem no Nordeste. O Brasil deveria ter uma estrutura muito melhor para as companhias aéreas do ponto de vista tributário. Os aeroportos já melhoraram bastante, mas ainda há um problema grave na legislação consumerista [tudo o que está relacionado ao direito do consumidor], que precisaria ser tratado de outra forma. A tributação é o único problema para as aéreas? Não, o custo com processos judiciais também é muito alto. A maior parte dos processos de consumidores contra companhias aéreas no mundo é registrada no Brasil. Por isso a passagem fica cara: as companhias têm que arcar com toda a estrutura para se defender e para pagar o que é pedido. Há uma série de medidas que poderiam ser adotadas em relação às companhias aéreas, importantes para o turismo como um todo, principalmente para destinos onde o transporte aéreo é essencial. Para pensar o turismo de forma estruturada, é preciso ter muitas companhias aéreas e saudáveis. Falta incentivo para o turismo ou para a hotelaria no Brasil? Falta, do ponto de vista de impostos e de custos com mão de obra. Somos [o setor turístico] um grande empregador e temos uma característica importante: o valor que investimos se traduz em muitos empregos. Há indústrias que investem muito mais do que a gente, mas geram cada vez menos postos de trabalho, porque são automatizadas e robotizadas. Aqui não dá para robotizar o garçom, o salva-vidas, o animador. Com isso, geramos muito emprego —hoje temos cerca de 2.300 ou 2.500 empregos somando toda a operação.A aposta no público de alta renda com o novo resort é uma forma de fugir da classe média, que está mais apertada financeiramente? Não. É o que faltava no nosso portfólio de hotéis. O cenário de juros altos e endividamento da população é um obstáculo para os negócios? Sim, o custo de capital é fundamental, porque estamos em um negócio de longo prazo. Um hotel como esse [Ohana Beach Park] não vai dar retorno em dois ano s. Isso é um investimento grande, com retorno de longo prazo. Por isso, o custo de capital é fundamental para o setor como um todo e afeta todo mundo. Em outras ocasiões, o sr. já falou sobre a possibilidade de abrir capital ou buscar outras injeções de investimento no grupo. Isso ainda é um plano do grupo? Não existe um plano para abrir capital agora. Mas, como se costuma dizer, nunca digo nunca. . A repórter viajou a convite do evento Cocal 2026. Murilo Pascoal, 55 São Paulo, 1970 É CEO do grupo Beach Park Entretenimento há 22 anos. Formado em administração pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), é especializado na operação de parques temáticos, aquáticos e atrações pela IAAPA/Cornell Institute. Também é presidente do Sindepat (Sistema Integrado de Parques e Atrações Turísticas). LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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