Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025 mostram avanços num cenário insatisfatório de aprendizagem e sinalizam uma necessidade de reformulação. O Ideb é uma avaliação bianual cuja nota, numa escala de 0 a 10 pontos, combina a prova de desempenho do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e taxas de aprovação. Os anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano) obtiveram o melhor resultado da rede pública, com o aumento da nota de 5,7, em 2023, para 6,1 no ano passado. Pela primeira vez, ultrapassou-se a nota 6, que é a referência geral de qualidade do indicador desde que ele foi criado em 2007 —a meta específica das escolas públicas nessa etapa, estabelecida em 2021, é de 5,8. Nos anos finais do fundamental (6º ao 9º ano), o Ideb passou de 4,7 para 5, sendo que a meta é 5,2. No ensino médio, a evolução foi de 4,1 para 4,3, ante meta de 4,9. Mas o rendimento dos alunos brasileiros é precário, principalmente no ensino médio. Em matemática, a nota final dessa etapa no Saeb subiu 4,21 pontos no período, chegando a 268,52. Desde o início da série histórica, em 2005, o indicador subiu só 8,49 pontos. Há 20 anos, portanto, apresenta-se estagnação no nível 2 (250 a 270 pontos) da escala de proficiência do Saeb, que é dividida em dez níveis de aprendizado, do mais elementar ao mais avançado. Trata-se de um nível baixo de aprendizagem. Os alunos se formam no ensino médio sem conseguir saber construir um gráfico ou fazer regra de três, habilidades que estão no nível 3. Entre 2015 e 2025, só 11 estados obtiveram avanço relevante em desempenho no ensino médio —com destaque para o Piauí, que, em matemática, saiu da casa dos 240 pontos para a dos 280. Por outro lado, 22 das 27 redes estaduais apresentaram melhora no fluxo (índices de aprovação), o segundo critério que compõe o Ideb. Especialistas apontam que a intensificação das aprovações dos alunos, por meio de um modelo de progressão continuada mal implementado, pode funcionar como estratégia para inflar os resultados do Ideb. O caso do Pará é revelador. Segundo o Censo Escolar, a taxa de aprovação no 1º e no 2º ano do ensino médio chegou a 100% em 2023, nível jamais alcançado por nenhuma outra rede estadual —ante 73,3% e 76,9%, respectivamente, em 2022. O Ideb das escolas paraenses passou de 3, em 2021, para 4,3, em 2023. Mas, se tivesse mantido a aprovação anterior, alcançaria 3,4. Uma reformulação do indicador seria medida bem-vinda —uma comissão para esse fim foi criada pelo Ministério da Educação (MEC) no ano passado, mas a pasta ainda não definiu se implementará alterações sugeridas. Mas é preciso, principalmente, investir na melhoria da aprendizagem, para que as taxas de aprovação reflitam de fato o domínio de habilidades pelos alunos. editoriais@grupofolha.com.br
Avan�os e distor��es no Ideb
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