At� para os EUA, expans�o da d�vida p�blica tem limite

At� para os EUA, expans�o da d�vida p�blica tem limite

A dívida pública americana atingiu astronômicos US$ 40 trilhões, dos quais US$ 32 trilhões estão em poder do público, montante equivalente a cerca de 100% do PIB. O ritmo explosivo de expansão reacende o temor de uma crise de financiamento, que se materializa na subida das taxas de juros exigidas pelo mercado credor. Em leilões recentes, os títulos de 30 anos foram colocados a 5,22% anuais, patamar mais alto desde 2001. Numa tentativa pouco ortodoxa de conter a escalada, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou o aumento das recompras de papéis mais longos, dobrando o volume das operações de liquidez. Há razões para inquietação, e elas decorrem, em última instância, da gastança persistente do governo americano. O déficit federal permanece em torno de 6% do PIB, nível semelhante ao do final do governo Joe Biden e o dobro da meta declarada pela atual gestão de Donald Trump. O Congressional Budget Office, órgão de acompanhamento independente, projeta que a dívida detida pelo público avançará para 120% do PIB até 2036, com déficits anuais médios superiores a 6% do produto e as despesas com juros mais que dobrando. O quadro torna-se mais grave porque a dívida dobrou em dez anos em termos nominais e os juros globais estão em alta. A pressão não vem apenas dos rombos orçamentários. Há também concorrência pela poupança por parte do setor privado, porque empresas de inteligência artificial emitem centenas de bilhões de dólares em papéis para financiar data centers e infraestrutura. Mantido o ritmo atual, o resultado será o crescimento inexorável dos juros e dos custos de rolagem. Estes já superam o orçamento de defesa e devem continuar a consumir fatias crescentes da despesa federal, comprimindo outras prioridades. Uma crise evidente, porém, ainda pode estar distante. Depois de mais de uma década de dinheiro muito barato após a crise financeira de 2008, o que se observa é um retorno ao padrão histórico de taxas de prazos longos mais próximas de 5% ao ano. Ainda assim, a insegurança quanto à qualidade dos títulos do país emissor da principal moeda reserva reflete um mundo em transformação, com maior fragmentação geopolítica e busca por proteção. A renovada perda de força do dólar e a disparada dos preços do ouro são reflexos dessas incertezas. Para a maior potência do planeta, a irresponsabilidade fiscal, mesmo alargada pelo privilégio do dólar, tem limites. editoriais@grupofolha.com.br

Original Source

Read the full article at Www1 →

KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.