A recente edição do Ranking Universitário Folha (RUF) novamente mostra a superioridade das instituições públicas do eixo Sudeste-Sul. Das 50 universidades mais bem avaliadas entre as 205 do país, 37 são federais; as três primeiras colocadas são as paulistas USP e Unicamp e a UFMG, em Minas Gerais. O fenômeno não é por si só um problema, já que países como Canadá, Austrália e China direcionam boa parte dos recursos a poucas universidades de excelência. No Canadá, em 2024, quase 80% do financiamento federal à pesquisa acadêmica foi destinado a 15 instituições. Ainda que a produção científica por óbvio seja um aspecto fundamental, ela não esgota a função do ensino superior. Por isso, além da pesquisa, o RUF articula na avaliação outros quatro indicadores: ensino, inovação, internacionalização e mercado. Em alguns deles, instituições privadas se destacam. Em mercado, a paulista Unip está no segundo lugar nacional, empatada com a UFMG e atrás apenas da USP. Assim, emerge uma antiga questão abordada em pesquisas do setor. A heterogeneidade no ensino superior brasileiro, com diferentes tipos de instituições, objetivos e resultados, não é reconhecida de modo satisfatório pela legislação nem pelo sistema padronizado de avaliação do Ministério da Educação (MEC). Uma pequena universidade no Amazonas, por exemplo, pode não ter produção científica robusta, mas ser essencial para a formação profissional num contexto mais sujeito a limitações. Agrupar universidades a partir de semelhanças e diferenças pode trazer maior racionalidade às avaliações e orientar melhor as políticas públicas —nos Estados Unidos, a Carnegie Classification of Institutions of Higher Education, que distingue instituições segundo suas características e atividades, é utilizada para esses fins. Outro ponto que desponta no RUF é a relevância social da pesquisa. Neste ano, foi incluído um novo critério na avaliação: o número de trabalhos científicos citados em documentos de políticas públicas de governos, ONGs e organizações no nível global. Citações acadêmicas indicam impacto no campo científico, mais restrito, enquanto as citações em documentos desse tipo podem indicar o alcance da produção de conhecimento em questões mais práticas que afetam diretamente a sociedade. O RUF revela complexidades e lacunas dos modelos de avaliação de um ensino superior marcado por diferenças que ainda precisam ser devidamente contempladas pelo poder público. editoriais@grupofolha.com.br
Avaliar a diversidade do ensino superior
Full Article
Original Source
Read the full article at Www1 →KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.